« novembro 2005 | Entrada | janeiro 2006 »
dezembro 31, 2005
sem titulo

Oração das 11:08 PM | | Comentários (0)
poesia #1
Hora
Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.
E de novo caminho para o mar.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Oração das 05:50 PM | | Comentários (0)
da asneira #2

Foto: Jornalismo e Ciências da Comunicação
Apesar de todos os esforços feitos por diversas organizações e personalidades a Câmara Municipal de Lisboa decidiu avançar com a demolição da Casa Garrett em Campo de Ourique onde irá nascer mais um qualquer mamarracho ou condomínio para ricos. Diz a Câmara que "que a casa onde Almeida Garrett viveu os últimos anos da sua vida vai ser demolida por inviabilidade financeira da autarquia para adquirir o imóvel, reabilitá-lo e manter uma casa museu.". Extraordinário! Há dinheiro para gastar em tanta merda que não interessa para nada, mas não o há para a reabilitação dum espaço como este. Acrescente-se que a casa, em avançado estado de degradação, pertence ao actual Ministro da Economia, Manuel Pinho. Interessante, não é?
Fonte: TSF
Oração das 10:50 AM | | Comentários (0)
dezembro 30, 2005
Agradecimento
Ao blog "ao longe os barcos de flores" pela distinção.
Oração das 10:37 PM | | Comentários (0)
sem titulo

Oração das 07:03 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #10
- Gostas de mim?
Disse que sim.
- Gostas muito de mim?
Assegurou.
- Gostas mesmo muito de mim?
Confirmou.
- Gostas mesmo muito, muito de mim?
Reconfirmou.
- Gostas...
Estranhou o silêncio, o vazio da resposta. Quando abriu os olhos, viu-o a fugir dela. A fugir muito dela. A fugir mesmo muito dela. A fugir mesmo muito, muito dela. A fugir...
Augusto Baptista in Histórias de coisa nenhuma e outras pequenas significâncias
Oração das 10:37 AM | | Comentários (0)
dezembro 29, 2005
variações sobre reflexos em cemitério



Oração das 07:34 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #9
"A mentira iluminada pela inteligência tem um esplendor que a verdade não possui."
C. Drummond de Andrade
Oração das 11:06 AM | | Comentários (0)
dezembro 28, 2005
De novo a rua...
De novo a rua...
Desperta livre, em mim, sangue vadio,
corro vielas, respiro o rio,
falta-me a noite,
vivo a Lua!
É preciso esquecer, por mais que custe,
Rebentar de esquecimento!
Tragar a taça do veneno num momento,
sacudir o desengano e o embuste!
Esgotemos então o fel da amargura
e deixemos morrer a primavera...
Para quê ficar a vida à espera,
se o sonho está morto e não perdura...
E, por isso, bebamos companheiros!
Ao funeral dos ideais com que vivemos,
aos grandes projectos que perdemos,
aos miseráveis, aos amigos verdadeiros!
Manuel Filipe
Oração das 07:26 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #8
"Quem não quiser sofrer que se isole. Feche as portas da sua alma quanto possível à luz do convívio."
Pantaleão (F. Pessoa)
Oração das 10:46 AM | | Comentários (0)
dezembro 27, 2005
jardins de pedra
Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêm?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
"Devia morrer-se de outra maneira" de José Gomes Ferreira
Oração das 07:38 PM | | Comentários (0)
um ano depois

Foto: Lusa
Um ano depois do tsunami recorda-se os que se perderam. Referência especial ao extraordinário e impressionante documentário exibido pela RTP1 ontem à noite.
Oração das 09:15 AM | | Comentários (0)
dezembro 26, 2005
choques e massas lubrificantes

Ao preparar esta foto lembrei-me que os pára-choques (será assim que se chamam?) das carruagens estão normalmente cobertos por uma massa que permite que os embates entre as carruagens sejam amortecidos e não exista contacto directo de metal com metal. Ou seja a massa evita o desgaste dos materiais e a sua degradação.
Não me parecia má ideia que usássemos também uma qualquer espécie de massa lubrificante para “amaciarmos” os embates que temos no nosso dia a dia e evitarmos desgastes prematuros.
Oração das 08:27 PM | | Comentários (0)
Pink Floyd - melhor banda rock de sempre

