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abril 13, 2005

Os fantasmas da cidade

sem-abrigo-1.jpg

Quando a cidade se esvazia
Das gentes que a alimentam e fazem crescer
Um exército de gente despojada, deserdada
Sai dos esconderijos diurnos
E deambula nas ruas desertas da cidade.
Os olhos acesos das lojas
Iluminam os olhos apagados dos fantasmas da cidade.
Putas baratas esperam clientes baratos.
Clandestinos, emigrantes do País e da vida
Procuram nas sobras dos outros
Os restos para sobreviver.
Corpos que fazem da droga e do álcool
Refugio e paraíso ziguezagueiam,
Cruzam-se,
Nas ruas da cidade.
Os passos das gentes fantasmas
Não ecoam na calçada
As suas vozes não se elevam.
São o lado oculto da noite
Vidas clandestinas
A face perversa da cidade.
Não ouves dentro de ti
As vozes dos fantasmas da cidade?

Poema da Encandescente

Publicado por ognid às abril 13, 2005 11:34 AM

Comentários


Arrepiante a imagem na sua verdade muda - despojos de vida, como tão bem marca a Encandescente. Só não gosto dos dois primeiros versos. Emitem um juízo moral. É que os fantasmas da noite existem porque de dia a cidade recebe os fantasmas diurnos que alimentam a máquina cega da produtividade e do capital. Mas isso é outra história. A verdade é que existem. Não importa em poesia explicar as razões. De qualquer modo complementaram-se brilhantemente. Parabéns aos dois.

Publicado por: LibeLua em abril 16, 2005 10:27 AM

Eu ontem não vim aqui. Hoje, depois da brincadeira do post do Benfica, olhei este com atenção. A marginalidade aqui focada é, como diz o Quimladen, bem real. Só que para a maior parte de nós, são fantasmas. Não os vemos. É como se não estivessem lá. E é isso que o poema da Encandescente diz. E o que a tua foto mostra. Beijinhos aos dois.

Publicado por: lique em abril 14, 2005 07:37 PM

Que foto incrível! E o poema tem a força a que a Encandescente já nos habituou. Gostei muito. Beijokas aos dois.

Publicado por: Betty em abril 14, 2005 04:07 PM

Um poema à medida da imagem. Ou será o contrário?
Sei que se trata, em ambos os casos, de ARTE!
Abraços.

Publicado por: nikonman em abril 14, 2005 03:35 PM

fantasmas?

marionetes caídas
da mão escorregadia
de barro fresco
com que o Artista
distraido, as fabricou.

Belíssima foto!

Beijo.

Publicado por: pés descalços em abril 14, 2005 12:20 PM

boa ilustração. belo poema. gostei. abraço

Publicado por: gato_escaldado em abril 14, 2005 11:20 AM

...no acesso à cidade do Porto, pelo Campo Alegre - irónico,não? - habita um ser solitário humano de nome. Tem a sua realidade fixa sob o vão de um viaduto...e por lá está em teimosia diferente, insistindo num sofá, resistindo à aparente insuportabilidade da vida...lá está, por lá permanece, teimosamente...

Ps.Muito especial a tua foto...
Morfeu

Publicado por: morfeu em abril 14, 2005 09:41 AM

O mal é que não são fantasmas.
São bem reais! E na minha opinião são face preversa, mas da sociedade!(de cada um de nós por mais que isso nos custe...ou não custe...)

Publicado por: qimladen em abril 13, 2005 11:36 PM

Tantos fantasmas não é? Tantos!

Publicado por: lyra em abril 13, 2005 06:22 PM

Um poema...forte. Ou não fosse de quem é :-)

Publicado por: Yardbird em abril 13, 2005 05:39 PM

"This love loves love..."

Beijinho grande


Publicado por: Sónia em abril 13, 2005 01:30 PM

Genial o poema da encandescente. Focou infelizmente tudo o que há do "outro lado". A foto está a par do poema. Belo post! bjs

Publicado por: wind em abril 13, 2005 01:09 PM