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janeiro 31, 2005

Eco

tempestade

Se eu gritar ouves o meu grito?
Ouves até ao fim
Mesmo que ouvindo te doa
Te perfure os tímpanos, te atravesse
Como me atravessa a mim?
Guardas o meu grito?
Lembrar-te-ás um dia
Quando já não me ouvires,
Quando eu for só memória,
Quando o grito ecoar longínquo
Como trovão que ainda ribomba
Mas já passou,
Quando o grito for só sussurro
Lembrar-te-ás quem o gritou?

Poema da Encandescente

Publicado originalmente no Erotismo na Cidade


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Da Náufrago:

mataram-me o sonho
o céu ensombrou
nem sobrou o rasto
da menina loira
que um dia brincou

mataram-me o sonho
e o dia gelou
a velha cidade
perdeu-se no longe
a terra secou

mataram-me o sonho
a filha que tinha
alguém m'a roubou
meu ventre rasgado
ao ventre da terra
de vez se ligou.

mataram-me o sonho
maldito maldito
seja quem matou!

Da Vivian:

Ao amanhecer Senhor
Posso te sentir,
Posso te tocar,
Posso te ouvir...

Te sinto,
Na suave brisa da manhã.
Te toco, nas mais belas flores do jardim.
Te escuto,
No maravilhoso canto dos pássaros.

E assim me deslumbro com o dia
Me enrradio com os raios da noite
Em tudo vendo a tua mão
Em tudo vendo o teu poder
Não existe Deus igual a ti
A ti devo todo o meu viver.

Do 5ºelemento:
{ ...

[ecos]
ondas prateadas,
ecos circulares,
anéis de jade,
doridos… ei-los!
lembram-me beijos d’oiro
© 1991 biquinha

... }

Da M.P.

De mim
qual prece
gritos
clamores
pedidos pungentes
gemidos incontidos
sobem aos Céus
perfurando núvens
em ânsia extática
de Luz
de Paz
em mim.

Oração das 01:15 AM | | Comentários (14)

janeiro 29, 2005

De novo a rua...

nocturno baixa

De novo a rua...
Desperta livre, em mim, sangue vadio,
corro vielas, respiro o rio,
falta-me a noite,
vivo a Lua!

É preciso esquecer, por mais que custe,
Rebentar de esquecimento!
Tragar a taça do veneno num momento,
sacudir o desengano e o embuste!

Esgotemos então o fel da amargura
e deixemos morrer a primavera...
Para quê ficar a vida à espera,
se o sonho está morto e não perdura...

E, por isso, bebamos companheiros!
Ao funeral dos ideais com que vivemos,
aos grandes projectos que perdemos,
aos miseráveis, aos amigos verdadeiros!

Manuel Filipe

Ao som (alto) de Jimi Hendrix - Voodoo Child - Woodstock 1969 e dedicado a alguns amigos verdadeiros que nem preciso nomear porque eles sabem quem são. Obrigado.


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Do OrCa:

A rua colhe o rasto dos passantes
E na noite
Ao céu repleto de estrelas
Divisadas só nos becos mais escuros
Na calçada apercebo cada passo
Desenhado à procura de um abraço
De brindar à solidão
Que a todos une.

Oração das 01:59 PM | | Comentários (14)

janeiro 27, 2005

방법이 궁금합니다

flores


외부에서 ISA내부 클라이언트의 넷미팅을 접속하기 위한
방법이 궁금합니다.
(기술 자료를 찾아 봤는데 없네요...)
답변 부탁드립니다.



Poema da autoria de Maria Branco a quem agradeço do fundo do coração estas maravilhosas palavras.

Nota: Dado o texto ser em japonês e nem todos terem os caracteres pode acontecer apenas verem quadrados :( algo em que não pensámos antes


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Da Náufrago:

branco mancha rosa
aroxeado verde
manhã de minha sede.

Do OrCa:

Ao de leve traço um traço
Neste papel de embaraço
Ai-ai, que me falta o espaço
Onde me sobra o abraço...
Atrás do traço outro vem
Traço assim só fará quem
Domine esse traço bem
Fazendo do ai-ai também
Um hai-kay que Branco tem
E que me caiu tão bem
De manhã no meu regaço.

Da Seilá:

aos qudradinhos na fique
vejo os caracteres buédabem
fico é olhar para os riscos
"chinês logo de manhã?!"
e sai-me desalvorada
um riso, uma gragalhada
"estará a dizer amor
ou a mandar-me á fava?"