Foto: BBC News
Os Pink Floyd foram considerados a melhor banda rock de sempre numa votação divulgada pela rádio na Internet Planeta Rock. A votação, em que participaram 58 mil pessoas, colocou os Led Zeppelin em segundo lugar, seguidos dos Rolling Stones, The Who e AC/DC. Entre o quinto e o décimo lugar situaram-se os U2, Guns N'Roses, Nirvana, Bon Jovi e Jimi Hendrix.
Fonte: Lusa
Não podia estar mais de acordo com a votação, pelo menos no que diz respeito ao primeiro lugar. E vá lá, ao segundo e ao terceiro. Depois fazia umas trocas.
Oração das 10:50 AM | | Comentários (24)
dezembro 25, 2005
Hurra! Acabou!
Acabou! Finalmente! Ao fim de 24 horas (quase) seguidas a encher o bandulho de bacalhau, carnes, fritos, bolos, tartes e afins e com restos que vão durar para quase uma semana acabou a maratona do Natal. Não sei se um ano de descanso será suficiente para recuperar de tamanha empreitada!
Oração das 11:53 PM | | Comentários (1)
O NORAD segue o Pai Natal...

Então não é que o NORAD segue em permanência o voo do Pai Natal durante a sua volta pelo mundo a distribuir presentes e até tem videos dos avistamentos! Em Portugal, por exemplo, foi avistado em "Portalegra" (!?) e nos Açores. Ora se eu soubesse disto ontem podia ter subido ao telhado e feito umas fotos porreirinhas do velhote a tentar entrar na chaminé. Nunca percebi como é que aquele barrigudo cabe naquele buraco minusculo...
Oração das 11:23 AM | | Comentários (0)
dezembro 24, 2005
X-Files no espaço

Foto: Hubblesite
O Hubble prova que eles "andem" aí...
Oração das 11:28 AM | | Comentários (0)
dezembro 23, 2005
going away

Oração das 07:41 PM | | Comentários (3)
Greenpeace vs "investigação científica" japonesa

Foto: Greenpeace

Foto: Yahoo News
Update, December 23: They're on the run! The fleet decided they'd had enough after we held them to only 8 whale kills yesterday, and did what they've always done: sailed off at speed to get away from us. But we had a surprise for them. The newest addition to our fleet, the Esperanza, is the first ship we've owned that can match their power. The ship is doing us proud and staying with them. The whalers have spent the last 24 hours running from Greenpeace rather than hunting whales.
One of the catcher boats is heading into Hobart, Australia, on a medical emergency, and our sincere hope is that they arrive quickly and safely. But once there, we hope the government of Australia can find easy, legal means to hinder their departure. All around the world, we've found that port authorities that wanted to make life difficult for Greenpeace could always find a way. It's time to give that treatment to the whalers.
Fonte: Greenpeace
Oração das 10:42 AM | | Comentários (0)
dezembro 22, 2005
outros mundos #4

