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junho 30, 2005

quando se acabam as palavras

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ficam as imagens

Oração das 08:37 PM | | Comentários (6)

junho 29, 2005

lamento por diotima

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Poema de Vasco Graça Moura

P.S. também não gosto do homem mas separo os canais

Oração das 08:09 PM | | Comentários (10)

junho 28, 2005

encontro de blogues no porto - II

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Houve momentos muito divertidos como se pode ver pelo riso desta senhora!

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Foi um grande prazer reencontrar a Maria Mamede. Uma Senhora, grande poetisa.

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Neste caso nem foi necessário disfarce... a visada encarregou-se disso :)

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Estes dois senhores estavam entretidos a conspirar qualquer coisa...

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Foi com muito prazer que conheci estas duas blogueiras que espero que retomem o seu blog rapidamente. Ainda que uma, a da esquerda, nos dê belas imagens aqui.

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No interior do Tromba Rija o ambiente era este.

P.S. conto acabar hoje de enviar as fotos. Quem não tenha recebido e as queira mande-me um email.

Oração das 04:12 PM | | Comentários (10)

junho 27, 2005

encontro de blogues no porto - I

Esclarecendo. Combinou-se não publicar fotos do encontro. Como aliás em todos os anteriores em que participei. Como fiz dessas outras vezes e à excepção dos casos em que há autorização explícita para isso as fotos que aqui serão publicadas são "disfarçadas" de modo a não permitir o reconhecimento das pessoas.

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A este senhor se deve a excelente organização do encontro. Obrigado.

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Neste caso a fotografia não está disfarçada porque o Altino diz aqui que podemos publicar a sua face :).

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A nossa anfitriã foi inexcedível em simpatia e "amorizade". Obrigado a ela, à Cláudia e a este puto sensacional.

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A molhada "reloaded".

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A molhada com o casario (lindo) do Porto pelas costas.

Oração das 11:00 AM | | Comentários (10)

junho 24, 2005

façam ginástica!

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Qualquer que ela seja. Para ficarem assim, em forma. Vou até ao Porto, ao encontro. Divirtam-se.

Oração das 04:35 PM | | Comentários (5)

junho 23, 2005

inscrição para um portão de cemitério

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

Mário Quintana in A Cor do Invisível

Oração das 09:27 AM | | Comentários (8)

junho 20, 2005

quanto vale o sorriso de uma criança? - Parte II

palhacos

Mas nada. A Maria e os seus amigos já tinham visto tudo e provavelmente encaravam figuras como a minha de um ponto de vista já analítico, o homem para além da figura, ou a figura de parvo do homem na sua grotesca figura de homem crescido com pretensões a ter graça.... Desesperei, trespassado por aqueles olhares compassivos, sentindo-me dromedário fora do deserto e deitei mão às minhas melhores ilusões que provavelmente já conheciam de festas anteriores. Disparei amendoins voadores, confettis saíram de um sopro meu, flores do nada nasciam, lencinhos, penachos, sorrisos e por fim, mimando a minha própria estupidez, fiz-me tropeçar no próprio pé para me estatelar, imaginem!!!, sobre um dos respeitáveis jarrões da avó!!! Rolou escada abaixo, aguentando o primeiro degrau com a coragem dos anos, para se desfazer em mil preciosos cacos ao pé das embasbacadas Barbies. Mas foi então e só então que se ouviu a risada cristalina da Maria, como se todo o serviço de copos da avó se tivesse também feito em mil bocados. A Maria riu! Soltou a primeira gargalhada da tarde e as amigas, entreolhando-se, pelo tamanho da tragédia e ligeireza do riso, optaram por rir também, fervilhando que já estavam de vontade, ante o meu gesto agora então, sim, verdadeira e absurdamente desastroso...

