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julho 31, 2006

Equinócio

No horizonte enegrecido do poente
sopra o hálito morno do equinócio...

Sentado, algures num cais,
(algures em mim)
ao fim da tarde,
vejo desfilar com a maré
os despojos iníquos da cidade.

Odores de algas podres
peixe seco,
tédio antigo,
desfilam com a maré.

O indecifrável,
o que já está,
o que não é,
o que será,
desfilam com a maré.

Guindastes-sentinelas,
perfilam-se em contra luz à beira-rio.
Horas tensas, barco que ainda não partiu,
esperanças vagas, enfunadas como velas...

Manuel Filipe

Publicado por ognid às julho 31, 2006 12:12 PM

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