Oração das 10:10 PM | | Comentários (24)

janeiro 25, 2005

Imagens e poemas pequenos de pessoas pequenas

plumas

plumas

O azul transparente do rio,
A leveza da nuvem/algodão que flutua,
A beleza da flor domada
Deixo para os outros,
Que falam disso bem melhor que eu.
Eu dou o outro lado.
O rio revolto, a nuvem carregada,
A flor única, a rocha infecunda.
Exorcizo-me em tentativas de poemas,
Construo espanta-espíritos de palavras,
Desnudo-me em frases incompletas,
Poemas pequenos de pessoa pequena.

Não sei fazer rendilhados de palavras,
Tecer poemas perfeitos,
Usar figuras de estilo,
Metáforas, métrica e rima.
O que sei é isto,
fazer das palavras um "vade retro",
Ousadia, provocação, amor, luta
E acabar assim cansada,
Vazia, desfeita
Como se tivesse sido desbravada,
Vencido uma batalha,
Ou acabado de fazer amor.

Poema da Encandescente a quem agradeço esta preciosa ajuda num dia em que as palavras fugiram de mim.

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Da Náufrago:

pequena é a semente
e faz o pão

pequena é a criança
e faz a humanidade

pequena é
muitas vezes, a esperança
e tem razão

será pequena a arte
que faz de ti gigante?

não.

Oração das 11:26 PM | | Comentários (15)

janeiro 23, 2005

Lisboa e Tejo e tudo

ponte vasco da gama

areeiro tejo

(...)
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
(...)
Álvaro de Campos - Lisbon Revisited

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Da M.P.:

Em folha
alva
pálida
o Artista
desenha
memória
a lápis
certeiro
linear
cinzento
rio
ponte
horizonte
Lisboa
saudade
persistente
de Viver
ausente.

Do OrCa:

Fazem-se pontes tão longas
Sobre rios tão serenos
Que nos faz sentir às vezes
Chegado o fim da aventura
Só por não vermos que as pontes
São novos rios que sulcam
Velhos rios e horizontes
Que a vida sempre procura.

Da Seilá:

pontes de engenharia
pontes, cada dia, fazer
pontes de um a outro ser
outras pontes
pontes que eu quero fazer
quem dá uma mão?!

pontes engenharia
que engenhoso seria
se, cada um, todo o dia
lançasse a sua
ponte de outra engenharia
pontes entre cada dois
pontes
eu quero ser engenheira dessas pontes
dás-me uma mão?!

Claro que dou :)

Oração das 11:08 PM | | Comentários (16)

janeiro 22, 2005

Peregrinações (em mim) - I

varina

varinas

Peregrinações (em mim) serão caminhadas através de fotos que, quer pelas suas características quer pelo local, pelas pessoas ou pela altura em que foram tiradas, são parte importante de mim. Não terão qualquer periodicidade, ordem temática ou cronológica.

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Da Seilá:

"no desenho, na pintura, na fotografia...na vida...são eles que olho os rostos, os corpos das gentes...esses rostos "com cara" como uso dizer de um amigo de há tanto que o dito se me herdou- rostos com cara são-no como essa mulher que tão bem guardaste essa senhora da vida. Rostos com cara trazem a pose em si, são belos de um de dentro que não acaba nunca! De igual os corpos se dizem num porte que nenhuma passerele ensina, nenhum dote dá...E o olhar...aquele olhar um leve muito leve olhar e a presença do ele aprecia o elas!"

Do OrCa:

No teu rosto, mãe, há vida
Sulcada por esse arado de que se fazem os dias
E as tuas mãos são raízes de sorver seiva da terra
De que amamentas os filhos

Velhinha, mãe, o teu rosto
É feito do pergaminho das contas do teu penar
Cada ruga é o caminho de ensinar cada lágrima
A transformar-se em sorriso
Mesmo salgado de amar.

Da Náufrago:

Velhas árvores
Poema de Olavo Bilac

Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

Oração das 11:14 PM | | Comentários (9)

Gaivota

se uma gaivota viesse trazer-me o céu de lisboa...

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

Escolha do poema: Maria Branco

Nota: a foto é cliché e a esperada, eu sei. Mas apeteceu-me assim :)


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Do OrCa:

Branco-cinza na procela
Voa mais leve que o vento
Voa mais leve que ela
Voa
Gaivota cinzenta
Adunco bico amarelo
Cruza o azul com afinco
Olhar vivo
Peito branco
Vertigem breve
Fugaz
Falas do mar
De rapinas
De romper as neblinas
Do tanto que és capaz
Voa arisca
Tu gaivota
Que fixas a tua rota
Tão distante
Desplicente
Na linha do horizonte
Muito além do além-mar.

Do Manuel Filipe:

A gaivota plana num grito circular,
Aflora as águas ao de leve,
Numa carícia.

