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março 08, 2005

Mulher

mulher

(...)No dia 8 de Março de 1857, a luta travada pelas operárias têxteis de Nova Iorque pela redução do horário de trabalho, por melhores salários e condições de vida mais justas, transformou-se num marco importante. 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton pararam o seu trabalho, reivindicando o direito à jornada de 10 horas.

A polícia, a mando dos patrões, reprimiu-as violentamente, fazendo com que as operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos desta, juntamente com a polícia, trancaram-nas dentro da fábrica, uma indústria têxtil mal ventilada que ocupava os 3 últimos andares de um prédio de 10 andares e atearam-lhe fogo. O soalho coberto de materiais inflamáveis e de lixo que se amontoava por todos os cantos, sem saídas de incêndio, foi rapidamente pasto de um grande incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, a maior parte imigrantes judias e italianas.

Quando os bombeiros chegaram já 147 mulheres tinham morrido carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde saltavam, ao tentar escapar das chamas.(...)

Texto descaradamente roubado ao Zé Gomes do Movimentum e que pretende de algum modo enquadrar a composição fotográfica.

Como discordo totalmente da existência deste dia que, na minha opinião, só demonstra a quem pudesse ter dúvidas a discriminação sobre a mulher que perdura sob os nossos olhares condescendentes, aqui fica um poema com que me identifico:


Café e cigarro, computador ligado
E de repente fico com humor de animal em vias de extinção
Em todos os blogs: O dia internacional da mulher.
Hoje não haverá mulheres preteridas nos empregos... Porque são mulheres.
Hoje não haverá mulheres maltratadas... Porque são mulheres.
Hoje todas as mulheres se sentirão felizes...Porque são mulheres.
Hoje é, excepcionalmente dia da mulher
E todas as mulheres deviam sair para a rua
E celebrar hoje:
O dia do homem que inventou o dia da mulher.
E oferecer a cada um deles, em homenagem e protesto
Os símbolos, que nos outros dias do ano as representam:
Um avental, uma tábua de passar a ferro, um fogão.
Eu que sou mulher que não precisa de dias
Porque faço de todos os dias, meus
Eu que não preciso que um dia por ano
Homenageiem a minha condição de mulher
Eu, que acho que igualdade seria
Não haver, um dia excepcionalmente da mulher
Eu que acho o dia da mulher negativamente discriminatório
Fico com humor de animal em vias de extinção.
E acendendo um cigarro
Recuso-me a ler mais homenagens à mulher
E espero que ninguém tenha o azar,
De hoje, dia excepcionalmente da mulher
Me oferecer uma flor.

Poema da Encandescente

Publicado por ognid às março 8, 2005 12:38 AM

Comentários

Tal como tu sou contra o dia da mulher. Então para quê? Isso é um absurdo. Agora a tua foto está genial a "ilustrar" a brutalidade do que se passou na América, assim como o poema da encandescente está acutilante para este dia.

Publicado por: wind em março 9, 2005 07:10 PM

Excelente a tua foto e este poema da Encandescente, que subscrevo. Beijos para os dois :)

Publicado por: Betty em março 9, 2005 12:59 PM

LINDO tributo ao nivel da Imagem e Palavra a um dia que não é só festa. Fala-se de muita coisa que se esquece rapidamente depois! Mas... pelo menos fala-se uma vez!**

Publicado por: M.P. em março 8, 2005 11:07 PM

'Tá bem, a tua foto, a história da coisa e o belíssimo texto da Encandescente!... :)

Publicado por: sotavento em março 8, 2005 10:20 PM

Há muito tempo que venho olhar as fotos e ler o que os poetas dizem neste blog. Bela homenagem às mulheres que não querem Dia Internacional da Mulher! :)
Se queres conhecer uma outra "guerra dos sexos" vem saber a história da água quente e do gato escaldado. Espero-te por lá!

Publicado por: água quente em março 8, 2005 08:55 PM

Uma merecida homenagem à mulher....

Publicado por: polittikus em março 8, 2005 08:25 PM

Preciso comentar a foto? Está espectacular, claro. Mas agora deixa só que transcreva um bocadinho do poema da Encandescente
"Eu, que acho que igualdade seria
Não haver, um dia excepcionalmente da mulher"

O problema é o "seria"... Eu também não gosto de dias da Mulher, nem do gato, nem do cão, nem de ninguém considerado deficiente pela sua condição. E também considero uma hipocrisia que, neste dia, me ofereçam uma flor se todos os dias me discriminarem. É uma forma fácil de aliviar consciências. Mas... mas a igualdade real não existe, então façamos deste um dia de luta. E porque não dar-lhes em troca da rosa o avental, o fogão e talvez até fazer um discurso ao patrão que o obrigue a engolir a discriminação de um ano inteiro?
Este problema (como quase todos) tem dois lados. Tem o "eu não quero nem preciso de nada disto" e tem o daquelas que precisam que todos os anos, todos os dias se chame a atenção para isto.
Por isso eu deixo aqui um grande beijo e uma flor para a minha amiga Encandescente (mas fujo já antes que ela me atire a flor de volta!)

Publicado por: lique em março 8, 2005 06:32 PM

Trabalho fotográfico interessante!:)
Obrigada, pelos comentários no meu território.

Publicado por: objectiva3 em março 8, 2005 05:58 PM

Há muita mulher a sofrer no planeta. Não me basta olhar para o umbigo e dizer basto-me, enquanto houver quem não o possa por razões várias fazê-lo ainda.

Bjs Encadescente mas, desta vez, não concordo contigo.

O poema é bonito,claro.

:)

Publicado por: mão de vento em março 8, 2005 05:07 PM

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão

Beijos.

Bom dia da MULHER!

Publicado por: náufrago em março 8, 2005 03:38 PM

ora bem, que bom encontrar alguém que pensa como eu e que o sabe tansmitir de forma clara e objectiva. bj para a encandescente e pra ti tb ognid...

Publicado por: pandora em março 8, 2005 03:15 PM

Aproveito esta bela foto para homenagear a MULHER, neste dia que deverá lembrar as lutas travadas no passado por um conjunto de activistas que, a custo das suas vidas, tornaram possível olhar a mulher com respeito e com a consideração que merecem.
Foi na luta que a MULHER conseguiu os direitos de ser cidadã com os mesmos direitos e deveres do HOMEM.
Viva o 8 de Março, dia Internacional da Mulher.

Publicado por: josé gomes em março 8, 2005 12:33 PM