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abril 30, 2005

fronteira

nevoeiro.jpg


Acordou com a pressa de todos os dias.
Saiu com a pressa de todos os dias.
De todos os dias iguais.

Entrou no trânsito denso, lento.
Entrou na fila densa, lenta, dos carros habitáculo.
Olhou através dos vidros fechados, os rostos nos outros carros.
Fechando-se.
Perdendo singularidade, identidade, a cada quilómetro percorrido.

Os olhos nos carros, fixos na ponte que separava as duas margens.
Tornando-se, a cada quilómetro, impenetráveis.
Tornando-se, a cada quilómetro, iguais.
Rostos de todos os dias.

Olhou os pilares fronteira.
Estava ainda aquém da outra margem.

Cerrou os dedos no volante.
Fechou o rosto.
E, máscara impenetrável, atravessou a fronteira.
Entrou no nevoeiro.

Conto da Encandescente

Publicado por ognid às abril 30, 2005 04:02 PM

Comentários

A fronteira pode servir para ser passada ou para nos fechar. Esta parece-me mais das que nos fecham. A imagem é a "cara" do poema. Beijinhos

Publicado por: lique em maio 2, 2005 03:46 PM

Belo poema Bela foto. Bom post:) beijos

Publicado por: wind em maio 2, 2005 12:26 PM

Uma passagem para a outra margem...Gostei! :)

Publicado por: objectiva3 em maio 1, 2005 08:51 PM

Esse poema é soberbo e a tua foto complementa-o de forma divinal.
Um beijo aos dois

Publicado por: Lina em maio 1, 2005 06:19 PM

Poema como sempre Grandioso, a foto é tua isso basta-me. Beijo Heroito de mi curazon

Publicado por: Luna [TypeKey Profile Page] em maio 1, 2005 11:31 AM

Uma bela combinação de poema e foto. A constatação de um quotidiano sem horizontes. Beijos. Tem um bom domingo

Publicado por: agua quente em maio 1, 2005 11:09 AM


Rasgar um quotidiano passando para além da linha da realidade. Ou avançar corajosamente para a rotina branca que se sabe igual... Que requer mais de nós?
De novo a sintonia perfeita. Beijos e bom fim de semana aos dois.

Publicado por: LibeLua em abril 30, 2005 06:15 PM