Vocês nem imaginam! Pareciam agora um bando de crianças da rua, desfeitas em riso de lágrimas e se não fosse a perigosa vaga no olhar azul da avó, sentir-me-ia eu também tentado a rebolar de riso com elas, tal o nó que se me desfizera na garganta. Mas a voz da dona da casa fez-se ouvir como vento gelado da madrugada, planando por sobre os gritinhos alvoroçados das criaditas. O jarrão, os cacos, a irresponsabilidade, a irrecuperável perda, o mau exemplo para as crianças, (o seguro? Claro que está no seguro, mas não se compra já outro assim). Eu lamentava profundamente o ocorrido, deveras que lamentava, mas o riso ainda me rodopiava na garganta e o meu olhar era de brilho, assombro, pena, crispação, culpa e depois humilhação, a humilhação de a ouvir dizer que me pagava o trabalho, mas... que não fizera nada para o merecer e ainda lhe causara um enorme prejuízo. A seu mando, disparou uma das criadas em busca de uma vassoura para que o Palhaço apanhasse os cacos, e já agora também os confettis. Curvei-me e colhi a minha humilhação em cada caco recolhido. Depois preparei-me para sair e ainda me passou pela cabeça em take cinematográfico: o amarfanhar do cheque para o monte dos cacos, com um olhar à Gene Hackman, mas sustive a minha revolta, para dizer imaginando o seu olhar de duro, ironicamente profundo, bem dentro do mar de chumbo da matriarca: “Realizei o espectáculo, arranquei sorrisos de vasos secos. Mereci o pagamento, minha senhora. Tenciono recebê-lo". E saí relanceando o olhar pelos pequeninos vasos secos, iluminados agora por uma cumplicidade luminosa. Cá fora senti um sulco de tinta e sal rolando pelo suor do rosto. Que diabo, hoje fui Palhaço trágico, patético, rebaixado, humilhado, mas fui Palhaço.

E continuei guiando pela cidade, Palhaço livre, colhendo quantos sorrisos pude, acenando às efusões da pequenada nos semáforos, ou à confusão das almas solitárias das portagens. Teria arrebatado à história um bocadinho da sua essência, e diminuíra porventura o património de uma família, mas, Senhores!!!, tinha feito gargalhar crianças que já não sabiam soltar dentro de si o riso. E Minha Senhora, deixe-me perguntar-lhe agora, aqui de longe, sem o seu olhar de porcelana azul da China cravado no meu: quanto vale para si o sorriso de uma criança?

Fim

Conto da Ana Isabel

Oração das 11:53 PM | | Comentários (3)

quanto vale o sorriso de uma criança? - Parte I

palhacos

Nunca percebi bem o que há de extraordinário em chamar-me Óscar e ser Palhaço, mas a verdade é que as pessoas desatam a rir-se quando digo. Mas é verdade. Chamo-me Óscar e sou Palhaço desde que fiquei desempregado há muitos anos por extinção de um cargo, numa empresa de nome pomposo, onde me pediam que fosse mais palhaço do que agora sou e lambe-botas como os demais... Mas não tem nada de estranho. Um Palhaço tem de ter um nome e fazer rir. E o meu assenta-me como a luva branca que calço ou o nariz que laboriosamente pinto de vermelho. Mas se vocês estão aí a pensar que me é fácil fazer rir as pessoas, estão enganados!!! As pessoas nem sempre riem quando nós decidimos fazê-las rir. Antes pelo contrário. Essa explosão vem de dentro, e nunca de fora. Rimos porque estamos felizes ou descontraídos. O riso habita-nos como a capacidade de respirar ou então fugiu do nosso peito, por razões que desconhecemos. Mas não vos vim falar do riso, esse assomo da alma que ainda hoje não controlo, nem em mim, nem nos outros.

Venho contar-vos a história de uma menina que já não sabia rir, de um jarrão da China com os dias contados e de uma avó de olhar de pedra. Como devem calcular, longe vão os dias do circo, e assim, sou contratado para os aniversários das crianças cujos pais não têm pachorra para os aturar sozinhos, ou lhes falta o talento para fazer umas fantochadas e uns jogos de futebol. Vou a casas abastadas, mas desculpem lá, abastadas com aquele bastante que nos parece morar apenas nas histórias de princesas e dragões, um bastante traduzido em terrenos gigantescos, relva a perder de vista, gradeamentos, muros altos, piscinas, lagos com fontes frente ao mar e casas de banho onde caberia desafogado um T1 da baixa. Normalmente essa gente recebe-me com um sorriso e a mesma deferência que se tem com um canalizador ou limpa-chaminés. Ora, na casa da menina que já não sabia rir, uma fortaleza resistindo aos ventos marinhos, havia uma senhora muito séria que me recebeu com o olhar frio do mar, e era a avó e uma mãe que me parecia pouco segura de o ser. Estavam à minha espera muitos meninos de cinco a seis anos, rodeados de uma secção inteira de brinquedos de um grande hipermercado. No meio deles, a Maria. A Maria que fazia anos e não estava a sorrir, no centro do seu mundo de fadas. Parecia amuada com qualquer coisa, talvez o vestido de seda, antigo, como se o peso tutelar da avó lhe caísse em cima, ou esta o tivesse já usado em igual idade. Comecei a actuar no alto de umas escadas que se despenhavam harmoniosamente como cascata entre o salão e uma salinha adjacente. Olhei atemorizado os dois jarrões de porcelana ornamentada de dragões e cruzou-me a mente, fugitiva como só as premonições são, a possibilidade remota de ainda derrubar algum no calor das trapalhadas... Poderia ter chamado uma das criadas, pedir que os levassem , mas o espaço afigurou-se-me amplo e nunca tivera dois companheiros de palco tão dignos e sisudos. Por isso, esperava que a pequena assembleia de Barbies e Kens quebrasse em riso o peso dos reposteiros da avó e destronasse aquele sorriso seu contrito que parecia desenhado em cada móvel a desatasse a gargalhar em cadeia num alívio da tensão geral.