Oração das 09:49 PM | | Comentários (0)
E ainda em relação ao Che...
Foto retirada do livro "Che - A Fotobiografia" de Christophe Loviny numa edição da Livros do Brasil
Porque as declarações do "caga sentenças cinzentão, mediocre e tacanho" aqui em baixo me irritaram profundamente.
Oração das 05:57 PM | | Comentários (3)
Da asneira #1
Foto: SIC
Líder do CDS chama assassino a Che Guevara
Ribeiro e Castro, considerou ontem "preocupante" que haja jovens que têm como ícone Che Guevara, "um dos grandes assassinos do final do século XX". O líder do CDS defendeu que "é importante que a esquerda se saiba libertar dessas suas referências tremendas de violência, crueldade e intolerância".
....
Parece-me que o "brilhante" líder do CDS/PP se esqueceu de tirar os óculos depois do eclipse e ainda está a ver o mundo através deles.
Oração das 10:33 AM | | Comentários (0)
dezembro 21, 2005
Soneto VI
En los bosques, perdido, corté una rama oscura
y a los labios, sediento, levanté su susurro:
era tal vez la voz de la lluvia llorando,
una campana rota o un corazón cortado.
Algo que desde tan lejos me parecía
oculto gravemente, cubierto por la tierra,
un grito ensordecido por inmensos otoños,
por la entreabierta y húmeda tiniebla de las hojas.
Pero allí, despertando de los sueños del bosque,
la rama de avellano cantó bajo mi boca
y su errabundo olor trepó por mi criterio
como si me buscaran de pronto las raíces
que abandoné, la tierra perdida con mi infancia,
y me detuve herido por el aroma errante.
Pablo Neruda in Cien sonetos de amor
Oração das 08:12 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #7
Acende também uma vela ao diabo - nunca se sabe a quem se agrada.
Provérbio russo
Oração das 10:12 AM | | Comentários (0)
dezembro 20, 2005
rosie
Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une - é estar ausentes.
Reinaldo Ferreira
Oração das 07:55 PM | | Comentários (1)
Pelourinho de madeira
Este blog foi distinguido pela academia do Praça da República com um Pelourinho de Madeira na categoria blog do ano nacional. À dignissima academia bem como ao seu Presidente, Nikonman, deixo aqui o meu agradecimento pelo prémio.
Oração das 09:44 AM | | Comentários (0)
dezembro 19, 2005
o gato
O gato é secreto.
Tece com calma o mistério do mundo.
O gato é elétrico.
Pura energia a percorrer a espinha.
O gato é orgulho.
Sem humildade, jamais se entrega.
O gato é desejo.
Atração pela lua e telhados.
O gato é sagrado.
Olho no olho que brilha.
....
Donizete Galvão
Oração das 08:06 PM | | Comentários (0)
Privatizado
Privatizaram sua vida
Seu trabalho
Sua hora de amar
E seu direito de pensar.
É da empresa privada
O seu passo em frente
Seu pão e seu salário.
E agora não contente querem
Privatizar o conhecimento
A sabedoria
O pensamento
Que só à humanidade pertence.
Bertold Brecht
Oração das 09:46 AM | | Comentários (0)
dezembro 18, 2005
Sonhos
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
....
Fernando Pessoa in Tabacaria
Oração das 07:41 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias (VI)
“Não há no mundo amor e bondade bastantes para que ainda possamos dá-los a seres imaginários.”
Nietzsche
Tela: Nietzsche por Edvard Munch
Oração das 10:41 AM | | Comentários (0)
dezembro 17, 2005
torres de vidro
Estamos sós
numa cidade de aventuras
cercados por torres que nos estranham
por trás de muros feitos de tantos medos
que espantamos a golpes de solidão
empunhando frágeis estandartes
com lanças de ferir moinhos
(eles que já só moem caminhos...)
e cavalgamos Rocinantes de misérias
por sonhos tíbios de inconstantes Dulcineias
em desesperos de nos julgarmos amantes
belos e irreais
como nas sombras chinesas
E assim vamos de um sonho a outro sonho
por mil quimeras de vertigens mal sentidas
umas vãs que nos são perto
longe são-nos outras loucas
e outras tantas tão perdidas
que somos sombras de nós mesmos
a percorrê-las feridos
Nem há outro perto nem há o longe
tenteando em cada pedra um novo dia
saberemos de nós a cada passo dado
a distância percorrida.
Jorge Castro (já compraram o livro?)
Oração das 07:50 PM | | Comentários (0)
Merecido