Paira acima dos vendavais,
Que a vida é breve,
Esfinge dos cais.

Companheira do luar,
A gaivota plana num grito circular
Aflorando a tempestade ao de leve.
Curta delícia !

A gaivota é a saudade dos navios,
É a certeza de voltar
De portos incógnitos e frios.

A gaivota plana num grito circular,
É a Esperança
É o proprio mar.

Oração das 02:19 AM | | Comentários (13)

janeiro 21, 2005

Na Luz Vermelha

chicotes suspensos de árvores negras

Escrevo,
no silêncio sanguíneo da noite,
entre sombras vivas desfilando, no céu trágico.

Assim me ergo
acima da morte agitada no ar,
por chicotes suspensos de árvores negras.

Espero a manhã
enquanto a lua corre velada,
afrontando no rosto os vitupérios do vento.

Escrevo,
sonâmbulo,
na luz vermelha das sibilas e dos astros,
contra o terror cego, que vagueia pelo campo.

Manuel Filipe


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Da Sónia:

Escrevo sibilada pelas
cores das desnuvens da noite...
Sou incolor e reversa
quando chegas!

Do 5ºelemento:

{ ...

escrevo, se ...

escrevo, se dor e prazer dou;
escrevo, se quando triste estou;
escrevo, se quando solitário sou;
escrevo, se quando sofrimento durou;
escrevo, se (em) prazer passou;
escrevo, se de amor se tratou
© biquinha

... }

Do OrCa:

Não páro na luz vermelha
Da noite triste e aflita
Quero um vermelho que grite
Que se espante
E que agite
Bandeiras nas madrugadas
Quero sentir outra vez
O rubro sangue ferver
No ardor das barricadas
Vermelho o sangue a correr
Solidário
A renascer
Nas veias encortiçadas...

Não páro na luz vermelha
Corro na noite para ela
Na certeza de que o dia
Trará com ele a utopia
Colorida de quimera.

Da Náufrago:

contorço-me em negrume
árvore amputada

leio o teu nome
escrito no vermelho

estico-me mais ainda.
aonde estás?

descaio leve a cabeça
vislumbrei-te.

até já meu Amor
estendo-te o braço.

Oração das 12:54 AM | | Comentários (17)

janeiro 20, 2005

Que a noite venha e me cubra

e que a paz sejas tu

Que a noite venha e me cubra
E que a noite seja paz
E que a paz sejas tu
E a noite o teu corpo
E o teu sono o meu sono
A tua mão na minha mão.
Que a noite
Teu corpo sólido que procuro
E onde me escondo
Seja a noite dos amantes
Corpos que repousam
E encontram um no outro
Um novo amanhecer

Poema: Encandescente
Publicado originalmente no Erotismo na Cidade

Que encontres na tua reflexão a paz que desejas

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Da Sónia:

Noite em mim
dos corpos versos
reversos e orvalhados
minha noite em ti!

Da Náufrago:

há milhões de anos noite
e eu não sabia
até à primeira noite
insone

penetrada a noite
nada é igual
no despertar cruo
da manhã.

abençoada lua
dispo-me e olho-te
ainda me sobra beleza
no teu espelho

são meus setins
as nuvens
saio então para
celebrar a vida

que me foge.

Do OrCa:

Tu
Companheira de mim
Mãos ninhos dos nossos corpos
O teu sono velarei
Eu velado em teu regaço
Ardente
Meigo
Macio
Que turgesce o meu desejo
E que me embala no sonho
Que me aconchega ainda
Ao romper da alvorada

E o mundo fará sentido
Na redenção deste encontro
De exaltação e langor
De vontades
De carinhos
Cada dia desejados

És a rosa que desperta
Meus desejos perfumados.

Da Vivian

Que a noite venha
que venha e cubra
com seu lençol de seda
a cama dos amores
que sacie os apaixonados
que ela cubra com seu encanto
os corações enamorados...

Do Raul:

Nesta constante poesia
Só vocês nos presenteiam
Nos transmitem alegria
Que outros regateiam

Oração das 12:44 AM | | Comentários (14)

janeiro 19, 2005

Lisboa

lisboa, sabes

Alguém diz com lentidão:
"Lisboa, sabes..."
Eu sei, é uma rapariga
Descalça e leve.
Um vento súbito e claro
Nos cabelos,
Algumas rugas finas
A espreitar-lhe os olhos,
A solidão aberta
Nos lábios e nos dedos,
Descendo degraus
E degraus
E degraus até ao rio

Eugénio de Andrade

Escolha do poema: Wind
Publicado originalmente no Web Club

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Da Náufrago:

«Escrevo isto inquieto. Porque foi já há muito tempo, que, ao cair da tarde, Lisboa autêntica me acometeu, num rebolão. Que desflorando-me inaugurou um longo e lento adeus às alcatifas. Inquieto, disse. Não dei ainda o último esticão em direcção ao ar»

in Noite e o riso de Nuno Bragança.

