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fevereiro 21, 2005
Refúgio

Olhou ao longe a multidão,
sem ver.
Não se sentia parte da multidão.
Gente só, numa rotina diária, feita de horas e minutos
contados ao segundo.
Virou-se. Respirou fundo, caminhando agora lentamente.
Sabia-se protegida. Sabia-se esperada.
Ninguém mais conhecia aquele caminho. Ninguém o percorria
como eles.
Tinham-no construído devagar, e esconderam-no do mundo não
permitindo as entradas.
E nos passos que dava revia outros passos, e as
sombras escuras eram protecção.
E uma voz chamava-a no final do caminho.
E na voz a paz oferecida na mão estendida.
A mão, final do caminho.
A mão local de paz, espaço sem tempo onde ficavam.
Longe das gentes com horas e minutos contados ao segundo.
Poema da Encandescente
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Do OrCa:
Refúgio ou ninho
Procurar em mim caminho de ficar
E sobrar sempre esta vontade
Premente
De andar
De andar...
Da Olho-de-Mocho:
no fim do caminho
encontrava-te
difícil conjugar-te
no passado
já que és o amor
presente no meu fado.
penso-te lá sozinho
à minha espera
anima-me que essa solidão
te seja alegre
como dantes para ti
esperar-me, era.
Publicado por ognid às fevereiro 21, 2005 05:36 PM
Comentários
Como árvores seculares, esse tempo sem tempo!... :)
Publicado por: sotavento em fevereiro 22, 2005 09:01 PM
no fim do caminho
encontrava-te
difícil conjugar-te
no passado
já que és o amor
presente no meu fado.
penso-te lá sozinho
à minha espera
anima-me que essa solidão
te seja alegre
como dantes para ti
esperar-me, era.
(na verdade apetecia-me estar ali, na foto, invisível. Bjs.)
Publicado por: Olho de Mocho em fevereiro 22, 2005 12:54 PM
Viva, caro Ognid. Tropecei, há dias, numa qualquer dificuldade informática para entrar nos comentários, mas tenho-te "seguido e visto", na mesma e com prazer...
Refúgio ou ninho
Procurar em mim caminho de ficar
E sobrar sempre esta vontade
Premente
De andar
De andar...
Com um abraço para ti e um beijo à Encandescente. Vou-vos "rastreando" por aí fora, um pouco por toda a parte...
Publicado por: OrCa em fevereiro 21, 2005 11:51 PM
Regúfios... quem os não tem (hmmm, ou seriam cartas de amor?)!
Para uns é um quarto fechado, para outros o mar...
O que é certo é que esses refúgios nos parecem ajudar, nas más alturas!
Saudações
Publicado por: Carriço em fevereiro 21, 2005 11:05 PM
'tá bonito, não há duvida!!!
Já agora uma pergunta sobre um pormenor que me anda a intrigar:
"Encandescente" é intencional (e eu não percebo o trocadilho) ou pretenderia ser Incandescente e só não o é por lapso?
Publicado por: Nãointeressa.comalf@ em fevereiro 21, 2005 11:02 PM
Poema e foto a evocar um local de paz, de partilha. A mão... a mão estendida que todos desejamos ter nos nossos caminhos de paz. Beijinhos aos dois.
Publicado por: lique em fevereiro 21, 2005 10:16 PM
Poema de amor, de protecção, de refúgio, de libertação dos outros para ficar só com quem se ama. O uno. Linda foto a "ilustrar" o poema.
Publicado por: flap em fevereiro 21, 2005 07:27 PM