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fevereiro 11, 2005
Depois da Guerra

Eram tantas, tantas raivas pra matar
Eram tantos, tantos medos pra vencer,
Eram tantas, tantas sombras pra apagar
Eram tantas, tantas dores pra esconder...
Eram tantas, tantas feridas pra sarar
Eram tantas, tantas mágoas pra esquecer
Eram tantas as estradas por rasgar
Eram tantas, as vidas por viver...
E eram tantos os campos por lavrar
Eram tantos os sois para nascer
Eram tantos os filhos por criar
Eram tantos, os poemas por escrever...
Eram tantas as saudades do teu beijo
E tanta a falta do teu ombro forte,
Era tanta a tortura do desejo
De tão varrida a alma a vento norte...
Que então parei, nunca mais fugi!
Sepultei os muitos já caídos
Fiz tratados de paz, sobrevivi
Estendi a mão, uni-me aos já unidos...
Lavrei os campos e reconstruí
Todas as casas que tinham ruído
Olhei o longe, vi futuro e sorri
E a vida, voltou a ter sentido!...
Poema de Maria Mamede
-------------------------------
Da M.P.:
Depois da Guerra...
junta-se os destroços e as forças.
Luta-se para vencer a Morte,
busca-se um qualquer Norte
que nos afaste do descalabro...
Faz-se das lágrimas forças,
troca-se os medos por ânimo,
adoça-se com mel os travos amargos de revolta
apazigua-se os terrores com renovados Amores
em fuga célere do Abismo...
E parte-se em Rumo Novo
para um Futuro de Luz
onde o Sonho é directriz
com o Poder Sobrenatural
de tornar a Vida Feliz.
Da Menina_Marota:
"A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?
Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!
E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!"
"Augusto dos Anjos in A Esperança"
Do OrCa:
Do casario inocente ainda brotava
O sangue das paredes destruídas
Empapando a terra profanada
Pelas botas cardadas homicidas
E contudo renscia num recanto
Da semente que a vida nunca esquece
Uma flor num fio de voz
Um acalanto
E a mãe embala o filho numa prece
Tanto inverno e tanta dor na tempestade
Tanto ódio sem saber da vida o rumo
Mas naquele recanto só a Humanidade
Do entrondo da metralha
Espanta o fumo
Nada os cobre ou os protege
Nada abriga
Aquela mãe e o filho que amamenta
E o sorriso que ambos têm contra o frio
É a vida que de simples se sustenta.
Da Sónia:
...eram tantas em tantas vezes
sentidas do tanto
deste (meu)querer tanto!
Publicado por ognid às fevereiro 11, 2005 02:53 PM
Comentários
Tou sem palavras... mas palavras para quê?!!! O Ogtnid deu mais cor e mais força ao poema da Mamede.
Parabéns aos dois... ela ainda não sabe, pois acabei mesmo agora de chegar de sua casa e ainda não tinha visitado a tua "casa".
Um abraço
Publicado por: jose gomes em fevereiro 13, 2005 09:38 PM
...eram tantas em tantas vezes
sentidas do tanto
deste (meu)querer tanto!
Beijinho grande
Publicado por: Sónia em fevereiro 13, 2005 08:14 PM
Desculpa...hoje nem li com atenção o teu “post”...
ESTOU TRISTE: o domingo era o dia de nos reunirmos em família...
BShell
Publicado por: blueshell em fevereiro 13, 2005 03:38 PM
Da intensidade do poema da Maria Mamede e da tua imagem de esperança, também me ocorreu pintar este quadro contra a insanidade das guerras:
Do casario inocente ainda brotava
O sangue das paredes destruídas
Empapando a terra profanada
Pelas botas cardadas homicidas
E contudo renscia num recanto
Da semente que a vida nunca esquece
Uma flor num fio de voz
Um acalanto
E a mãe embala o filho numa prece
Tanto inverno e tanta dor na tempestade
Tanto ódio sem saber da vida o rumo
Mas naquele recanto só a Humanidade
Do entrondo da metralha
Espanta o fumo
Nada os cobre ou os protege
Nada abriga
Aquela mãe e o filho que amamenta
E o sorriso que ambos têm contra o frio
É a vida que de simples se sustenta.