Da M.P.:

Fúrias de Ventos
pensamentos em tufão
Ansias incontroladas
Sonhos de fogo
Dúvidas de Acreditar
Liderdades acorrentadas
Sentires não sentidos.
Tudo frio, gélido.
Gritos de Náufrago
Destruição de Icebergs.
Amores.
Salvação de descrentes.
Redenção sem Redentor.
Regresso.
VIDA!

Oração das 01:06 AM | | Comentários (12)

janeiro 18, 2005

Paira no céu...

paira-no-ceu

Paira no céu um grito de agonia,
de tantas vozes,
esvaecidas pela dor,
e grita o sangue,
oferecido a um deus melhor,
sobre o altar, onde ardemos dia a dia.
Que venha o gelo da noite eterna,
e, predador,
nos colha a alma,
a feche na urna fria,
pois sobre a terra não há tempo para o amor,
e a taça da amargura, está vazia.

Manuel Filipe


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Da Náufrago:

adormecida sob a manta
de gelo humano
jaz a terra
a aguardar o nosso
renascer

e as árvores apontam
dedos ao céu
oram por nós

e em troca da sombra
boa que nos deram
reflectem
o frio branco
da nossa humana
ingratidão.

Da Sónia

Chovem do ceu
os cubos de gelo
da agua derramada
aquando da partida!

Oração das 01:31 AM | | Comentários (12)

janeiro 16, 2005

Retrato (II)

mariana

mariana

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que ele não
te coubesse no dedo.

Jorge de Sousa Braga

Oração das 02:50 PM | | Comentários (18)

Apelo para a humanidade

Tivemos a tristeza de ver recentemente o Tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar que a intensidade desse tsunami mostra-nos claramente que o desequilíbrio ambiental é, incontestavelmente, potencializador de forças naturais deste porte. Cabe a nós, definitivamente, uma reflexão séria sobre o assunto e buscarmos maneiras mais correctas de lidarmos com o espaço que vivemos, para que não sejamos nós os responsáveis por catástrofes desta natureza.

Nós blogueiros, propomos desde já, unirmo-nos em um alerta para a humanidade, e implantarmos cada um de nós, a nosso modo e em nosso ambiente, medidas práticas de mudanças!

É tempo de se falar abertamente. É tempo de se abordarem as questões em profundidade e não de forma restritiva. É tempo enfim, de se falar a sério sobre a questão ambiental e ecológica. Sobre a humanidade!

E com razão. É que cada vez mais se toma consciência de que o combate pela preservação, não tem fronteiras, não é regionalizável e de que a resposta ou é global ou não será resposta.

As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a poluição dos rios e dos mares, a destruição das florestas, não têm azimute nem pátria, nem região. Ou se combatem a nível global ou ninguém se exime dos seus efeitos.

As pessoas ainda respiram. Mas por quanto tempo?

Os desertos ainda deixam que reverdejem alguns espaços estuantes de vida. Mas vão avançando sempre.

Ainda há manchas florestais não decepadas nem ardidas. Mas é cada vez mais grave o deficit florestal.

Ainda há saldos de crude por extrair, de urânio e cobre por desenterrar, de carvão e ferro para alimentar as grandes metalurgias do mundo. Mas à custa de sucessivas reduções de reservas naturais não renováveis.

Na sua singeleza, o caso é este:

Até agora temos assistido a um modelo de desenvolvimento que resolve as suas crises crescendo cada vez mais. Só que quanto mais se consome, mais apelo se faz à delapidação de recursos naturais finitos e não renováveis, o que vale por dizer que não é essa uma solução durável, mas ela mesma finita em si e no tempo que dura. Por outras palavras: é ela mesmo uma solução a prazo.

Significa isto que, ou arrepiamos caminho, ou a vida sobre a terra está condenada a durar apenas o que durar o consumo dos recursos naturais de que depende.

Não nos iludamos. A ciência não contém todas as respostas. Antes é portadora das mais dramáticas apreensões.

O que há de novo e preocupante nos dias de hoje, é um modelo de desenvolvimento meramente crescimentista – pior do que isso, cegamente crescimentista – que gasta o capital finito de preciosos recursos naturais não renováveis, que de relativamente escassos tendem a sê-lo absolutamente. E se podemos continuar a viver sem urânio, sem ferro, sem carvão e sem petróleo, não subsistiremos sem ar e sem água, para não ir além dos exemplos mais frisantes.

