« a brusca poesia da mulher amada (III) | Entrada | born to be wild »
agosto 09, 2005
os paraísos artificiais
Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.
O cântico das aves — não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.
Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.
A minha terra não é inefável.
A vida na minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.
Jorge de Sena
Publicado por ognid às agosto 9, 2005 09:50 PM
Comentários
Uma conjugação bem feita, entre a imagem e o poema do Jorge de Sena. Parabéns pelo seu blog. cumprimentos.
Publicado por: Maria do Céu em agosto 10, 2005 11:11 PM
De passagem, sem tempo, nem net, nem nada, mas deliciosamente em férias no sossego da aldeia, deixo um beijinho de saudade.
Publicado por: LibeLua em agosto 10, 2005 05:37 PM
Aqui, vai o "la la la" Mouro Mestre!
"LITTLE BOXES
Words and music by Malvina Reynolds
Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky tacky
Little boxes on the hillside,
Little boxes all the same,
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.
And the people in the houses
All went to the university
Where they were put in boxes
And they came out all the same
And there's doctors and lawyers
And business executives
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same.
And they all play on the golf course
And drink their martinis dry
And they all have pretty children
And the children go to school,
And the children go to summer camp
And then to the university
Where they are put in boxes
And they come out all the same.
And the boys go into business
And marry and raise a family
In boxes made of ticky tacky
And they all look just the same,
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same."
Words and music by Malvina Reynolds.
Copyright 1962, Schroder Music Company
Sinta-se de novo suavemente osculado nesta tarde cinzenta (LOL)
Publicado por: M.P. em agosto 10, 2005 02:47 PM
A "minha terra" está infelizmente a tornar-se na descrição que Jorge Sena faz da sua cidade! Isso incomoda e perturba. Tudo está a ficar como aquela canção Americana de há muito tempo "little boxes..." la la la! Não sei o resto!Mas depois venho cá dizer! Beijo
Publicado por: M.P. em agosto 10, 2005 09:43 AM
Magnífica conjugação entre a tua foto (que é como costuma ser e pronto), e o lado esquerdo do Jorge de Sena.
Quanto a mim o melhor ângulo deste Poeta muito bom mas em regra cerebral.
Até nisso Ognid és bom fotógrafo, apanhaste-lhe a alma. E não é fácil.
Já disse: magnífico post.
Beijos, Irmão.
Publicado por: rain-maker em agosto 9, 2005 11:47 PM
Grande e verdadeiro poema da cidade de betão que nos rodeia. A foto para variar muito boa, simbiótica com o poema. beijos
Publicado por: wind em agosto 9, 2005 10:46 PM
belissimo poema
xi
maria
Publicado por: maria em agosto 9, 2005 10:33 PM
Ora viva vocemecêa que se preocupa ca rua da cidade pela voz dele e pela sua imagem! Cada vez há menos terra, sim e...água! Abração, amigão.
Publicado por: seila em agosto 9, 2005 10:16 PM