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janeiro 26, 2006
A caligrafia do sexo...
Passamos o caudaloso rio como se a corrente
Fosse sereno magma e o leite em que as vestais
Mergulham em banhos de incenso e pétalas.
Ou cativos bebêssemos o vinho tépido dos restos
Do banquete. Migalhas. Ou inútil oração de anjos
Fossemos. Ou festim de demónios vencidos...
E no entanto amamos sôfregos de amores.
Por vezes fingidos na melancolia das tardes
Antes de anoitecer.
E redimimos as palavras.
No corpo da mulher como absolutos beijos
Sem futuro. E por isso tão ternos e tão reais.
E na ascentral pulsão de antigos donos
(Oficiantes de um tempo indelével na memória)
Escrevemos a caligrafia do sexo na ponta
De nós mesmos...
Poema do Romeiro
Trabalho sobre foto de Howard Schatz
Publicado por ognid às janeiro 26, 2006 08:24 PM