Publicado por: OrCa em fevereiro 13, 2005 11:05 AM
Belíssimo poema!É a primeira vez q visito seu blog e fiquei encantada!Vc está d parabéns p/ seu bom gosto e sensibilidade!Adorei...!=***
Publicado por: sweetness_girl em fevereiro 13, 2005 05:23 AM
"Lavrei os campos e reconstruí
Todas as casas que tinham ruído
Olhei o longe, vi futuro e sorri
E a vida, voltou a ter sentido!..."
Obrigado por este Poema.
Um Abraço,
Publicado por: Fernando em fevereiro 13, 2005 02:00 AM
O poema é belíssimo. A força do renascer. A energia de "enterrar os mortos e cuidar dos vivos" . Aplicável a muitas fases da vida. A tua foto liga um cenário degradado à luz da natureza que chama. Muito bela, também. Beijinhos aí (a toda a gente) :)
Publicado por: lique em fevereiro 12, 2005 10:22 PM
Há imenso tempo que queria ter cá vindo, ainda não tinha conseguido, vim hoje - ainda bem que consegui estes minutos!... Vou arranjar mais e voltar!... :)
Publicado por: sotavento em fevereiro 12, 2005 06:42 PM
"A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?
Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!
E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!"
"Augusto dos Anjos in A Esperança"
Não sei porque me lembrei deste poema, ao ler o de Maria Mamede.
Talvez pela força que cada um deles, revela...
Gostei de estar aqui.
Um abraço
Publicado por: Menina_marota em fevereiro 12, 2005 11:48 AM
Sempre gratificante o tempinho da visita a esta "casa". Sempre ESPERANÇA!
Obrigado Ognid.
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado em fevereiro 12, 2005 09:46 AM
É só para dizer o que não disse no outro "post":
à Maria Mamede - este poema é um Hino de Esperança que entoa pelo deserto dos corações feridos e sedentos de algo que lhes dê para resistir.
ao Ognid - que BEM sabes pôr em Imagem palavras tão cheias de Significado!!
BOM fim de semana mais uma vez! **
Publicado por: M.P. em fevereiro 12, 2005 09:34 AM
"Eram tantos, os poemas por escrever..."
E tão bem o fazes por aqui Ognid.
Gosto sempre muito das tuas escolhas. Sinceramente. As fotos, os textos... sempre muito bons. Parabéns =)
Um beijo...
Litostive*
htpp://litostive.blogspot.com
Publicado por: Litostive em fevereiro 12, 2005 12:17 AM
Espectacular foto e poema ! Post Lindíssimo! Abração!
Publicado por: seila em fevereiro 11, 2005 10:54 PM
Depois da Guerra...
junta-se os destroços e as forças.
Luta-se para vencer a Morte,
busca-se um qualquer Norte
que nos afaste do descalabro...
Faz-se das lágrimas forças,
troca-se os medos por ânimo,
adoça-se com mel os travos amargos de revolta
apazigua-se os terrores com renovados Amores
em fuga célere do Abismo...
E parte-se em Rumo Novo
para um Futuro de Luz
onde o Sonho é directriz
com o Poder Sobrenatural
de tornar a Vida Feliz.
Bom fim de semana! **
Publicado por: M.P. em fevereiro 11, 2005 08:25 PM
"Lavrei os campos e reconstruí
Todas as casas que tinham ruído
Olhei o longe, vi futuro e sorri
E a vida, voltou a ter sentido!..."
Lindo!
Belissima escolha Ognid, boa tarde!
Publicado por: Vivian Oliveira em fevereiro 11, 2005 05:19 PM
Lindíssimo poema, Maria Mamede, e que força que é precisa para recomeçar! A imagem tb é exlente, obrigada ao Ognid pela publicação
Publicado por: em fevereiro 11, 2005 04:10 PM