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janeiro 17, 2006
poesia #10
Cena de rua
A mulher com o chapéu de chuva na mão
espera o autocarro que há-de vir; mesmo
que chova, o chapéu de chuva fica fechado;
chega o autocarro, e olha para o lado.
Está ali de manhã à noite, com o tempo a passar
sem ela dar por ele. Se lhe perguntarem porquê,
fala da chuva que está para cair; se a avisam
da chuva, fala do autocarro que vai chegar.
O mundo devia ser como a vida dessa mulher,
igual de manhã até à noite, sem razões para dar
- apesar do autocarro que não vai chegar,
a essa rua sem fim onde não pára de chover.
Nuno Júdice
Publicado por ognid às janeiro 17, 2006 02:30 PM