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fevereiro 22, 2006

poesia #26

Miguel Torga

Lápide

Quando eu morrer e tu ficares sozinha,
longe do bafo quente do meu corpo,
tu, a quem eu amei, sei lá por vingança
de Deus,
nessa hora,
olha serenamente a nossa história inútil
e chora...

Rega de pura mágoa a flor do «nunca mais»
(sequer ao menos a flor do «nunca mais»)
e depois morde o chão seivado e semeado
do místico perfume do meu sexo
sepultado...

Miguel Torga - Lápide

Publicado por ognid às fevereiro 22, 2006 03:21 PM

Comentários

O "meu" Poeta preferido... não me canso de o ler... nunca!!

Beijo

Publicado por: Menina_marota em fevereiro 23, 2006 02:09 PM

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