Daí a necessidade absoluta de uma resposta global. Tão só esta necessidade de globalização das respostas, dá-nos a real dimensão do problema e a medida das dificuldades das soluções. Lêem-se o Tratado de Roma, O Acto Único Europeu e mais recentemente as conclusões da Conferência de Quioto, do Rio de Janeiro e Joanesburgo, onde ficou bem patente a relutância dos países mais industrializados, particularmente dos Estados Unidos, em aceitar a redução do nível de emissões. Regista-se a falta de empenhamento ecológico e ambiental das comunidades internacionais e dos respectivos governos, que persistem nas teses neoliberais onde uma economia cega desumanizada e sem rosto acabará por nos conduzir para um beco sem saída.

Por outro lado todos temos sido incapazes de uma visão mais ampla e intemporal. Se houver ar puro até ao fim dos nossos dias, quem vier depois que se cuide!... e continuamos alegremente a esbanjar a água do cantil.

Será que o empresário que projectou a fábrica está psicológica ou culturalmente preparado para aceitar sem sofismas nem reservas as conclusões de uma avaliação séria do respectivo impacto ambiental?
Mesmo sem sacrificar os padrões de crescimento perverso a que temos ligados os nossos hábitos, há medidas a tomar que não se tomam, como por exemplo:

# Levar até ao limite do seu relativo potencial o uso da energia solar e da energia eólica.
# Levar até ao limite a preferência da energia hidráulica sobre a energia térmica.
# Regressar à preferência dos adubos orgânicos sobre os adubos químicos.
# Corrigir o excessivo uso dos pesticidas.
# Travar enquanto é tempo a fúria do descartável, da embalagem de plástico, dos artigos de intencional duração.
# Regressar ao domínio do transporte ferroviário sobre o rodoviário.
# Repensar a dimensão irracional do transporte urbano em geral e do automóvel em particular.
# Repensar, aliás, a loucura em que se está tornando o próprio fenómeno do urbanismo.
# Reformular a concepção das cidades e das orlas costeiras


Dito de outro modo: a moda política tende a ser, um constante apelo às terapêuticas de crescimento pelo crescimento. È tarde demais para desconhecermos que, quando a produção cresce, as reservas naturais diminuem.

Há porém um fenómeno que nem sempre se associa ás preocupações da humanidade. Refiro-me à explosão demográfica.

Com mais ou menos rigor matemático, é sabido que a população cresce em progressão geométrica e os alimentos em progressão aritmética. Assim, em menos de meio século, a população do globo cresceu duas vezes e meia !...
Nos últimos dez anos, crescemos mil milhões!... Sem grande esforço mental, compreendemos aonde nos levará esta situação.

Se é de um homem mais sensato e responsável que se precisa, um homem que olhe amorosamente para este belo planeta que recebeu em excelentes condições de conservação e está metodicamente destruindo; de um homem que jure a si mesmo em cadeia com os seus semelhantes, fazer o que for preciso para que o ar permaneça respirável, que a água seja instrumento de vida e dela portadora, e os equilíbrios naturais retomem o ciclo da auto sustentação, empenhemo-nos desde já nessa tarefa, com persistência e determinação.


Se é a continuação da vida sobre a terra que está em causa, e em segunda linha a qualidade de vida, para quê perder mais tempo?...

Por isso apelamos a todos quantos se queiram associar a este movimento pela preservação Natureza, pela Paz e pelo desenvolvimento harmonioso da Humanidade, para subscreverem este Apelo.

Ao fazê-lo estamos a afirmar a nossa cidadania, enquanto pessoas livres, que olham com preocupação o futuro da Humanidade, o futuro dos nossos filhos!

Lista de Subscritores

Oração das 12:13 AM | | Comentários (1)

janeiro 14, 2005

Procissão

procissão

procissão

(...) Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir em
Romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar (...)

Romaria - Elis Regina


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Do OrCa:

A palavra segue a palavra
Faz-se reza
Cantochão
É a palavra que lavra
O incêndio da incerteza
O inseguro saber
Por não saber prosseguir
Ao chegar à encruzilhada
Mas logo se faz caminho
Que trilhamos lado a lado
Por cada passo que é dado
À procura da razão.

Da Náufrago:

branco branco
brancas opas
branca paz
superstição?

branco caminho
sem véu
branco sou
olhar em frente
busco amor
busco no céu

se a onda vem
ou o vento
ou a fúria
do vulcão
vem a fome
e toda a gente

busca na lama
nas águas
nas mãos dos outros
mais tarde.
baixa os olhos
busca o pão.

