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fevereiro 25, 2005
Um dia final, de um mês qualquer

Encontraram-se no jardim no dia aprazado
Um dia final, de um mês qualquer.
Ela riu: Estás ridículo nesse fato, mas era o combinado.
Ele disse: E tu és só camisola e gola alta, como tinhas prometido.
Sentaram-se num banco ao acaso
Porque o acaso os juntara
E no acaso tinham caminhado
E o acaso os levara àquele jardim
Àquele banco escolhido ao acaso
Onde, trocando vidas, riram dos sucessos, riram dos fracassos
Riram dos medos, das esperanças, das desilusões,
Ele apertado num fato caro, a viola ao lado,
Ela só gola alta e caneta na mão.
Houve também silêncio porque a amizade
Não é feita só de palavras
Mas de compassos, de dar tempo ao tempo e sabe esperar
Ela disse: Anoiteceu, está lua cheia!
Ele respondeu: Como prometido e combinado.
E juntos caminharam até à ponte prometida
Onde entoaram trovas à lua e cantos de revolta
Acompanhados de uma viola que ria
Ele de fato novo, ela de gola alta.
E a noite era deles, porque única, prometida
Porque era noite de rindo de si rir da vida
Porque era noite de soltar a voz.
E a cidade parou para ouvir o canto
E a cidade era espanto da ousadia
De quem quebrava o canto silêncio da cidade morta,
De quem se suspendia na ponte
Entre as duas margens que fazem a vida.
Em baixo corria o rio,
Uma corrente contínua, monótona, nunca antes quebrada
Deram o passo à frente na ponte prometida
Quando rindo calaram canto e viola.
E no dia seguinte foi o pasmo na cidade
Um rio parado separava as margens da ponte contínua da vida
Um fato novo e uma viola retinham o som da corrente antiga
E uma camisola cara empunhando uma caneta dizia palavras inauditas.
Nunca encontraram quem a roupa vestiu
Quem se sentou no banco do acaso
Quem com um passo em frente parou o rio
Quem ousou rindo de si rir da vida
Quem ousou quebrar a corrente
Estender a mão e guardar liberdade.
Poema da Encandescente
Publicado por ognid às fevereiro 25, 2005 12:46 AM
Comentários
Excelentes poema e foto.
Publicado por: flap em fevereiro 25, 2005 07:52 PM
OUTONO EM LISBOA
Corriam palavras outonais,
laranjas voando leves
na aragem gélida.
Queria um café quente,
desesperadamente quente.
Uma sala cheia de gente e fumo,
com cheiro a lareira
e bater de copos
num balcão.
Queimar-me num sopro
dentro de uma chávena de café.
Acender um cigarro e perder-me
em memórias simples.
Um piano.
Uma voz rouca dilui-se em lembranças
de cenas
que jamais existiram.
Que tosse estúpida!
Tenho de deixar de fumar
vagamente...
Aquele fulano ali parece...
Esquecera-me
que tinha morrido dois anos atrás.
Será que resolveu mostrar-se...
assim?!
Apenas um efeito de
sombra-luz.
Numa tarde chuvosa em Lisboa.
maria de são pedro
adorei o teu texto poético ...parabéns!
Publicado por: maria em fevereiro 25, 2005 07:44 PM
ao acaso em Lisboa ... por um dia qualquer...
beijinhos grandes
Publicado por: Sónia em fevereiro 25, 2005 04:20 PM
alias, " e nos faz";)bom fim de semana.
Publicado por: marta em fevereiro 25, 2005 02:57 PM
gostei,gostei muito do blog,daquele genero que nos prende,e nos ter um unico objectivo,ler e ler,e reler,tudo milhentas vezes:)
beijinhos,tudo de bom.
marta.
Publicado por: marta em fevereiro 25, 2005 02:56 PM
Hoje, p'ra variar, faço minhas as palavras da Seilá!... :)
Como acho que só comentei o texto, acrescento que a foto é uma delícia!... :)
Publicado por: sotavento em fevereiro 25, 2005 12:36 PM
Um bom fim de semana cheio de fins de dia,de um mês qualquer:)
Publicado por: annie hall em fevereiro 25, 2005 11:13 AM
Um abraço e um bom fim de semana.
Publicado por: josé gomes em fevereiro 25, 2005 11:00 AM
ando baralhada ou já vi esta foto e este texto?
Um fim de semana em grande! um abraço e o meu obrigada aos dois!
Publicado por: seila em fevereiro 25, 2005 10:13 AM
:) bom fim de semana ;)
Publicado por: pecola em fevereiro 25, 2005 03:20 AM