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janeiro 21, 2006
Da revista Colóquio #1
Portugal
Do atlântico mar, nas suas praias
Desgrenhada e descalça uma figura
Senta-se ao pé das serras coroadas
Por um triste pinhal. Sobre os joelhos
Os cotovelos. Tem as mãos nas faces
E crava ansiosos olhos de leoa,
No pôr do sol, enquanto o mar entoa
Seu trágico cantar de maravilhas...
Fala de longes terras e de azares
Enquanto ela assenta nas espumas
Seus pés... e sonha com o fatal império
Que se perdeu nos tenebrosos mares
E olha como, entre agoureiras brumas
Se ergue Sebastião, rei do mistério...
Poema de Miguel de Unamuno, tradução de Domingos Monteiro in Colóquio nº 31 de Dezembro de 1964
Ora, vá-se lá saber porquê, o olhar de Unamuno sobre o nosso país lembrou-me de imediato esta imagem e este poema da Encandescente que vi ontem à noite:
Espelho meu, espelho meu...
Por razões que não interessam à história
D. Sebastião ficou de vir
Será que se veio?
Dos areais da mourama
Do ardor da contenda
Do grito guerreiro (ou brejeiro?):
“Ai que é moiro, ai que o mato”
Não ficou registo ou relato.
Foi em Alcácer Quibir
Que D. Sebastião
Esquecendo-se de vir
Nasceu Messias
Salvador
E adiado.
Enfim, estranhas ligações que me vêem à cabeça...
Publicado por ognid às janeiro 21, 2006 03:12 PM