Oração das 05:48 PM | | Comentários (11)

janeiro 13, 2005

Orvalhos

orvalho

orvalho

(...)Tomou para si coisas nunca dantes conquistadas.
Em uma caixinha de ouro aprisionou o mais suave canto dos pássaros.
Com cuidado guardou no baú o fino orvalho da madrugada.
Num recipiente de madeira acalentou um sutil raio de sol.
Arquivou as rebuscadas palavras e os sinceros sentimentos dos poetas.(...)

O Principe das Estrelas


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Do OrCa:

Gotas de orvalho me dizem
Serem pérolas que os deuses esquecem no nosso chão
Outros mais que são de lágrimas
Que em tempo de secura
Os astros choram na noite a alimentarem raízes
Nos prados da solidão

Por mim fica-me a frescura
Que lhes sinto
Que me dão
Nessa carícia na face
Quando passo nos caminhos
Por onde vou e elas estão.

Da Náufrago:

vinha a pensar em água
sem sal
água límpida
corrente.

esqueci as gotas
o verde a luz

faltava côr
no caminho da água

encontrei.

e o dia está
quase perfeito.

benção
de beijos de água
a uma flor.

afinal
ao meu dia
faltava só
amor.

A Vivian deixou aqui este extracto de uma música:

"Fim de madrugada
luz do sol
marejando o dia
que ja vai chegar
pousa um passarinho
na janela
la vem ela

Manhã!

E aqui de joelhos
eu estou
contemplando
a ultima estrela
cantando a canção
da alvorada
vendo no sol
que nada sou
sem a sua luz
e sabendo
que nada sou
sem ti JESUS...

Da Lique:

Eu sei que as gotas de orvalho
Que lavam as madrugadas
São as lágrimas dos amantes
Em mil partidas choradas

Sei também que o sol virá
Secando o choro matinal
Como os amores se repetem
Num enlevo inaugural

Oração das 06:05 PM | | Comentários (17)

janeiro 12, 2005

No vento

quero partir já

Quero partir, já!
Agonizo, como ave agrilhoada,
sufoco numa gruta viciada,
Fugir de cá!

Para shangri-la!
(Já esmurro as grades em fúria demente)
arrastado em ciclone ou na corrente,
tanto me dá!

A todo o pano!
Na ponte, ou clandestino num porão,
estrela cadente, noutra dimensão,
não há engano!


Manuel Filipe

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Da Seilá:

quando eu partir Na viagem
...se for possível...
eu quero ir assim...
levada em cinzas...
no vento...no mar
para lá do aqui
nem quero eu saber
para onde
quando eu partir
NA viagem quero ir
num barco com asas

**também eu quero ir assim Seilá :)

Da Náufrago:

navegar à bolina
ir
ir apenas
sem lugar que me espere
sem porto a alcançar

tanta planura de água!
tanta paz!

morrer
morrer não
esbater-me.

coisas de português:
diluir-me no mar.

Da Luna:

A boiar nesse mar
que tanto nos acalma
como nos assusta...
serenamente navegando
a caminho de algures
fugindo de nenhures.

navegamos em direcção
ao horizonte
é o nosso limite...
por vezes aos rebolões
enroaldos como buzios na espuma das
ondas
outras dançando com as mesmas
numa tranquilidade, numa paz
num abraço que nos aconchega...

Do DonBadalo (bem vindo :) ):

deslizo sereno sobre as ondas
com velas estendidas tempo meu!
águas que me levam são regresso
porto de abrigo no lugar do céu ...

Da Vivian:

Quero partir
guiada pelo vento
sem medo
sem receio
apenas flutuar
e me deliciar
na plenitude
deste mar...
Quero partir
para refletir
deixe-me ir
ir p lá
ir encontrar
o arco-íris
sobre o mar...
Quero partir...
naufragar
me perder
me encontrar
na imensidão
deste mar...

Da Sónia (bem vinda :) ):

Vou nas naus das letras
aqui nada resta do abecedario
Levarei tudo comigo...
para o lugar onde estas!

Da M.P.:

Partidas
idas por aí
tidas por sem volta
com voltas sem regressos
com regressos sem voltas.
Partidas
idas
sem volta
de revolta.
Partidas
idas
aventuras
venturas
desventuras.
Regressos
retrocessos
excessos
sem nexo.
Partidas
idas
tantas
saudades
quantas
que ferem
que matam
que geram
voltas com regressos
regressos com voltas
que matam
idas por aí
partidas.
Regressos.

Oração das 03:24 PM | | Comentários (18)

janeiro 11, 2005

Nocturnos - I

carris

carris

Da Náufrago:

azulão
azulinho
esverdeada
côr
entra-me luz
nos olhos
fico encandeada
de cidade
iluminada
para o
amor.

