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janeiro 22, 2005
Gaivota

trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill
Escolha do poema: Maria Branco
Nota: a foto é cliché e a esperada, eu sei. Mas apeteceu-me assim :)
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Do OrCa:
Branco-cinza na procela
Voa mais leve que o vento
Voa mais leve que ela
Voa
Gaivota cinzenta
Adunco bico amarelo
Cruza o azul com afinco
Olhar vivo
Peito branco
Vertigem breve
Fugaz
Falas do mar
De rapinas
De romper as neblinas
Do tanto que és capaz
Voa arisca
Tu gaivota
Que fixas a tua rota
Tão distante
Desplicente
Na linha do horizonte
Muito além do além-mar.
Do Manuel Filipe:
A gaivota plana num grito circular,
Aflora as águas ao de leve,
Numa carícia.
Paira acima dos vendavais,
Que a vida é breve,
Esfinge dos cais.
Companheira do luar,
A gaivota plana num grito circular
Aflorando a tempestade ao de leve.
Curta delícia !
A gaivota é a saudade dos navios,
É a certeza de voltar
De portos incógnitos e frios.
A gaivota plana num grito circular,
É a Esperança
É o proprio mar.
Publicado por ognid às janeiro 22, 2005 02:19 AM
Comentários
Com o O'Neil por perto fiquei cheio de reticências para fazer uma "legenda"... Mas a falta de vergonha levou a melhor:
Branco-cinza na procela
Voa mais leve que o vento
Voa mais leve que ela
Voa
Gaivota cinzenta
Adunco bico amarelo
Cruza o azul com afinco
Olhar vivo
Peito branco
Vertigem breve
Fugaz
Falas do mar
De rapinas
De romper as neblinas
Do tanto que és capaz
Voa arisca
Tu gaivota
Que fixas a tua rota
Tão distante
Desplicente
Na linha do horizonte
Muito além do além-mar.
Publicado por: OrCa em janeiro 23, 2005 07:20 PM
não é preciso ser.se sempre diferente para se ser belo. ;)
Publicado por: pecola em janeiro 22, 2005 10:53 PM
Sintonia perfeita!Um abraço.
Publicado por: Agostinho em janeiro 22, 2005 10:33 PM
Bom recordar.
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado em janeiro 22, 2005 09:01 PM
Gosto especialmente de escutar este poema na voz da nossa Amalia Rodrigues. Que saudades!
Beijinho grande
Publicado por: Sónia em janeiro 22, 2005 07:54 PM
Ognid meu amigo, a foto é lindissima.. Perfeita para as palavras de Alexandre O'Neill.. Obrigada! Um beijo grande. Continuação de um fim de semana feliz!
Publicado por: Maria Branco em janeiro 22, 2005 04:37 PM
Adoro esse poema, melhor que o ler é ouvi-lo cantado pelas nossas vozes do fado.
A imagem quanto a mim está lindissima assim.
Bom fim de semana
bjs
Publicado por: Mar Revolto em janeiro 22, 2005 03:56 PM
A foto não é nada um cliché. Está bem. Não nos oprime nem obriga a pensar como ela poderia querer. Dá espaço para pensar mais longe, como o poema...
Publicado por: Confessionário em janeiro 22, 2005 03:47 PM
Tenho poucos hinos, rezo pouco, ergo magramente bandeiras; mas esse poema... Esse poema é um mosaico do meu painel.
A foto será lugar comum, mas nunca o é a intenção que preside ao voo. Continua importante escolher gaivotas.
Hugs, ognid
Publicado por: MJM em janeiro 22, 2005 03:41 PM
"Uma gaivota voava, voava...(...) Como ela somos livre, somos livres de voar." E o resto não me lembro. Lol. Jinhos.
Publicado por: puta_madre em janeiro 22, 2005 03:28 PM
Pois... bonito, mais claro, mais luminoso! Beijinhos
Publicado por: lique em janeiro 22, 2005 12:39 PM
Maria, obrigado pela disponibilidade para a parceria. Beijos.
Publicado por: ognid
em janeiro 22, 2005 11:55 AM
a foto é linda Heroi...fosse eu essa gaivota e levarte-ia o céu de Lisboa de q precisas e voava...voava..voava...até me cansar!