« outubro 2004 | Entrada | dezembro 2004 »

novembro 30, 2004

Formas sem forma

formas sem forma

O que me dói

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caissem suas folhas
Entre o vestigio e a bruma.

Fernando Pessoa

Lmatta

Do amigo OrCa chega o seguinte:

historinha com moinho

Segreda o vento ao metal:
Vem daí voar comigo
E verás onde nasce o tempo
Ou porque cresce sem quereres
Esse teu fundo lamento

E o metal quis voar
Abriu os braços quais velas
Sonhou altos mares
Estrelas
E ali ficou a rodar...

A Seilá por sua vez:

fiozinho de lua em crescente
ainda o sol te prateia uma pequena parte
ainda tu escondes o doirado de lua toda iluminda
lua cheia
ainda te fica sempre a zona escura
a face que o sol não ilumina
e brilha e brilha e brilha
de outros sóis ela sempre ilumina!

O temporal passou por aqui com poema pelo meio:

[tela e horizontes]
a tela que pintas em horizontes
nos olhos em beleza
de palavras, maresias e fontes
olhar que voa em alma e alento
teu quadro pintado
tesouro no meu pensamento
© biquinha

E a Luna também deixou estas palavras ;) :

hoje doi-me a paixão
doi o não poder dar lhe forma
doi o assentir que não tem formas
a unica forma é sem forma
e doi não poder dar lhe corpo
dou lhe o corpo
dou lhe o pensar
dou lhe tudo
mas e a forma....

Oração das 12:02 AM | Comentários (49)

novembro 28, 2004

Parabéns Pandora!

baloes-pandora-1.jpg

Parabéns "menina mulher Sagitário" Pandora!!! Beijos grandes!

Oração das 12:16 AM | Comentários (17)

novembro 26, 2004

Ruy Belo - Atropelamento Mortal

lago-ribeiras-1.jpg

Esta foto serviu de ilustração a um belíssimo poema de Ruy Belo - Atropelamento Mortal - que a Maria Branco publicou no Cumplicidades e que recomendamos vivamente a leitura.

Aqui fica também a sugestão alternativa do OrCa para acompanhar esta fotografia:

A vida é um traço que faço num passo gizado dos dias
A vida é o que eu faço no passo-compasso no laço dos dias
E quando parece que nada acontece por melancolias
Mesmo que eu não saiba descobrir-lhe o nexo
Há um reflexo simétrico e simples
Que segue a meu lado
E sou eu que o faço
No espelho de água desse doce enlace
De que é feita a vida.

Oração das 11:25 PM | Comentários (22)

novembro 25, 2004

Fonte de fogo, fonte de gelo

fonte-fogo-1.jpg

fonte-gelo-1.jpg

As palavras da são purificadoras:

É bonito ver austeros e firmes cumes,
Tais quais estáveis forças telúricas,
Dançarem ao fogo e ao vento
Como que de forças isento
as energias que emanam de nós.
O Revelador e o estabilizador.
Quando as coisas chovem ou incendeiam
quebram paradigmas
e constroem energias para as novas metas.
Destruição - Purifica
Reconstrução - Renova
E é assim quando as coisas,
Pessoas e almas
Incendeiam.
Chovem.
Precipitam.
Epifanizam.
Limpam.
Religam.
E religa à mutação que nos envolve
E precipita a chuva precipitadamente.
Chovendo ao redor dessa epifania metamórfica.
E chove
E chove
E chove...

Oração das 11:42 AM | Comentários (36)

novembro 23, 2004

Praça da Ribeira - II

varina-12.jpg

pessoas-1.jpg

pescadores-6.jpg

geral-4.jpg

pescadores-14.jpg

geral-3.jpg

De novo rebuscando no baú, encontrámos mais algumas fotos feitas em 1975 na Praça da Ribeira. Pessoas, hábitos e gestos que desapareceram de vez da nossa Lisboa.

É belo o poema do OrCa:

São por vezes sonhos lavrados nas mãos
Ou vincos que o tempo sulca num olhar
Um xaile a encobrir do frio a razão
De já não querer ir
Sem saber ficar

E as aves velam na manhã cinzenta
Porque a faina manda
E o tempo tarda
E o barco lá vai contra essa corrente
P'ra que a mão se firme e o coração arda...

