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janeiro 19, 2006
Da revista Vértice #1
Estávamos no tempo das estrelas
e tu como eu éramos árvore
os ramos gestos só de liberdade
longe do pó que nasce nas cidades;
e tu eras o pão flor
música rio
sol poema
raiz terra
ponte necessária
Estávamos no tempo de construir caminhos
nesse país longínquo que habitávamos
- uma casa de amor em tua aldeia -
Aí pude falar do encontro das manhãs
que cresciam sobre a terra verde
nas asas livres das aves
o crepúsculo longamente adiado
e mesmo as noites eram feitas
de sorrisos.
Aí pude falar de terra
como palavra verdadeiramente nossa.
Um gesto sempre novo
em nossas mãos
a construir secretamente
o grande barco
do teu corpo e do meu
num oceano inventado.
Manuel Henrique Prior in Vértice nº 324 de Janeiro de 1971
Publicado por ognid às janeiro 19, 2006 02:44 PM
Comentários
" Aí pude falar....nas asas livres das aves..."
Belíssimo poema, meu querido Amigo Dionísio!
Parabéns para si e ao Autor.
Elucidativo e eloquente o contraste da imagem.
Um beijo de admiração e amizade da
Maria Mamede
Publicado por: Maria Mamede em janeiro 20, 2006 02:50 PM