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abril 06, 2005
Penumbra

Hoje não sou cor, sou penumbra,
porque sombrios são os tempos
e aqui venho anunciar,
proclamando sentidamente,
a dispersão final do sonho,
que quebrou mas está lá,
como farol que se extinguiu,
mas que em noites de luar
ainda projecta a esguia sombra,
no prateado do mar...
Hoje venho contar do vento
gemido louco e sibilante
que canta à minha janela
como pulsar insistente
das marés por confrontar.
Assobia e rodopia, e tolhe
de espanto o silêncio,
torre esguia sem sustento,
como voz enlouquecida
que não fala, não sussurra,
não é a voz clara de alguém,
mas apenas um lamento,
triste, incolor e pungente.
Hoje não trago luzes
para iluminar o presente,
foscos estão os olhos de miopes
que acendem relampejos
falsos, de um brilho opaco,
rajadas frias de vento um clarão cego,
só estremecimento,
rasgando o algodão da noite.
Hoje só venho anunciar
que um barco também navega
mesmo num mar sem farol
e, levado pelo temporal
salta a linha do horizonte
vogando para o país sem nome,
onde a sede de emoção
se faz poema e voa.
Hoje venho anunciar que o sonho
ainda é ponte para a margem azul
da dor e que o dia não é luz,
a noite não é claridade e eu
não sou eu, mas uma sombra
sem contornos, um perfil na bruma
dos faróis, a luz que uma vaga maior,
por certo silenciou na mudança
das marés...
Poema roubado à LibeLua. Obrigado
Publicado por ognid às abril 6, 2005 10:17 AM
Comentários
Humm. Como eu gostava de estar nesse barquinho pequenino e enfrentar a tempestade.
Publicado por: johna em abril 8, 2005 01:09 PM
há tempos assim de penumbra. libelua parabéns pelo poema, uma maravilha. a foto ognid... como sempre
Publicado por: encandescente em abril 8, 2005 07:57 AM
Adorei a foto...em quadro. As palavras são muito bonitas também!
Jinhos
Publicado por: Blue em abril 7, 2005 10:32 PM
falta-me em ti, OGNID uma certa leveza. se calhar a que via a luz e sombra de lisboa e me fazia gostar desta cidade.
andas triste?
Bjs.
M
Publicado por: anti-memória em abril 7, 2005 12:40 PM
Dingo.. confesso!!!!
Esta catedral me deixa impressionada...
Simbiose perfeita de sons e imagens
Lindas...
Da sua amiga hj nômade..
que deixa beijos pra Lique, Lia, Encandescente,
Tca..Lena!!
saudades.. saudades..
Publicado por: Lu em abril 6, 2005 11:37 PM
Mas que antro este tão simpático! És um Ali Bá-Bá de objectiva em riste, oculto na penumbra das palvras alheias! E eu adorei o assalto, sobretudo porque fiquei a conhecer outros faróis para além do meu, onde a penumbar se instala por vezes em silêncio... Beijos e grata por esta colaboração inesperadamente inesperada.
Publicado por: LibeLua em abril 6, 2005 10:12 PM
Desta vez, não conseguiste esconder, vê-se perfeitamente onde tiraste a foto!... ;)
Publicado por: sotavento em abril 6, 2005 09:59 PM
um beijo Heroi...não ficas bem de cinzento...
Publicado por: Luna
em abril 6, 2005 09:25 PM
E muito bem roubado porque é lindo. Tal como o tratamento dado à foto
Abraço, amigo
Publicado por: Yardbird em abril 6, 2005 07:53 PM
Bela imagem, como sempre!
Bom poema.
Um gosto.
:)
Publicado por: anti-memória em abril 6, 2005 03:04 PM
Espectacular o conjunto poema/imagem.
:)
Publicado por: mad em abril 6, 2005 02:59 PM
a fotografia traduz o poema na pefeição. tb podia ser ao contrário. traduz tb a tristeza q cada um sente, de maneiras diferentes em alturas diferentes... o mesmo sentir. q passe e q venha sol com apenas uma leve aragem
Publicado por: TCA em abril 6, 2005 11:34 AM
Grande poema! Triste, mas bem construído. A foto sempre a condizer com o poema, para variar:) beijos
Publicado por: wind em abril 6, 2005 11:32 AM