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fevereiro 16, 2005

Dias meus

igreja multimedia

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
(...)

Poema de Alberto Caeiro

Ao som de Samuel Barber - Adagio for Strings


------------------------
Da Náufrago:

".........
Sino de Belém, que graça ele tem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão. - pela minha irmã!
Sino da paixão. - pela minha mãe!
Sino do Bonfim, que vai ser de mim?...
Sino de Belém, como soa bem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão... Por meu pai?...-Não! Não!
Sino da paixão bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, baterás por mim?...
......."

Manuel Bandeira

Da Menina_marota:

Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

— Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
— Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.

Cegou-me essas luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

— Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.

[Almeida Garrett in As Minhas Asas ]

Publicado por ognid às fevereiro 16, 2005 01:18 AM

Comentários

Lindo...!
Um abraço.

Publicado por: LE. em fevereiro 18, 2005 02:53 PM

Bom dia de cá...

Bela foto!
E torcemos para que nossos dias sejam lembrados...

Abraço!

Publicado por: Vivian Oliveira em fevereiro 17, 2005 01:40 PM

Caro bloguista...enfim caeiro deu eu a pocos dias na escola...ele um pouco do genreo "n me interessa pa nada" e eu identifico muito o meu estilo de vida com o dele,o que esta la esta la e o que nao esta tambem n me vou esforçar apensar para saber porque eh k nao esta..lol fizme entender?fika bem.fui

Publicado por: Dream_EateR em fevereiro 17, 2005 01:07 PM

Ao olhar esta imagem, lendo Fernando Pessoa, recordei um outro poema que gosto muito... deixo-te aqui, com um beijo de bom dia... :-)

Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

— Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
— Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.

Cegou-me essas luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

— Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.

[Almeida Garrett in As Minhas Asas ]

Publicado por: Menina_marota em fevereiro 17, 2005 10:34 AM

certeza subita esta!

Beijinho grande

Publicado por: Sónia em fevereiro 17, 2005 08:24 AM

Eu ninca contesto Alberto Caeiro. Nem nenhum dos outros heterónimos, a falar verdade... Há uma grande verdade neste poema. Todos os outros dias são de cada um de nós e, de preferência, para serem vividos bem. A foto está´perfeita para o poema. beijinhos

Publicado por: lique em fevereiro 16, 2005 10:18 PM

Simplesmente espectacular esta foto.. Linda.

Publicado por: polittikus em fevereiro 16, 2005 10:18 PM


Imagem espectacular esta... Fala-me de Páscoas esquecidas, silêncio e fervor religioso. Camilo Castelo Branco, salvas, palmas ungidas, Júlio Dinis, pupilas recatadas, estórias de amor esquecidas ao canto do adro... E a escolha do poema, não podia ser mais adequada. Um abraço amigo...

Publicado por: Aziluth em fevereiro 16, 2005 09:16 PM

e é pegar nas mãos esses entre os dois dias porque é o que temos de mais grandioso A NOSSA VIDA! Um abração!

Publicado por: seila em fevereiro 16, 2005 05:56 PM

Até porque, pelo meio, só a ti te interessa!...
E aqueles que tocaste têm a tua biografia escrita na pele, não sai com laser nem outras modernices!... :)

Publicado por: sotavento em fevereiro 16, 2005 04:48 PM

Tive de olhar duas vezes para perceber que o que está neste "post" não era o que eu estava a pensar que era... Ou será???

O culto da Morte não é muito normal no nosso País ! Em países de expressão germânica como a Alemanha e a Áustria é absolutamente normal.

Assustador, Amigo! Mas ao mesmo tempo vem da tua composição uma LUZ REDENTORA que QUERO que encontres em breve e a representes com todo o seu fulgor na TUA Catedral!! :)

Um ABRAÇO carregadinho da Amizade que sabes que tenho por ti! :)**

Publicado por: M..P. em fevereiro 16, 2005 03:13 PM

Cruzes, ognid!!!
Prefiro a fotografia...
E os sinos do "naufrago"...
Que se passa, mouro amigo?!!!!

Publicado por: josé gomes em fevereiro 16, 2005 12:58 PM

Lindo. Fixo-me no sino e vem-me à memória o Manuel Bandeira

.........
Sino de Belém, que graça ele tem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão. - pela minha irmã!
Sino da paixão. - pela minha mãe!
Sino do Bonfim, que vai ser de mim?...
Sino de Belém, como soa bem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão... Por meu pai?...-Não! Não!
Sino da paixão bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, baterás por mim?...
......."

Publicado por: náufrago em fevereiro 16, 2005 08:46 AM

Este poema é qualquer coisa...
Simples, profundo, verdadeiro!!

Saudações

Publicado por: Carriço em fevereiro 16, 2005 08:46 AM

Que espectáculo!!! Um beijo aos dois.

Publicado por: Roxy em fevereiro 16, 2005 04:03 AM

adoro pessoa.

Publicado por: Pecola em fevereiro 16, 2005 02:41 AM