E que dizer do poema da Seilá:

eu disse
escrevi hoje...
eu tenho saudades
não disse... dos antes
aqui retratados
mas digo...acrescento
eu tenho saudades
também destes antes

a lota do cais
o peixe saltando
os barcos o cheiro
a gentes gritando
o peixe miudo arrematado
"doxões....cincoxões"
"chuiiiiiii"
um saco de bogas
mais uns carapaus
uma mãcheinha
de fresca sardinha

eu disse saudades...

Do temporal veio o seguinte:

[partida]

a manhã
era calma, fresca
o cantar das ondas nas rochas
era a única melodia
sentado numa pedra
dava largas á poesia
cheia de cores e maravilhas
quando dei por mim
estava junto de tristes mulheres
e crianças, olhando os barcos partirem
a manha perdera o seu brilho e beleza
numa pedra assisti á partida, ao sofrimento
oh, barco! levaste sofrimento
deixaste sofrimento
o cheiro da tarde, quente, chegou
chegou para secar as lágrimas
das pobres mulheres
numa pedra senti tristeza
numa pedra olhei essas simples mulheres
de mãos sujas de sal e ombros
queimados do trabalho
oh, barco! levaste sofrimento
deixaste sofrimento

© 1980 biquinha

Oração das 12:13 AM | Comentários (52)

novembro 22, 2004

Carta a um filho

parabens.jpg

Ricardo

Não te pergunto se estás bem, pois sei que estás, sinto-o.

Como há sempre uma primeira vez na vida, venho dar-te os parabéns.

Vinte e seis anos. Já se passou tanto tempo mas tenho a impressão que não. Tenho às vezes aqueles flashes - recordações de ti pequenino vestido de amarelo clarinho. De te ir fazer visitas curtas, aquelas que eu podia… e recordo-me tanto e tanto.

Quando te tive de deixar na Cruz Vermelha tive uma dor que não consigo sequer explicar ou descrever. E pensei “COMO HÁ MÃES QUE OS ABANDONAM? “ Não sei. Só sei que parecia que alguma parte de mim tinha ficado naquela clínica, que o cordão ainda não estava totalmente cortado.

Quando naquela noite o telefone tocou e a tua Avó foi atender tive, não sei porquê nem como, um aperto, uma dor. Soube o que se tinha passado.

A família e os amigos, para que me sentisse melhor disseram-me milhões de vezes que passaria, que era melhor assim, que isto e que aquilo. Mas não é isso que se quer ouvir numa situação como aquela. Naquela situação não se quer ouvir nada. Não se aceita esse tipo de opiniões, mesmo que, mais tarde, reconheçamos que estavam certas nalgumas coisas. Mas a dor, essa nunca passa e aí as pessoas estavam erradas.

Sei que, nalgum tempo e nalgum lugar, nos iremos encontrar todos.

Beijinhos.

Mãe

Oração das 12:18 AM

novembro 19, 2004

Coisas do mar - I

coisas-mar-1.jpg

coisas-mar-2.jpg

O poema do OrCa:

Concha a concha
Borda a areia
Onda que vai
Onda volta
Tanto azul que nem é céu
Tanto vermelho-revolta
Tanto o mar que se perdeu
Concha a concha
Em mar envolta
Tanta vontade de mar
Tanto mar à nossa volta.

Oração das 06:34 PM | Comentários (30)

novembro 17, 2004

A tenda dos brinquedos

brinquedos

Diz a amiga Seilá:

adoro tudo que seja brinquedo! e esta foto/desenho está...
um quarto de brincar
depois da brincadeira ...
um montão de despojos
assim...
a vida inteira...
e o menino onde está?!!!
foi brincar outra lide
não arruma brinquedos
e suja sempre o bibe!
que lindo e que saudade
um chão de quarto assim..
todo (des) ARRUMADO!!

A Lique, que é da casa :), por sua vez diz que:

Brinquedos espalhados
em cores de brincar
azul pr'ó menino
rosa pr'á menina
Sobejam as cores
à margem da tenda
salpicam o chão
invadem o olhar.

Do Espectro #999 recebemos este poema, via e-mail, que agradecemos. Aproveitamos para recomendar uma visita ao blog dele porque vale a pena verem a difícil arte ASCII que ele lá expõe:

Ao entrarem naquela tenda
Todas as crianças
Afastavam seus medos
Pois, na tenda dos brinquedos
Havia espaço para alianças
Em formato de prenda.

O nosso OrCa também nos deixou mais uma das suas rimas:

Brinco eu,
Brincas comigo?
De brincar pela vida fora,
Ontem brincava contigo
Como vou brincar agora?
Vem
Amigo de brincar
Que se não brincas também
Eu não brinco ou brincarei
Não se me dá de brincar.