(continua)

Conto da Ana Isabel

Oração das 11:43 PM | | Comentários (6)

junho 19, 2005

o palhaço

palhaço como nós

qual a cor do riso nas lágrimas de um palhaço?
onde nasce e vive e cresce e morre o seu cansaço?
e, contudo, nasce e vive e cresce e morre a cada passo
e em cada passo as suas lágrimas temperam de riso o seu espaço

Poema do OrCa

Oração das 06:59 PM | | Comentários (14)

junho 18, 2005

mistura explosiva

hasta la victoria

(...)
Aqui se queda la clara
La entraniable transparencia
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara

(...)

Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa
(...)

Oração das 10:30 PM | | Comentários (4)

junho 17, 2005

a feira

acho que não sou eu...

A 15 de Novembro vinha a feira
coroar-nos a longa impaciência.
Nos dias anteriores, o sonho fora o carrocel
e as mágicas tendas
que povoariam as ruas.
Será que alguma vez fui tão feliz
como nessas alturas?

Há uma foto esmaecida no álbum de família,
em que, de pé, sobre uma cadeira,
seguro na mão direita
um fio que termina numa pequena bola
(suponho que de papel),
prenunciando os ioiôs.

Sempre me disseram que essa prova
de que, afinal, tive infância
fora feita na feira por um retratista.
Só que hoje, ao olhá-la, acho que não sou eu,
mas o outro de mim, que se perdeu
ou perdi de vista.

Poema de Torquato da Luz

Oração das 10:31 AM | | Comentários (7)

junho 16, 2005

funeral de Álvaro Cunhal (II)

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Oração das 04:40 PM | | Comentários (6)

funeral de Álvaro Cunhal (I)

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Oração das 12:17 AM | | Comentários (8)

junho 14, 2005

suspensão de mim

cristal

Em suspensão me sinto.
Flocos de mim flutuam no ar
falsa leveza que me rasga.
E a alma pesa.

Uso um sorriso suspenso
um doce de amargo sabor,
aquela radiância cinza
dum baço sol.

Qualquer palavra que digo
ressoa como um cristal
carrega o peso do chumbo.
E o som esmaga.

Poema descaradamente roubado à Lique

Oração das 11:07 PM | | Comentários (7)

junho 13, 2005

Adeus companheiros!

álvaro cunhal

Álvaro Cunhal

eugenio de andrade

Eugénio de Andrade

vasco gonçalves

Vasco Gonçalves

Oração das 03:08 PM | | Comentários (10)

junho 12, 2005

festas de oeiras - mexa-se na marginal (I)

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O "Mexa-se na Marginal" juntou no passado dia 5 umas dezenas de milhares de pessoas na zona da estrada marginal que atravessa o concelho de Oeiras. Durante umas horas a marginal foi ocupada por peões, ciclistas, animação... um sem número de coisas agradáveis. Aqui ficam umas fotos das demonstrações feitas por ginásios do concelho e o respectivo combustível. Um dia destes saem mais.

Oração das 11:55 PM | | Comentários (5)

junho 11, 2005

Duelo de Titãs ou Como o País se está lixando para o Tratado da Constituição Europeia

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No canto esquerdo, calção amarelo. Um NÃO maiúsculo na parte da frente dos calções… Pachecooo Pereiraaaa..
No canto direito. Calção branco. Um SIM maiúsculo nos calções. Marceloooo Rebeloooo de Sousaaaaaa.
A assistência agita-se ao ouvir a voz do apresentador. O combate está prestes a começar. Sente-se a tensão dos grandes momentos.

