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agosto 13, 2005
fala do velho do restelo ao astronauta
Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme
José Saramago in Os Poemas Possíveis
Publicado por ognid às agosto 13, 2005 12:05 AM
Comentários
c´[u
Publicado por: em maio 15, 2007 04:29 PM
Achei o poema aparentado por afinidade com uma música de Chico Buarque - Caros amigos. Gostei, muito!
Um abraço.
Publicado por: batista filho em agosto 14, 2005 03:50 AM
Já não lia este texto há imenso tempo. Obrigada por lembrares. Beijo, BShell
Publicado por: blueshell em agosto 13, 2005 11:25 PM
engraçado...quem postou (até agora) não aprecia saramago.O k não sendo bem o meu caso, pois k o leio, não sendo o meu escritor de eleição tem muitos pontos comuns. Poeta então pior.Mas,..., há smp um MAS:..este poema é adequado. Bom f.s. Bjs e;)
Publicado por: TMara em agosto 13, 2005 02:43 PM
Confesso que não gosto de José Saramago, mas achei este poema verdadeiro. Bela foto da lua e das nuvens que parecem o que o poeta descreve. beijos
Publicado por: wind em agosto 13, 2005 12:57 AM
Eu e a Lua...
Eu e esta Lua!
Grande sorriso. Bj.
(não se escandalizem, faço parte da excepção que pouco gosta de Saramago...)
Publicado por: rain-maker em agosto 13, 2005 12:14 AM