Oração das 05:42 PM | Comentários (50)

Flores - IV

flores

O amigo OrCa diz o seguinte:

Como eu gosto de me ver assim
Às flores exposto
E as cores sem fim
Quase as sinto em mim
Espelham-me o rosto...

Oração das 05:38 PM | Comentários (18)

novembro 15, 2004

Não há castigo infinito...

ondas-1.jpg

Por vezes há coisas de que só tomamos consciência, embora já tivessemos conhecimento delas, quando toda a sua verdade e dimensão nos rebentam em cima com a força da onda que explode ao bater no rochedo. E ficamos chocados com toda a brutalidade da verdade.

refluxo-1.jpg

Mas, quando as ondas do choque começam a diminuir e a onda entra em refluxo, sabemos que o consciencializar da verdade nos acalmou e nos deixou começar a antever brilho e suavidade no futuro. Pediste um post com sol e brilho. Não será exactamente isso mas penso que se adequa ao que sentes :-)

Daqui, de alguém que nos é muito querido, veio este esta extraordinária lição de vida, que parece ter sido feito de encomenda:

"Não há castigo infinito. Não há dor infinita.
Um dia a gente termina para começar,
começa para terminar,
refaz o percurso como se nada tivesse acontecido antes.
Deixe-me apenas uma cadeira de palha,
amarela,
para olhar com piedade o que fui
e me deslumbrar com as ruínas"

Carpinejar.

Oração das 03:39 PM | Comentários (41)

Frodo fracassou

frodo_fracassou

Esta imagem não é nossa. E pedimos desculpa aos seus autores mas demos a palmada nela já há uns dias e, a idade não perdoa, esquecemos por completo de onde. Mas como a achamos de uma imaginação extraordinária aqui a publicamos. Com a devida vénia aos autores.

Oração das 03:32 PM | Comentários (4)

novembro 12, 2004

Flores - III

flores

flores

O 5º elemento deixou-nos este poema, que agradecemos com um abraço:

{ ...

(hoje) de azul*
por mais que a tente colorir
minha alma
manifestar-se (hoje) de azul*
© biquinha

*o azul (lilás) [da tua alma]

... }

E o OrCa deixou-nos mais este, com vénia ao 5º elemento :) :

Brácteas
Flores lacrimais
De violeta ao azul
Buganvílias de sinais...

Como se está bem aqui
Sempre tão perto do mar
Sempre tão perto do sul.

Oração das 06:00 PM | Comentários (27)

Parabéns Dora!

dora

A Dora fez anos no dia 10 e queixou-se, com alguma razão (mas não toda porque era difícil adivinhar :-)), que ninguém lhe dava prendas aqui na net. Como o prometido é devido, aqui está a nossa prenda que vai acompanhada por um beijo de parabéns enorme.

A prenda do OrCa

À Dora, com beijos:

Pelo céu que te ilumina
De estrelícias que te gritam
Faz-te vento
Sê menina
Em cada hora e momento
Dá-nos de ti radiante
As estrelas que em ti ficam.

Oração das 04:38 PM | Comentários (14)

novembro 11, 2004

Parabéns Golfinho!!!

golfinho

Só hoje (ontem) soubemos que tinhas feito anos no dia 9 e apenas por causa daquela extraordinária prenda que a Roxy te deu. Não te podíamos dar uma do mesmo género... e assim, olha, arranjou-se isto. A Lmatta bem dizia que conhecia dois ;) agora apareceram três, nem menos. Assim ficas mais bem acompanhado :). Parabéns Golfinho!

Oração das 01:10 AM | Comentários (19)

novembro 09, 2004

Azeitonas

azeitona-1.jpg

azeitona-3.jpg

azeitona-2.jpg

Apenas para recordar com alguma saudade tempos antigos.

O OrCa mandou-nos esta "legenda", especialmente bonita, que agradecemos:

Negro fruto que ilumina
Feito azeite
Luz na mina
Dá gosto ao pão
Cor à vida
Aninhado em nossa mão

Verde oliva que o bico
da alva pomba nos traz
Verde rama de oliveira
Verde-esperança
cor de paz.

Oração das 05:05 PM | Comentários (25)

novembro 07, 2004

O tocador de acordeão

tocador-acordeao-1.jpg

tocador-acordeao-2.jpg

A Sara deixou-nos este poema que agradecemos:

Vai-se a fome
brilha o dia
foge a dor
adormentada
aumenta a nota
e a toada
os harmónicos amplexos
beijam a praça
desnudada
abre-se o fole em esperança
ao som do tinir simples
de uma moeda
por mão distraída
ali deixada...