Foto: Lusa
O Prémio Pessoa com que Luis Miguel Cintra foi distinguido.
Oração das 10:58 AM | | Comentários (0)
dezembro 16, 2005
Diz a Gotinha e eu assino por baixo
Pôr os Pontos nos Is
"Ando a ficar um bocadinho farta com os plágios dos textos da Encandescente e dos que andam a circular por mail.
No Brasil o poema do Camões (que ilustra a capa do livro e que circula na net como sendo a análise do poema de uma aluna de 16 anos da Escola C+S da Rinchoa) saiu até nos jornais "Globo" e o Amazonas, além de inúmeros blogs, páginas de humor na net, foruns e mais porras.
Uma das "Cartas ao Pai Natal" até está no blog de apoio à candidatura de Cavaco Silva. Claro que não puseram as restantes cartas; só a que lhes convinha: a de Mário Soares. As cartas ao Pai Natal estão em todo o lado e aquele "Pai Nosso versão dread/Damaia/Cova da moura, etc" além de estar em muitos sítios também foi lido na sexta-feira na "Revolta dos Pastéis de Nata" na RTP2."
Oração das 06:14 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias (V)
Perda irreparável
Perdeu o cabelo, comprou peruca. Perdeu os dentes, adquiriu placa. Perdeu a mulher, casou de novo. Perdeu os filhos, fez outros tantos. Perdeu os sentidos, reanimou. Perdeu o comboio, foi despedido.
Augusto Baptista
Oração das 10:06 AM | | Comentários (0)
dezembro 15, 2005
Oh To Be a Dragon
If I, like Salomon, …
could have my wish -
my wish … O to be a Dragon,
a symbol of the power of Heaven - of silkworm
size or immense; at times invisible.
Felicitous phenomenon!
AH SER UM DRAGÃO
Se eu, como Salomão,
talvez conseguisse -
conseguisse ... ah ser um dragão,
símbolo do poder dos céus - imenso
ou pequenino; e às vezes invisível.
Prodigiosa aparição!
Arthur Mitchell
Oração das 07:33 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias (IV)
A parede de madeira adverte a letras incontornáveis, que é proibido estudar.
O dono, farol de balcão, retoma a ronda dos olhos de cinco em cinco minutos assegurando-se de que pelas mesas nos tem somente a conversar.
Acredita no conhecimento apenas através da experiência.
João Luís Barreto Guimarães
Oração das 09:45 AM | | Comentários (0)
dezembro 14, 2005
poema de outono
O vento soprou
Tão doce e sereno
Tocou-me ao de leve
Girou sentimentos
Dormentes, silentes
Que em voo rasante
Tocaram o chão
O fundo da alma
Fez-se de cor de ouro
Castanho ou laranja
Deu frutos já secos
De um doce amargo
Surgiu o Outono
No meu coração.
Oração das 07:52 PM | | Comentários (0)

É, sem dúvida, um dos melhores blogs de fotografia. Já votei nele!
Oração das 05:45 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias (III)
"Um dos aspectos da desigualdade é a singularidade - isto é, não o ser este homem mais, neste ou naquele característico, que outros homens, mas o ser tão-somente diferente dele."
Fernando Pessoa
Oração das 10:39 AM | | Comentários (0)
dezembro 13, 2005
regresso
Volto a casa,
com os olhos cansados de mortos
e negro das cinzas que caíram
de jardins incendiados.
Volto a casa,
Com a alma em farrapos, sem sorrir,
por todas as auroras que ruíram
e pelos restos de cravos decepados.
Volto a casa,
perdidos que foram os meus portos,
vergado pelas noites sem dormir.
Aguilhoado pelas traições da esperança,
quero cair num longo sono de criança,
que sufoque o desespero que me abrasa.
É com a dor dos derrotados,
que volto a casa.
Manuel Filipe
Oração das 08:33 PM | | Comentários (6)
dezembro 12, 2005
sem titulo
....
círculo sobre círculo
um dia serei árvore.
....
Extracto de um poema encontrado em http://insensatez.no.sapo.pt/poesia/arvore.htm
Oração das 07:46 PM | | Comentários (0)
dezembro 11, 2005
atira-te ao mar e diz que te empurrarem...
....
Mó tá o mar fêto num cão
Na há choc nem barbigão
E é na so mau pescador
Mai tu só queres é um cantor
Atira-te ao mar e diz que te empurrarem
Atira-te ao mar e diz que te empurrarem
Bêja-me na boca e chama-me Tarzan
Bêja-me na boca e chama-me Tarzan
....
Iris - Atira-te ao mar
Oração das 07:09 PM | | Comentários (2)
dezembro 09, 2005
estação

