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março 12, 2005

Cântico sem esperança

cantico-1.jpg

Nos confins da raiva, de dentes cerrados
nas ânsias da angústia - prantos não chorados,
corre-se para a morte, que a esperança escasseia,
esquecidos ideais, dispersos na areia.

Caimos por fragas de fauces abertas,
olhos escancarados, nas almas desertas;
Sonhos de criança volteiam no ar,
e, descem connosco, ao fundo do mar.

Na treva adensada, em vigília dorida,
corpo extenuado da longa corrida,
erguemos às estrelas um lírio selvagem...

Desafiada a vida, esgotado o prazer,
sem norte nem sorte, que vamos fazer?
Ser mais outro vulto, de pé, na paisagem?

Poema de Manuel Filipe

Publicado por ognid às março 12, 2005 01:01 AM

Comentários

esquecida de mim
abraço o inferno
não tenho caminho
não tenho morada
nem país nem paz

nada apenas nada

abraço o inferno
tão bem conhecido
ponho água do mar
nas feridas abertas

é deus que não quer
dar-me as horas certas
ri-se às gargalhadas
relógio na mão

"compra um!" diz ele

e mal por mal eu:
abraço o inferno
que já era meu.

Publicado por: mão de vento em março 15, 2005 01:41 PM

Numa solidão enfrentando um mar assim infindo ouves o fragor dos teus pensamentos em ondas de picos agitados e lanças-te no profundo do teu coração que em mágoa grita: SOFRO! .. Ouvem-te as estrelas que se apressam a tornarem-se cadentes para te darem a hipótese de um desejo.. :)**

Publicado por: M.P. em março 13, 2005 10:49 PM

Porque há um tempo para tudo inclusivé para voltar. Porque podemos mudar algumas coisas mas seremos sempre os mesmos. Navego agora por outros mares. Talvez menos intimista mas continua a ser esta de mim.(e já tinha saudades)

Publicado por: lyra em março 13, 2005 07:00 PM

Porque me recordei de Fernando Pessoa, ao ler este Poema? Talvez porque ele esteja sempre presente em mim... Deixo-te este... "Encostei-me"... e fico por aqui...

"Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.
Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o
compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro."

(Poema de Álvaro de Campos)


Abraço :-)

Publicado por: Menina_marota em março 13, 2005 07:00 PM

deixo beijinho e letras:
"de tremulas pernas, mãos
e letras (todas)
a anunciação pela boca
em lábios pessego
e em noites de nata..."

Publicado por: Sónia em março 12, 2005 11:11 PM

Olá;
O Zecatelhado volta às visitas normais aos seus amigos após mudança de blogue.
Agora é www.tadechuva.weblog.com.pt.

Um bom fim de semana para esta casa e
Um Abração do

Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em março 12, 2005 07:51 PM

Meio postal e meio quadro a aguarela, gostei!
Good weekend! :)

Publicado por: objectiva3 em março 12, 2005 05:56 PM

Um grão de areia, somente. Mas numa das voltas do vento, de repente, recebe o sol!... :)

Publicado por: sotavento em março 12, 2005 02:46 PM

Poema de desilusão, mas a esperança é a última a morrer:) Foto linda a condizer com o poema. Bjs*

Publicado por: wind em março 12, 2005 02:04 PM

Até já sabes o que eu penso. Diz o povo e bem que "a esperança é a última a morrer". Temos angústias, desilusões, perdemos ideais, mas bem lá no fundo, há sempre uma réstea de esperança.
A foto está perfeita para o poema. Beijinhos

Publicado por: lique em março 12, 2005 01:40 PM

a esperança tb é assim. mas como diz o almada "não me abandones". bom post mó.

Publicado por: TCA em março 12, 2005 12:18 PM

Às vezes sentimo-nos assim...
Mas, não sei de onde, outra vez a esperança invade-nos!
Esta imagem é tão sentida... gostei muito!
beijo

Publicado por: lualil em março 12, 2005 12:12 PM