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fevereiro 23, 2005

Carta ao Zeca

zeca

E se de todas as bocas saísse hoje a palavra liberdade?
E se saíssemos das casas conforto, comodismo
E na rua olhássemos a miséria de frente,
A hipocrisia que alastra,
O egoísmo do eu feito preocupação diária?
E se em vez de sobreviver
Vivêssemos?
E se a indignação fosse decreto,
Obrigatoriedade, dever cívico a cumprir?
E se a miséria fosse crime público
E quem a permite, julgado e condenado pela lei?
E se disséssemos ao Zeca:
Olha pá, tentámos manter Abril vivo
Mas os cravos hoje são todos sintéticos como a liberdade.
Olha Zeca, a malta perdeu a memória
Esqueceu a história e não vai em revoluções
Senta-se no sofá e faz zapping ao mundo.
E o povo Zeca, já não ordena
O povo, Zeca, esqueceu o que é fraternidade!

Poema da Encandescente

Ao Zeca no dia em que passam 18 anos sobre a sua morte. Por tudo o que representou na minha formação.

Publicado por ognid às fevereiro 23, 2005 12:39 PM

Comentários

Se o Zeca estivesse vivo e pudesse ler isto...
Obrigado em meu nome.

Aquele grande abração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em fevereiro 28, 2005 06:54 PM

parabéns pela foto e pela memória
um abraço

Publicado por: jpcoutinho em fevereiro 27, 2005 02:28 PM

Atrasada, atrasada,mas este post não podia deixar passar em vão. O Zeca foi para mais que uma geração uma referência, a face da utopia que julgávamos realizável. Extraordinária a forma como a Encandescente o lembra e muito belo o tratamaneto dado à foto. Beijinhos aos dois.

Publicado por: lique em fevereiro 24, 2005 09:09 PM

Obrigado, Ogdid, Encandescente e todos os amigos que neste dia se lembraram do Zeca.
É importante que a sua figura, a sua música e o seu exemplo continue a ser lembrado.
É preciso que a sua voz nunca seja calada... nem pelo esquecimento e muito menos pelo sistema.
Um abraço, amigo.

Publicado por: josé gomes em fevereiro 24, 2005 11:15 AM

Grande artista sem sombra de duvidas...

Beijinho

Publicado por: Sónia em fevereiro 24, 2005 08:26 AM

Um dos poemas que mais gosto é este:

"Vejam bem
que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe a pensar

Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento
Na areia
Dorme à noite
Ao relento
Do mar

E se houver
Uma praça
De gente
Madura
E uma estátua
De febre
A arder

Anda alguém
pela noite
De breu
À procura
E não há
Quem lhe queira
Valer

Vejam bem
Daquele homem
A fraca
Figura
Desbravando
Os caminhos
Do pão

E se houver
Uma praça
De gente
Madura
Ninguém vem
Levantá-lo
Do chão"

(Poema "Vejam bem" de José Afonso)

José Afonso é uma referência da lingua Portuguesa, que jamais será esquecido.
Abraço :-)

Publicado por: Menina_marota em fevereiro 23, 2005 10:19 PM

Que bom lembrá-lo, hoje e sempre!...
Mas prefiro dizer-lhe que as opções de sermos isto ou aquilo continuam de pé, mesmo que alguns escolham sentar-se!... :)

Publicado por: sotavento em fevereiro 23, 2005 09:04 PM

A voz de mel que nunca desaparecerá... Há alguém da família que lhe herdou o tom... e o jeito! O sobrinho de quem desafortunadamente não recordo agora o nome... Lindo tributo.. :)**

Publicado por: M.P. em fevereiro 23, 2005 08:33 PM

Excelente a foto e o poema. O ZXeca foi o nosso melhor exmplo de como se pode cantar a liberdade. Beijokas :)

Publicado por: Betty em fevereiro 23, 2005 05:59 PM

ufff! se...se...Ognid, Encandescente ufff!!! se...se...vos apanho um dia derreto-vos de abraços!:) do Zeca do Zeca...shuuutttt...senão cai aquela lágrima

Publicado por: seila em fevereiro 23, 2005 05:40 PM

Pois é o Zeca morria se nascesse outra ves. Linda foto de ognid.

Publicado por: flap em fevereiro 23, 2005 04:05 PM

Com plena memória do carinho Amigo que bem me conheceste:

"Canto jovem

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos.
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias da mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira e proa da minha barca"

Obrigada OGNID.

Publicado por: Olho de Mocho em fevereiro 23, 2005 01:45 PM

Gosto desta nova vocação da Catedral :) Muitos beijinhos!

Publicado por: jacky em fevereiro 23, 2005 01:36 PM

Um amigo que ficou sempre !

Publicado por: annie hall em fevereiro 23, 2005 12:54 PM