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fevereiro 21, 2006
A falsa suicida

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Ofélia, rapariga porno, fala de dentro de uma cabine de peep-show.
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OFÉLIA
Nós, as mulheres nuas somos como os mortos. Ninguém consegue deixar de nos olhar. Que terão os nossos mamilos e o monte peludo do nosso ventre? Que coisa fatídica. Irremediável. Que pestilência. E que terão os olhos que olham, olham. Se não estou morta não tenho outro remédio senão estar nua. Estou nua porque não estou morta. Naquele dia estava prestes a matar-me e sem cuequinhas. Sem cuequinhas. Foi aí que comecei a trabalhar. Todas as cabecinhas a olharem para mim. Exactamente como agora. Cabecinhas. Uma moeda, outra, outra, outra, olha para mim, masturba-te, mete moedas até que fique nua de tudo e tu fiques com a mão suja, olha para mim, masturba-te, olha-me nua para que perca a vergonha quando entrar na sala de autópsias.
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Angélica Liddell - A falsa suicida - Edições do buraco, 2005 - Fotografia da capa de Mariana Castro
Um agradecimento especial ao Alberto Augusto Miranda por me dar a conhecer esta autora e esta fantástica fotógrafa.
Publicado por ognid às fevereiro 21, 2006 04:07 PM