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março 30, 2006
No shopping...

Vou ao centro comercial ao fim de semana, forçado como sempre. Detesto centros comerciais, detesto a fauna que frequenta centros comerciais ao fim de semana.
Todas as Marias e os Manéis do país, acompanhados da respectiva prole, se deslocam para os novos templos do fim de semana. Mesmo sem dinheiro para mandar cantar um cego é para lá que vão. E olham, boca aberta, língua caída e baba a escorrer, para as montras onde, indiferentes, estão todas aquelas maravilhas que não podem nem nunca poderão comprar: os televisores lcd, as aparelhagens hi-fi, os vestidos lindos, os relógios de grandes marcas. Seguem então para o hiper abastecer-se com aquele mínimo de coisas que necessitam para manter a casa e, inevitavelmente, ainda se abarbatam com mais uma série de merdas que não necessitam mas que a promoção da semana torna indispensáveis – Ó Maria olha lá aquelas chaves de parafusos tão baratas. Vou comprar, estou mesmo a precisar delas, diz o Manel que já tem cinquenta iguais em casa e às quais quase não dá uso. A Maria diz-lhe precisamente isso, discutem, mas ele leva a dele avante. Ela por sua vez encontra os sapatos da sua vida a um preço imbatível e quer comprar e o Manel refila porque ela já tem uns vinte e não precisa de mais nenhuns. Mas a Maria leva a sua avante e compra. A prole, por seu lado, acabou de encontrar os últimos jogos para a PS2 e em grande berraria exige que os pais os comprem. Não têm sorte nenhuma e tudo o que ganham é um par de estaladas e a promessa de mais umas quantas se não se calarem. Na caixa quando estão a pagar a menina diz – desculpe, mas o saldo da sua conta não chega – e lá retiram alguns artigos essenciais das compras, as chaves de parafusos e os sapatos é que não, são mesmo necessários, para que o saldo do cartão Multibanco chegue. Saem do hiper completamente tesos, dão uma última vista às montras das lojas que ficam no caminho para a saída – ai aquele telemóvel Maria, aquilo sim era bom para mim, diz o Manel mirando guloso um Nokia topo de gama, o Manel que nem no dele, o mais básico, sabe usar metade das funções que aquilo tem – e, felizes por uma tarde bem passada, dirigem-se para o carro que compraram em suaves prestações que lhes reduziram o rendimento mensal a metade, arrumam as compras e seguem para casa num qualquer dormitório com a prole amuada no banco traseiro do veículo.
Entretanto eu sigo para o hiper, olho invejoso nas montras com artigos que não posso comprar…
Ognid
Publicado por ognid às março 30, 2006 08:00 PM
Comentários
optimo blog!
Publicado por: em março 30, 2006 10:04 PM