Barba por fazer, cabelo despenteado, estilo blasé, Pacheco agarra firmemente o Tratado da Constituição Europeia. Olha o seu opositor. Faz exercícios de aquecimento agitando o Tratado.
Penteado, ar aprumado Marcelo, no outro canto, enfia sub-repticiamente umas notas finais dentro do Tratado.
O árbitro apercebe-se da batota e chama a atenção do Professor Doutor:
- Professor Doutor, nas regras está determinado que só pode usar o Tratado. Faz favor tire os outros papéis lá de dentro.
Marcelo pigarreia cinco vezes, faz mais dois tiques habituais e com ar angelical pergunta: -Eu, Sr. Árbitro?
Pacheco diz: - Batoteiro. Maquiavel de trazer por casa.
O combate promete. O ambiente está carregado, tenso.

Ouve-se a voz do comentador político que faz o relato do encontro:
- O árbitro chama os dois oponentes ao centro da arena. Num gesto abrupto Pacheco cumprimenta Marcelo. Marcelo cumprimenta Pacheco.O árbitro abre os braços. Apita. Fecha os braços e…. Começouuuuuu!!!

Pacheco olha Marcelo. Marcelo olha Pacheco. Pacheco levanta o Tratado aponta ao nariz de Marcelo. Dá-lhe com o artigo 238. Marcelo defende o golpe. Contra-ataca. Aponta ao ombro de Pacheco. O artigo 146-b acerta de raspão em Pacheco.
Pacheco vacila. Recupera. Atira a Marcelo o disposto no número 7 do artigo 115º alínea C.
Ma qué qué isso meu? Infracção!!
O árbitro pára o combate. Avisa Pacheco que a partir a alínea 125 de qualquer artigo é considerado golpe baixo. Marcelo aproveita. Entre pigarreios diz: MRPPpista. Pacheco descontrola-se.
E dá Pacheco. E dá Marcelo. Pacheco. Marcelo.
Senhores telespectadores Pacheco e Marcelo estão engalfinhados. Nada os parará agora.
O ringue está coberto de folhas do Tratado. Pacheco e Marcelo atiram um ao outro sequências de artigos, adendas, emendas, alíneas...

- Parem já esta merda! Ouve-se de repente na assistência.
Um espectador desempregado, sem receber salário há 1 ano porque a fábrica se deslocalizou pergunta: Afinal os gajos estão a lutar porquê?
Alguém responde: -A proposta de Tratado da Constituição Europeia.
- E o que é isso? A gente aqui a passar necessidades e eles tratam é disso? Cambada de políticos. É tudo a mesma merda.
E começa a assobiar! O assobio alastra como fogo na sala. Ensurdece. Objectos começam a cair no ringue.
Marcelo e Pacheco tentam justificar a importância do duelo: que o Tratado é a questão do momento. Que é vital para o País. Que o futuro da Europa está em risco…
Um reformado grita: -Vão trabalhar malandros. Queria vê-los viver com uma reforma de 200 euros. Lembravam-se mesmo do Tratado se andassem tesos como o resto do País.
Outra voz se ouve ao fundo:
-Isto era à borla, vim ver. Mas que é o Tratado da Constituição Europeia? Alguém leu?
Silêncio.
Todos os olhares se fixam em Marcelo e Pacheco.

Debaixo de uma chuva de apupos, cabisbaixos, Marcelo e Pacheco saem do ringue.

Ficção (magnífica) da Encandescente

Composição gráfica cá da casa

Oração das 09:48 AM | | Comentários (11)

junho 10, 2005

III ENCONTRA-A-FUNDA

Dia - 2 de Julho (sábado)
Local - algures em Lisboa (aceitam-se sugestões para o restaurante)
O Programa tem jantar e uma visita (guiada?) ao 1º Salão Internacional Erótico de Lisboa. Sim, porque sexo é cultura...
Mais informações e inscrições no a fundaSão.

Este post, por pura preguiça minha, foi indecentemente roubado aqui.

Oração das 03:05 PM | | Comentários (3)

junho 08, 2005

Camané em oeiras

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É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Corre-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

Escada sem corrimão

Canta: Camané
Letra: David Mourão Ferreira

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O Camané, que nasceu aqui em Oeiras, veio cantar às festas. Como gosto de fado (algum), como gosto do modo e do que ele canta, aqui ficam umas fotos e mais a letra de um dos fados que gosto. A propósito venham até cá. Vejam o programa das festas.

