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setembro 15, 2005

evocando Bocage nos 240 anos do seu nascimento

Estando o autor na cela do seu amigo Fr. João de Pousafoles, e acontecendo apagar-se-lhe um cigarro, pediu lume, que ele recusou

Amigo Frei João, cuidas que é barro
O fumoso tabaco por que berro?
Um nigromante me transforme em perro,
Se há coisa para mim como o cigarro!

Ele me arranca pegajoso escarro,
Que nas fornalhas deste peito encerro;
O frio, as aflições de mim desterro,
Quando lhe lanço a mão, quando lhe agarro.

De vício tal, se é vício, não me corro,
E só tomo rapé, simonte ou esturro,
Quando quero zangar algum cachorro.

Amigo Frei João, não sejas burro;
Dize bem do cigarro; senão, morro;
Traze-me lume já ou dou-te um murro!

Bocage (1765-1805)

Publicado por ognid às setembro 15, 2005 03:42 PM

Comentários

Adorei o poema per si, a foto assim como as anteriores tá magnifica. Quando penso que não é possível fazeres melhor dada a qualidade que já atingiste voilá... :) Quanto ao não dizer mal do tabaco, mil perdões ao Bocage, a ti, a todos os fumadores mas só tenho motivos para odiar essa merda que dá lucros imorais a tabaqueiras e Estado e causa tanto sofrimento. Jinhos e vai dando notícias que eu prometo ir postando de quando em vez...

Publicado por: puta_madre em setembro 16, 2005 12:09 AM

Bocage foi um poeta multifacetado, quanto a mim o maior da lingua portuguesa. Poesia erotica, satirica, de intervenção social, lirica. Bocage escrevia de tudo e sobre tudo. libertino e libertário mas acima de tudo um homem livre, um espirito livre. Um homem maior.
um soneto dele sobre o que vejo nele: a liberdade.

Liberdade querida e suspirada

Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena;
Liberdade, a meus olhos mais serena,
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada;

Vem, oh deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, oh consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha;

Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos Céus és filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade

Publicado por: encandescente em setembro 15, 2005 10:03 PM

Excelente!

Bocage é um dos meus poetas preferidos e um dos maiores da Literatura Portuguesa.

//(~_~)\\ um beijo da Titas

(já foste'lá' espreitar' ? )
Agora até à hipnose recorri!

Publicado por: titas em setembro 15, 2005 09:35 PM

Pois... O Bocage é sempre asssim!! Quanto à foto... não comento! Pronto!
Aviso: Vou entrar em greve!
Já sabes porquê, ó Mouro descarado!
Beijo (apesar da fúria!)

Publicado por: M.P. em setembro 15, 2005 09:09 PM

Excelente e "ardente" cigarro.

:)

E que viva Bocage a sua Poesia e os seus vícios.

:)

Publicado por: pedra em setembro 15, 2005 07:51 PM

ehehheh, só Bocage para fazer um soneto assim:-) A foto está uma maravilha! beijos

Publicado por: wind em setembro 15, 2005 06:12 PM

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