Da Vivian:

Luz que enradia
enche de alegria
ilumina a noite
ao cair do dia...
Luz dos amantes,
dos namorados,
dos apaixonados,
de quem quer amar...
Seja rico, pobre
homem, mulher
a todos contempla
com seu espetáculo
de luzes coloridas
nesta cidade a brilhar...

Do Espectro #999:

Ausentei-me e perdi-me ...
na imensidão do caos
Transpus a fronteira
do medo e descobri-me
numa alegoria de luz
com seu pulsar de vida
intenso e apaziguador.

Do Carriço:

É na noite que sinto
as luzes da nostalgia...
Alquimia?
Simples magia?
Natural, o meu instinto...
se só a noite me conhecia!

Oração das 09:11 PM | | Comentários (12)

janeiro 10, 2005

Amores perfeitos?

amor perfeito?

não existem, felizmente.

Da M.P.:

Amores perfeitos
Imperfeitos na perfeição.
Amores belos, tão singelos,
Amores azuis,brancos,amarelos
Perfeitos Amores.

Por amores quase me perdi.
De amores quase morri.
Perfeitos tão imperfeitos
Amores belos tão singelos
Amores perfeitos
Azuis, brancos e amarelos.

Do OrCa:

Amores
Percursos já feitos
Que se querem imperfeitos
Doa lá a quem doer
Porque não há que saber:
- Amores perfeitos
São flores
Que aos outros iguais não são...
Voam eles no céu azul
E o azul da flor
Só cresce rentinho ao chão.

Da Náufrago:

perfeito
só o amor que não tem medo
ou o amor segredo

perfeito
só o amor de quem dá
como deu Cristo.

perfeito meu quase-perfeito
amor
foste-me tu depois da morte
quando vesti o roxo
do sofrer

macia flor. macia côr.
macia a tua marca em mim

veludo é o silêncio
que deixaste.

carícia de veludo que ficou
porque amaste
me amaste
a ti me dou.

Da Vivian:

"Amores perfeitos
existem lá dentro
no fundo do peito
doce sentimento
seja por ela
a flor mais bela
ilustre, singela
que encanta a plateia
com um só olhar...
ah, amores existem
e existem perfeitos
pois a perfeição
esta no peito
de quem vai amar..."

Oração das 08:38 PM | | Comentários (20)

janeiro 08, 2005

Paz

flutuando-1.jpg

Paz

Deve existir algures um paraíso
Um lugar de paz
Um lugar de calma
Com uma luz suave que não me fira os olhos
Sem silêncios gritantes que não me ensurdeçam os ouvidos
Deve existir algures um paraíso
Um local de chegada
Um local de guarida
Onde possa baixar os braços
E repousar enfim tranquila

Encandescente

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Do OrCa este poema, inspirado na fotografia:

De pé
Permaneço junto ao mar
Em redor o marulhar que a neblina acentua
E fico assim a olhar
Sem querer ir ou ficar
Em fugaz envolvimento
Apenas ouvindo o mar
Marulhando sem lamento
Sentindo-lhe a quietude que no corpo se insinua.

Da Náufrago:

viesses tu poesia
tu Amigo
do meio desta bruma
viesses tu Amor


mas espero do mar
o reflexo de ti
servir-me-á de abrigo


tanto frio
tanto frio há no mundo
sem ti sem ti


senti. sinto.

no mar mergulharei
se for preciso
a encontrar-te enfim.

Oração das 07:44 PM | | Comentários (20)

janeiro 07, 2005

Renovação

renovação

renovação

Na luz do fim do dia encontramos as sementes da esperança em vidas renovadas.

Da M.P.:

Em paisagem de melancolia
de castanhos outonais,
de frios que embranquecem
de ventos que entontecem,
de sóis que não aquecem
de ramos secos sem vida,
casulos de esperança
sementes de temperança
átomos de bonança
em explosão incontida
escrevem Poesia revivida.

Do OrCa (obrigado amigo :) ):

Mostra-nos
Como "na luz do fim do dia
encontramos as sementes da esperança
em vidas renovadas"

Diz-nos
Amigo da beleza escondida
Que a vida encerra

Traz-nos o solstício de nós
- Que o perdemos -
Mas que vive nos teus olhos
Tão constante

E por esses teus olhos
Nós seremos
A criança mais feliz de tão serena
Descobrindo como é seu
O mundo todo.

Da Náufrago:

o vento espalha a semente
renova-se a vida
o verbo
como de início foi

somos filhos da terra
espalhados pelo sopro
o mesmo,
qual semente

e dói-nos tudo
quanto à terra dói.