Oração das 10:42 PM | | Comentários (8)

junho 07, 2005

Graffiti - IX

"eu proprio faço graffits no porto e arredores e a minha opiniao é k as crews tao a crescer kada ves mais e devemos sempre apoiar a nossa cena nunca levei saco da bofia mas pk é k ei de levar eles n compreendem k isto é arte e bleza ppl deixo aki a msg vamos continuar a clorir o cinzento da selva urbana abraços pa tds os k apoiam a nossa cena"

comentário de Simak lpkrew ao post Graffiti - I

porque gosto de graffitis e da cultura subjacente. e porque fiquei verdadeiramente contente de receber este comentário. em breve publicarei mais uma série de graffitis que tenho fotografado por aí.

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Porque alguns comentários deram um seguimento interessante a este post, decidi colocá-los aqui:

do Fernando:

"Ora vamos lá então destoar do resto do ppl.

Eu até gosto de grafitis - não de todos, mas isso é como em qualquer outro tipo de pintura -, mas não gosto da cultura subjacente. E não gosto porque anexa a essa cultura está uma geração que não sabe ler nem escrever (e não falo sequer da esseémices). Quanto ao hip-hop, não é mais do que a "música" dos que, não sabendo escrever nem o que é uma nota musical, pensam que alinhavar duas frases seguidas sobre uma secção rítmica pobre é ser poeta e músico. Há excepções como em tudo, mas a regra é mesmo esta: letras mal feitas, gratuitamente violentas e uma falta de imaginação confrangedora.

E podem chamar-me reaccionário à vontade."

Do Charlie:

"Toda a cultura tem em si o gérmem da contra cultura. A intenção genética dos grafitis é a mesma que está na música Hip Hop. É o desejo de afirmação pela negativa, pela violência, como um rasgar que incomoda. Refletem sempre a ignorância a "incultura" a revolta e os ambientes marginais que são as da exclusão. Criam por si proprios outros valores, sempre contra-valores.
Quando os grafitis passam a ser obras de arte maior, deixam de ser grafitis.
Não gosto de grafitis. Gosto de obras de arte maior. Mas não basta o balde de cal para apagar as feridas abertas dos quais os grafitis são apenas as pustulas que mal ou bem pretendem sarar. É que entre a catarse de pinturas mal feitas, letras tortas ou o crime violento, prefiro de longe ver nas paredes e nos sons que naquelas mentes mora ainda uma restea de esperança de maos dadas com a arte. São como um grito: -Estamos aquí. Somos gente.-"

Da Encandescente:

"Bem... Destoando dos comentários do charlie e do fernando, eu diverti-me a ler as páginas dos "writers= quem pinta os graffs".E gostei da sonoridade e ritmo das palavras, que é o unico ritmo que entendo. E gostei deste!

Tava eu a bombar
Ka minha crew em karteira
Uns graffs mta cleans
Numa parede à maneira.
Tasse bem. Yo.
Chega um beto bué kurtido
Numa cena paneleira
Kos writters sujam de graffs
A merda da cidade inteira.
Fika rock. Yo.
Na stresses. Numa boa.
Disse eu ao bakano mta cool
Mas o mano era bófia
Abafou os bombis todos.
Curte largo. Yo.
Ppl
Buga bombar paredes
E clorir a selva cinzenta
A nossa cena é de peace
Os graffs arte e bleza.
Curte largo. Yo
Fikem rok. Yo
Tasse bem. Yo

Do Charlie (again):

@ Encandescente.
Não encontro destoar no teu comentário. Sem ser arte maior tem ritmo, tem afirmação, tem a sua dose de rebeldia e contra cultura, afinal a expressão de outros valores.
Tem a catarse pela positiva num desejo de mostrar-se como gente, com valores, que também tem direitos e sabe ser mais que um número a esconder debaixo dos tapetes das estatisticas e do mundo do Status.
Como disse, entre grafitis e o assalto, que venha o grafiti. Que saia Hip Hop.