Oração das 11:08 PM | | Comentários (1)
dezembro 08, 2005
a ponte é uma passagem...
" ...A ponte é uma passagem
P'ra outra margem
Desafio pairando sobre o rio
A ponte é uma miragem..."
Jafumega in "Ribeira", lado B do Single "Dá-me Lume", 1980
Oração das 07:39 PM | | Comentários (1)
dezembro 07, 2005
variações#1

Oração das 08:00 PM | | Comentários (5)
dezembro 06, 2005
paraíso perdido
Que vens aqui fazer, espírito velho
de tudo o que foi perdido
e nunca mais achei?
Então...
ainda eu olhava o mundo
com meus olhos de manhãs azuis,
e nos lábios
havia ainda a ternura dos beijos moços
como a relva dos prados.
Foi mais tarde...
que a vida me entardeceu.
(Tardes enevoadas e frias,
abandonadas,
ermas
tristes como eu... )
Foi mais tarde...
que a tal desgraça se deu.
João José Cochofel
Oração das 08:07 PM | | Comentários (0)
dezembro 05, 2005
carta (esboço)
Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências de vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia
ser, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.
Nuno Júdice
Oração das 07:59 PM | | Comentários (2)
dezembro 04, 2005
ilha dos amores
Reinventaremos tu e eu o paraíso
Cantaremos do amor novas palavras
Do chão brotarão frutos e flores
Seremos de Camões a Ilha dos Amores
Eros, Vénus prestar-nos-ão vassalagem.
Estrelas brilharão para nos verem
Cadentes incendiarão céu e paisagem
E escrito a fogo ficará o momento
Em que sendo um tão grandes fomos
Que do chão brotaram frutos e flores
E de Camões a Ilha dos Amores
Paraíso perdido renasceu.
Oração das 07:18 PM | | Comentários (0)
dezembro 03, 2005
haiku
Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.
De que árvore florida
Chega? Não sei.
Mas é seu perfume.
Bashô Matsuo (1644–1694)
Oração das 08:03 PM | | Comentários (5)
dezembro 02, 2005
le petit commerce
J'ai vendu du mouron
Mais ça n'a pas marché
J'ai vendu des cravates
Les gens étaient fauchés
J'ai vendu des ciseaux
Et des lames de rasoir
Des peignes en corozo
Des limes et des hachoirs
J'ai essayé les fraises
J'ai tâté du muguet
J'ai rempaillé des chaises
Réparé des bidets
Je tirais ma charrette
Sur le mauvais pavé
J'allais perdre la tête
Mais j'ai enfin trouvé
Je roule en Cadillac dans les rues de Paris
Depuis que j'ai compris la vie
J'ai un petit hôtel, trois domestiques et un chauffeur
Et les flics me saluent comme un des leurs
Je vends des canons
Des courts et des longs
Des grands et des petits
J'en ai à tous les prix
Y a toujours amateur pour ces délicats instruments
Je suis marchand d'canons venez me voir pour vos enfants
Canons à vendre !
....
Boris Vian
Oração das 07:31 PM | | Comentários (1)
dezembro 01, 2005
ninhos
As noites são ninhos escondidos
do predador, esferas de algodão
azul onde nos enrolamos a pensar.
E há noites de varandas suspensas
sobre o oceano das estrelas.
Há noites de luz mais intensa no
rodar indiferente dos faróis.
Há noites de mais mar e mais rumor
e mais rimar da palavra dor.
Há noites de mais vogar no lago
imenso do prazer. Há noites
de sereno estar no cume de um
vulcão que vai explodir. Há noites
também assim de um bem estar
sem razão de existir. Mas nada existe
porque sim. E eu sei donde vem este
calor; Aves voaram de mim para
tão longe; Mas o seu ninho ficou,
quente e doce.
Oração das 07:56 PM | | Comentários (1)