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janeiro 18, 2006
Regresso, agora...
Regresso, agora, ao tempo em que o rio
corria azul, como os meus dias,
e fixo, no céu trémulo de gaivotas,
o perfil negro e rigoroso dos navios.
Oh! Navios esquecidos, aviltados no lodo,
quem soltará as fatais amarras a que vos prenderam,
apodrecendo na mágoa,
pelos séculos, na mágoa, flutuando...
Estridências de sirenes,
soluços sincopados da máquina,
calem o marulho das vagas contra os cascos
que definham, perdidos, entre marés...
Buzinas de nevoeiro,
sinos de convés,
abafem o murmúrio sussurrado nas amuras
e sufoquem este silêncio, pródomo da morte!
Solidão nocturna, guardada no peito,
voa sobre o rio que esta lua envelheceu,
que o vento te leve, por entre ondas fosforecentes,
até te perderes no mar, coberta de cinza e prata.
Poema do Manuel Filipe
Publicado por ognid às janeiro 18, 2006 07:37 PM