Oração das 01:55 PM | | Comentários (16)

janeiro 06, 2005

Uma forma de olhar

uma forma de olhar

Texto de: Nino Garbin

A maestria na imagem e na palavra que os dois, Lia e Nino, têm, vai fazer do "uma forma de olhar" um blog de referência. Vou ser vosso fiel visitante meus amigos. Um beijo e um abraço.

Oração das 05:23 PM | | Comentários (4)

Iluminações na baixa de Lisboa

terreiro do paço

arco rua augusta

rossio

rossio

rua augusta

arco rua augusta

Da Náufrago:

fachos
dedos apontados
ogivas
gritam aos céus

seres de arte
iluminados
sopram beleza
para deus.

e o artista reproduz
não o que está
sobre a terra
mas a luz que
de si vem

a luz que na alma tem
e que no olhar encerra.

Da Seilá:

Frio
um frio intenso
luz
cor
e um frio gelado
cortam as cores
ventos parados
gelos de silêncios
tanto frio
tanto
pra lá da luz
ali nas cores

Da M.P.:

Em pontos mil,
catedrais
de mil luzes
bordam
cinzentos
citadinos, banais.

Betão filigrana
ogivas medievais
faixas-luz tridimensionais
reflexos de Arte
em Arte,
intemporais.

Catedrais
de pontos mil
de mil luzes.
Metropolitana decoração,
onírica ostentação
em ogivas medievais
faixas-luz tridimensionais.

Cidade intemporal
acolhida
em Catedral.

Do OrCa:

Cada viela espreita a luz nova da rua
A Baixa engalana-se
De ogivas luminosas e azuis espectrais
As pedras velhas das arcadas escondem-se
Tímidas da luz mas impantes de glórias
É Natal! É Natal!...
Paz na terra aos homens de boa vontade...

E riem os olhos num coração que chora
Porque há outros homens dentro da cidade.

Oração das 01:39 AM | | Comentários (15)

janeiro 04, 2005

De volta ao Porto...

ribeira

ribeira

ribeira

Estas fotografias são dedicadas a ti, parceira. Não se comparam às tuas mas as cores estão bem saturadas :) digamos que é um olhar nosso sobre a Ribeira...

Da Naufrago:

colorido casario
debruçado a ver o rio
roupas esparsas ao vento

Porto que és de Portugal
Portugal de tanta luz
que ilumina até o mar

Portugal de onde é tão bom
partir para depois voltar
País de areias e vento

Terra de todas as flores
de epopeias e amores
Portugal do meu tormento.

Da M.P.:

Revoltas roupas
ao vento do tempo
esvoaçam
em voos artísticos
místicos
caçadoras ávidas
de olhos sedentos
de cor e amor
de momentos
do belo
que enclausuram
nas imagens
artísticas
místicas
jaulas virtuais
do real
que são
as revoltas roupas
ao vento sem tempo
na foto
onde ficaram
em voo artístico
místico
em perpétua prisão.

Do OrCa:

Um mosaico de janelas
E as cortinas por trás delas escondem um mar de vida
No estendal da Ribeira
Vede a roupa pendurada
Tal qual vela desfraldada a buscar no mar guarida
Casario abraçado na luta do dia-a-dia
Lado a lado com o rio
Há sempre um grito esperançado de saber cerrar fileiras
E a roupa nas varandas agitada ao vento frio
Vai-se a ver e são bandeiras.

Oração das 03:39 AM | | Comentários (18)

janeiro 02, 2005

Fonte Luminosa - revisitada

fonte-luminosa-5.jpg

fonte-luminosa-4.jpg

fonte-luminosa-3.jpg

Do OrCa:

Fonte de luz
Fonte de água
Arcobotantes da mágoa
De luar em contraluz
Fonte de luz
No negrume
Ser contra o imenso azedume
E voltar a ser feliz...

Da M.P. :

CoR,
fOgO
ArDor.
cOr
PuRa
BrAnCa.
aZuLa.
AzUl.
Sonho
em
cor
de
fogo
em
ardor
de
cor
branca
pura
de
azul
que
azula
vida
negra.

Oração das 09:36 PM | | Comentários (18)

janeiro 01, 2005

Senti-te esta noite...

morte

Esta noite estiveste entre nós. Senti a tua sombra a deslizar. A escolher. Tive frio. Fui participante e observador distante de uma cena que não se vai repetir. Tudo vai mudar...

O Canto da Ocidental Praia - Ópera de António Vitorino de Almeida - 1975 - Coliseu do Porto.

Oração das 02:46 AM | | Comentários (16)