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maio 10, 2005
palhacita

Corria, saltava...adormecia sob a lua. Encharcava solas de lama e radiava de cor na luz da pista entre gente...olhos...risos...Tantas pessoas!
Sentada entre os joelhos dele adormecia.
- Todos ficam velhos? n'é, vô?!
queria saber porquê...que o evidente de ser velho, depois de ser ela, ela sabia, mas e...?
- ...todos, vô?!
demorava no todos com um agudo e a voz quase sumia em grave, naquele "vô" interrogado.
Tudo era pouco - então... se...depois...
O avô sorria, ele sim todo, nas respostas.
Hoje aquela pergunta não tinha resposta. Ela era tão interrogada que virava afirmação da neta. O avô sorria um sorriso pendurado. Parecia quando se despedia do fim, mesmo do final do último número do circo - um sorriso pendurado do sono ou do amor aguardando.
Tentou uma resposta e saiu-lhe uma sinceridade.
- O avô não sabe! -
sentiu o sorriso cair para de dentro dele. Via isso nos olhos da neta.
Ela encostava a bola oca no nariz esborrachando, desalinhava os caracóis com a outra mão até ficar cabeleira de entrar em pista tal sua mãe fazia em seu cabelo depois de borrar pintura em olhos e traçar boca de longa, grande, vermelho.
O avô catucava na pergunta e sabia que não tinha A resposta.
Palhacita esfregava na manga de seu casaco os caracóis.
Lambuzava-lhe a mão grande numa quentura de lágrima. Uma longa lágrima. E outra. Mais uma. Parecia chuva em noite de estio.
Parecia que nem choro que borrava a tinta que a mãe lhe colocava.
Ele, avô, bem via que ela chorava sempre antes de fazer meninos chorar de a rir. Ele nem sabia, de por a ver chorar, a resposta à pergunta que ela fazia.
Ele agora debaixo do chorar ouvia:
- Avô, conta, diz-me.
E apertava o braço dele... rijo que nem trave na tenda grande.
-...as Palhacitas também envelhecem?...
Ele traduziu de pensar, para poder responder: "-...há Palhacitas velhas, avô?"

Sorriu e foi deslizando resposta com a mão nos caracóis e gaita nos beiços numa polca que a Palhacita salteava de alegre a cara toda já quase nada embaciada.
- Palhacita, dizia ele tocando, dança, canta, brinca, ri e faz rir... Grande a gente precisa tanto de ter nossa Palhacita...novinha aqui dentro e apontava tocando os pelos grandes embranquecidos do seu peito.
Ela dançava e ria... ria... ria.... E ria de gargalhar...
Conto da Seilá a quem agradeço esta parceria
Publicado por ognid às maio 10, 2005 08:24 PM
Comentários
sorri e enterneci-me e pensei com este conto da sei lá.a resposta como o avô é prudente calá-la
Publicado por: encandescente em maio 14, 2005 10:10 AM
Adorei as fotografias D. Lindasssssssss
Publicado por: LolaViola em maio 12, 2005 11:26 AM
Pois a Seila é a Seila... que é que se há-de fazer? É ler e suspirar... (só é pena dar-lhe assim uns amoques, isto aqui que ninguém nos ouve :)))
As fotos estão a preceito!! Isto hoje está parco de elogios que tenho que os repartir...
Beijinhos
Publicado por: lique em maio 11, 2005 09:16 PM
Divinamente contado!
A ilustração, nem sequer imagino que pudessem ser outras, tão apropriadas são!
Abraço aos dois ;-)
Publicado por: nina_marota em maio 11, 2005 12:36 PM
Belo conto, Seilá! :)
As fotos bem, que é que eu digo mais?´São tuas.
:)
Bjs.
Publicado por: anti-memória em maio 11, 2005 10:39 AM
Espectacular conto. Emocionante! Geniais as palavras a que já nos habituou, mas que sempre me surpreendem:) As fotos lindíssimas. Boa parceria num post perfeito:) Beijos para os dois
Publicado por: wind em maio 10, 2005 09:51 PM