E o OrCa também nos honrou com mais esta "legenda":

Do pedinte, do acordeão e do seu cão

Saltam as notas do acordeão raivosas
E sobem aos céus em preces de pão
E o cão por lá fica a guardar misérias
E o que mais espanta
O que nos consola
É que nunca uive aquele acordeão.

Oração das 12:07 AM | Comentários (29)

Banco de jardim - II

banco-jardim com gato

O OrCa passou por aqui e deixou-nos isto:

Um gato enrola-se no Sol que há no banco
No doce abandono da madeira tépida
E nem o assusta aquele lugar vago
Que os homens criaram para si no jardim
Um gato quer Sol
Está ali calor
E ali ele se deita...
Que um gato é assim!

Oração das 12:04 AM | Comentários (9)

Banco de jardim - I

banco-jardim

Oração das 12:01 AM | Comentários (6)

novembro 05, 2004

Amiga

amiga

Há pessoas que entram de repente, inesperadamente, nas nossas vidas, convivem connosco algum tempo e depois partem deixando marcas profundas. Tu foste/és uma delas. A tua presença entre nós com o teu espírito vivo, partilhando as tuas tristezas e as tuas alegrias, oferecendo-nos a tua amizade, marcou-nos para sempre. Já te dissemos, ficaste com lugar cativo nos nossos corações. Passaste a ser Amiga e parte da nossa família "alargada". Tudo de bom para ti!

Oração das 12:32 AM | Comentários (24)

Para o OrCa, com amizade

orca

"Olha ali o OrCa, olha!", dizia ela. "Mas tu não estás a ver? Olha ele ali em cima!", continuava. E ele, a conduzir, não podia olhar com a atenção que ela requeria. "Ai, devia tirar uma fotografia! A máquina, onde é que ela está?", perguntava ela começando a abrir o saco da dita cuja. "Porra, a m.... da máquina nunca mais abre! E o OrCa está-se a desfazer!", vociferava. "Realmente está a perder o formato", pensou ele. "A máquina não foca!!! M....!!! Pronto, já tirei uma... duas... ". E, assim, lá tirou algumas fotos à OrCa nas nuvens, das quais escolhemos esta, por nos parecer aquela em que o estado de decomposição :) estava menos adiantado. Jorge, esperamos que gostes. Beijinho e abraço.

Oração das 12:18 AM | Comentários (14)

Auto-retrato

Almoço em Mação

Havia, da parte de alguns, curiosidade em conhecer a nossa imagem. Para os satisfazer fizemos um auto-retrato neste fim-de-semana, numa paragem para almoço em Mação. Estamos muito favorecidos, não estamos?

Oração das 12:13 AM | Comentários (18)

novembro 03, 2004

No fim de semana dos Santos

nevoeiro-envendos-1.jpg

Viemo-nos embora envoltos nos mistérios do nevoeiro.

teia-envendos-1.jpg

Constatamos que nem a humidade justifica uma tal proliferação de teias de aranha. Há-as por todo o lado. Enormes, cobrindo plantas inteiras, como esta. Estamos a ser invadidos.

sementes-1.jpg

Encontram-se preparativos para renovação.

arvore-vermelha-1.jpg

O Outono continua a sua marcha, apresentando estas cores fantásticas.

feijão lindo

Não podíamos deixar de ir a Mação à Feira dos Santos. Afinal é uma tradição de muitos anos. Os frutos secos, as leguminosas os cereais são, para nós, a maior atracção- Para além, claro, do feijão lindo.

ribeira-eiras-1.jpg

A humidade que essa chuva cria permite o aparecimento destes e de muitos outros lindos e perigosos fungos.

ribeira-depois-cheia-1.jpg

Neste fim de semana comprido dos Santos, das Bruxas e dos Finados, fomos até à Beira Baixa. Vimos que tinha chovido com abundância. As marcas eram evidentes.

A "legenda" do OrCa:

Das imagens do Outono colho o tom das neblinas
E os gritos no abandono de texturas cristalinas
Sinto regatos e fontes e predadores emboscados
Calcorreando os montes
Os fraguedos
Os silvados
Sei o dourado dos caules dobrados sob a geada
E a neve descendo aos vales de brancura amortalhada
Mas ouço os mais belos sons que vestem a natureza
Verdes mil de verdes tons
E vermelhos de certeza.

Jorge Castro

Oração das 02:14 AM | Comentários (40)