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janeiro 16, 2006
poesia #9
Ó vós que lamentais de Elmano a sorte,
Crendo na escura terra o corpo frio
E os manes já sulcando o mudo rio,
Na barca imensa de geral transporte,
Sabei que o doce, inevitável corte
Lhe foge da existência ao ténue fio
E que seria em vós dever mais pio
Chorar-lhe a vida, que chorar-lhe a morte.
Existindo, agoniza um desgraçado;
Quem lágrimas nas cinzas lhe derrama,
Parece que o queria atormentado;
Vive, mas pela morte Elmano chama,
Com suspiros Elmano implora ao Fado
Que seja voz de agoiro a voz da fama.
Bocage
Publicado por ognid às janeiro 16, 2006 02:55 PM