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janeiro 18, 2005
Paira no céu...

de tantas vozes,
esvaecidas pela dor,
e grita o sangue,
oferecido a um deus melhor,
sobre o altar, onde ardemos dia a dia.
Que venha o gelo da noite eterna,
e, predador,
nos colha a alma,
a feche na urna fria,
pois sobre a terra não há tempo para o amor,
e a taça da amargura, está vazia.
Manuel Filipe
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Da Náufrago:
adormecida sob a manta
de gelo humano
jaz a terra
a aguardar o nosso
renascer
e as árvores apontam
dedos ao céu
oram por nós
e em troca da sombra
boa que nos deram
reflectem
o frio branco
da nossa humana
ingratidão.
Da Sónia
Chovem do ceu
os cubos de gelo
da agua derramada
aquando da partida!
Publicado por ognid às janeiro 18, 2005 01:31 AM
Comentários
Post carregado...
Mas um belo duo imagem/poema.
A foto, então, parece que levou com um raio que a 'freezou' ali. Mas tu, des'freeza'
Hugs
Publicado por: MJM em janeiro 19, 2005 06:12 PM
Já vim por aqui algumas vezes e saí com a sensação fria do poema que aqui deixaste a acompanhar essa árvore triste, terrível, que me fez lembrar aquele teu "post" da máscara da morte! Mas mesmo assim e esteticamente falando é um Belo Neo-romantico o que encontro por aqui... Beijinhos e fico na expectativa ... :)**
Publicado por: M.P. em janeiro 18, 2005 09:45 PM
Tu inventaste o nome Catedral, e lá vai o sermão: o olhar único do fotógrafo mtas vezes assusta as pessoas. Tu sabes, parceiro. Não bastasse, não o controlamos. Ele salta e lá está. Acho q, tal qual a escrita, [i]maginar é a nossa catarse. Até pq sabemos todos que há dias... mas sei tb que trabalhas lindamente com a luz e, mesmo q n tenha sido hj, amanhã ou depois, certamente irá reencontrá-la. bj, fotógrafo
Publicado por: Lia em janeiro 18, 2005 08:54 PM
Gostei imenso da tua escolha Ognid.
Tantas e tantas vezes senti que "sobre a terra não há tempo para o amor".
E a noite... sempre tão eterna.
Beijo... Litostive*
Publicado por: Litostive em janeiro 18, 2005 05:38 PM
Já não sei se é na "Menina da Rádio" se no "Leão da Estrela", mas que se lixe! Jinhos
Publicado por: puta_madre em janeiro 18, 2005 03:23 PM
Estás enganado: há tempo para o amor. Na realidade há tempo para tudo (ou quase tudo). Pena é que sejamos, na grande maioria, uns desorganizados e "desarranjados" mentais. Nem pra nós somos bons, grande porra! Acho que devia existir nas nossas vidas uma personagem como a do António Silva em "A menina da rádio": cada vez que começassemos a desanimar, a dizer merdas negativistas, a dizer que não há tempo para o amor (ai, mau maria!) o gajo gritava a plenos pulmões: DESCINCRONIZO-LHE A TROMBA!
Publicado por: puta_madre em janeiro 18, 2005 03:20 PM
Subscrevo o comentario da Lique!! Deixo-te um grande abraço... Muitos beijos!!
Estou por aqui, tu sabes.. e também que podes contar sempre comigo...
Publicado por: Maria Branco em janeiro 18, 2005 02:41 PM
Chovem do ceu
os cubos de gelo
da agua derramada
aquando da partida!
Beijinho grande
Publicado por: Sónia em janeiro 18, 2005 01:35 PM
Bom dia Ognid,
bom abrir tua página e ver esta maravilha postada... Lindo poema...
Hoje não escreverei, apenas calarei e aproveitarei o momento...
Abraço!
Publicado por: Vivian Oliveira em janeiro 18, 2005 12:42 PM
Meu caro amigo,
Dou um salto de fugida aqui à Catedral para te agradecer as palavras de ânimo e carinho que me deram...
Mas, carago, está a ser muito duro em minha casa. Vamos lá ver quando é que sopram melhores ventos.
Um abraço nosso
Publicado por: josé gomes em janeiro 18, 2005 11:50 AM
hoje estou como estas árvores. curioso.
(e sem qq inspiração) mas linda foto!
adormecida sob a manta
de gelo humano
jaz a terra
a aguardar o nosso
renascer
e as árvores apontam
dedos ao céu
oram por nós
e em troca da sombra
boa que nos deram
reflectem
o frio branco
da nossa humana
ingratidão.
Publicado por: náufrago em janeiro 18, 2005 10:41 AM
Bem, não sei se faça um comentário se um sermão de irmã mais velha... Gosto muito dos poemas de Manuel Filipe que aliás tu me deste a conhecer. Mas lamento informar-te que lá fora não há gelo nenhum, está um sol do caraças e que na terra há tempo para vários tipos de amor. Talvez paire no céu um grito, senão de agonia, pelo menos de desespero. Mas a esperança e a coragem encontram-se dentro de nós. Ou tu julgas que eu não forcei as notas do meu piano a sairem azuis? Tinha que ser. Tal como essa árvore vai ter que deixar de ter ar de filme de terror e mostrar as folhas verdes ao sol que brilha. Dito isto, beijinhos.
Publicado por: lique em janeiro 18, 2005 09:49 AM