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março 06, 2005

"O poeta é um fingidor..."

o_pensador

Um bom poeta é um escultor de palavras
Arredonda-as ou aguça-as
Lima-lhes as imperfeições
Entrega o verso perfeito
Na mão de quem o lê.
Um bom poeta faz magia com as palavras
Dá-lhes sabor, polvilha-as de cheiros
Sentindo
Desperta os sentidos
De quem lê aquilo que escreve.
Um bom poeta embeleza,
Ou mente de tal forma no verso,
Arrebata-se e arrebata de tal forma na descrição
Que quem lê
Vê uma estátua de Rodin.
Quando o poeta afinal
Olha e descreve,
Um simples cagalhão.

Poema da Encandescente

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Do OrCa:

Vendo só o que não sabe
Ou sabendo o que não vê
Faz-se poeta o que arde
Quando procura o porquê
Porque mais cedo ou mais tarde
É poeta o que não crê
Em tudo o que vê ou sabe
Porque lhe falta um porquê

Entretanto o canto enforma
Do poeta o riso e o pranto
Rindo tanto afinal chora
Chorando por se rir tanto

E tu que o ouves lá fora
Não lhe estranhes essa luz
Que brilha no escuro agora
Quando um poema se faz
Pois o poeta é capaz
De inventar uma aurora
No negrume pertinaz
Só p'la luz que nele mora

E só vê só porque sente
E só sabe porque ignora
Mas vê com olhos de gente
Que sabe rir quando chora
E finge sempre a fingir
Que o fingimento é mais forte
Que a vida que leva a rir
Chorando da vida a morte

Será pois poeta aquele
Que brande intensa a palavra
Pela vida que o impele
No chão da vida que lavra!

Publicado por ognid às março 6, 2005 11:49 PM

Comentários

Hummmm. Na mouche!

Publicado por: deSaraComAmor em março 7, 2005 11:12 PM

Muito bonito Ognid, terei que dar os parabéns à Incandescente, blog onde sou assídua e adoro, a ti pela imagem que tão bem completa o poema e ao Orca que fez um comentário poético de forma soberba.
Boa semana
Beijos bons

Publicado por: Lina em março 7, 2005 10:13 PM

De alguma contundência do poema-imagem e pela remissão da poesia que o comentário da Lique me sugere, creio dever acrescentar que...

Vendo só o que não sabe
Ou sabendo o que não vê
Faz-se poeta o que arde
Quando procura o porquê
Porque mais cedo ou mais tarde
É poeta o que não crê
Em tudo o que vê ou sabe
Porque lhe falta um porquê

Entretanto o canto enforma
Do poeta o riso e o pranto
Rindo tanto afinal chora
Chorando por se rir tanto

E tu que o ouves lá fora
Não lhe estranhes essa luz
Que brilha no escuro agora
Quando um poema se faz
Pois o poeta é capaz
De inventar uma aurora
No negrume pertinaz
Só p'la luz que nele mora

E só vê só porque sente
E só sabe porque ignora
Mas vê com olhos de gente
Que sabe rir quando chora
E finge sempre a fingir
Que o fingimento é mais forte
Que a vida que leva a rir
Chorando da vida a morte

Será pois poeta aquele
Que brande intensa a palavra
Pela vida que o impele
No chão da vida que lavra!

Publicado por: OrCa em março 7, 2005 08:31 PM

Oi, nao te conheço estava de passagem pela net procurando coisas para ver quando deparei-me com essa obra de arte, lindo... Tudo lindo, o bom gosto é excelente é um previlegio poder admirar tal bom gosto... Parabens se quiser se juntar a minha lista de amigos e conversar cristarela214@hotmail.com Beijos e Parabens

Publicado por: Patricia em março 7, 2005 08:25 PM

Gosto muito dos poemas da Encandescente... However, apesar de compreender a utilização da estátua de Rodin (presumo que é "O Pensador"), como é que pudeste fazer tamanho acto de vandalismo!? Ainda por cima Rodin é um do meus escultores favoritos! És mau - num goto de ti!

Publicado por: puta_madre em março 7, 2005 06:58 PM

ehehehe... provocação q.b. mas cá para mim a foto continua a parecer de chocolate!:)) É verdade que tanto se "alindam" os poemas que, por vezes, a partir de algo insignificante, se faz uma história de encantar. A realidade é muito mais crua do que alguma poesia a mostra. É suposto ser função da poesia despertar o sonho que a realidade não tem. Será mesmo essa a sua função principal? Beijinhos aos dois

Publicado por: lique em março 7, 2005 06:52 PM

Gostei...belíssimo texto na sua forma e na sua essência...hehe..
Olha
Então não é que preciso outra vez de um votozito teu?
Em http://peciscas.blogspot.com/
Para melhor nick...
Ontem fugiram-me os assessores, hoje sumiu a caixa de votos...
PLEASE...
Jinho, BShell

Publicado por: blueshell em março 7, 2005 06:35 PM

Lol...
Bem... a foto vai lindamente com o poema!... :)

Publicado por: sotavento em março 7, 2005 04:24 PM

"O poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor, que deveras sente..."
Fernando Pessoa

Um poema que faz parte do meu reportorio de Fado, desde o primeiro ano da minha humilde carreira...
Uma superior interpretação do mesmo, a nível plástico.

Publicado por: valeria em março 7, 2005 01:42 AM

Sátira aos poetas e a quem os lê:) Bela composição da imagem que parece mesmo o fim do poema:P Boa parceria, aliás, perfeita:)

Publicado por: wind em março 7, 2005 01:16 AM