Oração das 10:20 AM | | Comentários (9)

junho 06, 2005

Manifesto Anti-Jardim

JardimDormir

O Jardim não é flor que se cheire
O Jardim abre a boca e sai traque
O Jardim sofre de diarreia mental
O Jardim é um anormal.
O Jardim é Conselheiro de Estado
O Jardim é Presidente de um Governo Regional.
O Jardim dá pontapés na gramática
O Jardim dá pontapés na liberdade
O Jardim dá pontapés na democracia
O Jardim é um corta fitas
O Jardim só quer do continente... guita
O Jardim é uma anedota nacional.
O Jardim é Conselheiro de Estado
O Jardim é Presidente de um Governo Regional.
O Jardim gosta da dita...dura. A dele
O Jardim gosta da dita...mole. A dos outros
O Jardim enraba o Continente
O Jardim gosta de sexo anal.
O Jardim é uma aberração em democracia
O Jardim é um palhaço, é um embaraço
O Jardim é uma bufa e cheira mal.
O Jardim é Conselheiro de Estado
O Jardim é Presidente de um Governo Regional.
O Jardim chama bastardos, filhos da puta aos jornalistas
Quer castrar e calar a imprensa do Continente
Sabe que a imprensa dele cala e consente
O Jardim quer que os jornalistas lhe lambam as botas e beijem o cu.
O Jardim é um exemplo a seguir num país de cócoras
Um país de políticos moles, sem coluna vertebral.
Só um país com letra minúscula tem um Jardim!
Só um país com uma classe política minúscula atura um Jardim!
Se o país fosse maiúsculo
Se os políticos tivessem músculos no cérebro
Que é onde convém
Já lhe tinham dado um pontapé nos tomates
Já lhe tinham dado a independência!
Porque há limites e já não há paciência
Para este peido que empesta o ambiente
Que quando abre a boca chega o mau cheiro ao Continente
Para esta nódoa na politica nacional.
Chega de tanto disparate, tanto dislate, tanta ofensa
Aos portugueses que vivem no Continente
Quem não se sente não é filho de boa gente
E chamar bastardos e filhos da puta aos jornalistas
É um nojo. É impróprio. É indecoroso. É indecente
Porque o Jardim é Conselheiro de Estado!
Porque o Jardim é Presidente de um Governo Regional!

Encandescente

porque o Jardim é um nojo. obrigado à Encandescente pela coragem de chamar, literalmente, "os bois pelos nomes"

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do amigo OrCa

e não há quem desplante o desplante ao Jardim
que pegou de estaca e mata o mato bravo da ilha
que tinha nome Madeira - má doideira - e dura assim
nas mãos de um soba - um Alberto - roberto de pacotilha
que da mama se alimenta numa farsada chinfrim
de um estado que rebenta nas prebendas à pandilha
que de tão vil dá conchavo ao desconchavo Jardim
que nem de putas é filho... que nem elas são assim
bobo de cuecas pelota troca-tintas mascarilha
de zorra que a modorra da malta enche a pilim
e faz de uma bela ilha um antro onde um ogre brilha

Irra -c hiça - porra - basta! Não reguem mais tal Jardim!

Oração das 09:50 AM | | Comentários (11)

junho 05, 2005

retrato do herói

o fogo da palavra

Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar de morte certa.

Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denuncia fica alerta.

não é santo nem mártir

Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo nem mártir nem soldado
Mas apenas por último indefeso.

Homem é quem tombando apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.

José Carlos Ary dos Santos in Obra Poética

olhando o monumento aos mortos da guerra colonial

Oração das 12:10 AM | | Comentários (8)

junho 03, 2005

sem tempo

Há um banco de jardim

Há um velho
Sentado,
Cansado
De tentar acompanhar um tempo
Que não tem tempo
Para quem anda devagar.
Há aquele olhar
De quem olha para trás
Porque atrás está a vida
O futuro já o viveu.
Um velho sonha no passado
Sonha num tempo em que ria
Brincava
Havia ternura, carinho
Gestos que eram de amor.
Um velho anda curvado
Porque guarda em si uma história
Uma vida, toda a memória
E curvado, fecha o corpo
E curvado guarda o tempo
Fecha-se para nada perder
Nada esquecer, tudo guardar.
Há um velho
Sentado curvado
Olhar triste e cansado
Com uma história para contar
Antes que o tempo se acabe
Antes que o tempo o apanhe.
Há um velho num banco de jardim.
Há um banco de jardim
Quase vazio…

Poema da Encandescente

Oração das 10:27 AM | | Comentários (10)

junho 01, 2005

sem título

monstro que inventámos e nos fita

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

"Soneto" de Ary dos Santos

Oração das 08:44 PM | | Comentários (5)