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fevereiro 28, 2006
#37

Oração das 08:03 PM | | Comentários (0)
É Carnaval...

e as máscaras de Veneza são a única coisa bela que ele nos traz.
Oração das 11:35 AM | | Comentários (9)
fevereiro 27, 2006
#36

Oração das 07:35 PM | | Comentários (0)
poesia #27
Pedro Tamen
Um fado: Palavras minhas
Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...
Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.
Pedro Tamen
Oração das 02:56 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #34
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
Brecht
Oração das 10:16 AM | | Comentários (0)
fevereiro 26, 2006
Da blogosfera
Tinha jurado a mim próprio que nunca iria escrever sobre a blogosfera. Em primeiro lugar porque não faz o meu estilo divulgar julgamentos de valor sobre posicionamentos, atitudes, qualidade ou falta dela. E digo divulgar porque fazê-los é inevitável mas, normalmente, não os expressamos porque não queremos ferir susceptibilidades e gostamos de nos manter “socialmente correctos”, seja lá isso o que for. Em segundo lugar porque os objectivos e a linha que tenho tentado manter no Catedral não passam por aí.
Mas, há sempre porras de mas que se metem pelo meio, um pequeno “fait-divers” que aconteceu ontem foi a chamada gota de água que me fez decidir despejar cá para fora todo o líquido que o copo já continha. Vamos portanto a isto.
Em conversas com pessoas ligadas ao “meio blogosférico” sempre fui contra a divisão dos blogs em categorias ou campeonatos ou ligas ou o que fosse. Nunca me senti muito convencido da minha argumentação (já estou a ver o sorriso de orelha a orelha dessas pessoas…) mas incomoda-me a ideia de “classificar” blogs ou as pessoas que os mantém. Aliás o meu problema estava mesmo nas pessoas e não nos blogs em si. Mas a realidade é que há diferenças e muito grandes entre a qualidade, o posicionamento, os objectivos, as atitudes.
A comunidade “blogueira” divide-se, regra geral, em grupinhos que funcionam mais ou menos em circuito fechado e que se auto-alimentam. Ou seja o Zé, o Manel, a Maria e a Francisca formam um grupo que se comenta entre si, que, com muita frequência, transforma os blogs em autênticos chats e que fundamentalmente acabam por escrever uns para os outros. Depois há elementos desse grupo, por exemplo o Manel e a Maria, que se integram também noutro e que acabam por estabelecer uma relação entre os dois grupos. E por aí fora. Os grupos são de diversos tipos.
Temos aqueles em que os conteúdos (está na moda falar de conteúdos) são do tipo “hoje acordei com uma dor no dedo grande do pé” e provocam de imediato uma onda de solidariedade pelo referido dedo dos outros elementos do grupo. Ou em que se coloca uma fotografia de uma inscrição na areia a dizer “eu amo-te” e o post tem 250 comentários a elogiar a sua extrema qualidade. Ou ainda aqueles que, face a um acontecimento grave na vida pessoal e real do autor, têm como primeira reacção vir ao blog escrever um post expondo a sua vida privada (que assim se devia manter) aos olhos de toda a gente e provocando também uma onda de solidariedade. Interessante como é bom de ver. Normalmente muitos dos participantes destes grupos têm também como hábito visitar 300 blogs por dia deixando comentários do tipo “que lindo poema sobre o amor”, e este já é um comentário elaborado para o habitual, quando o autor estava a lamentar-se da morte da tia ou qualquer coisa do género. São as chamadas visitas sociais que se espera evidentemente que sejam retribuídas sendo esta “troca de mimos” a única razão delas existirem porque, regra geral, quem as faz não está minimamente interessado no que o outro editou. São visitantes assíduos também de blogs do tipo do Murcon (perdão Professor, o Senhor não tem culpa nenhuma) onde deixam comentários, poemas e toda a espécie de disparates que lhes vem à cabeça na esperança de uma referência, por mínima que seja, do autor. Nestes grupos englobam-se os comentários mais deliciosos – do tipo Corin Tellado. Normalmente conhecidos como “lambidelas” dirigidas para o engate virtual. Consistem em palavras que comentam não o post em si (que pode ser de boa ou má qualidade, não interessa) mas o/a autor/a ou misturam as duas coisas. Género muito abundante. São pessoas (não nos esqueçamos que são pessoas reais que estão atrás dos virtuais blogs) que, de um modo geral, já nem distinguem a vida real da virtual. Ou que até invertem as coisas – a sua vida real passa a ser a virtual. E que normalmente se esquecem (ou nem se preocupam sequer com isso) que ao tomarem determinadas atitudes, sejam elas de engate ou do que for, podem estar a prejudicar gravemente a vida real de outros. E estas são as mais “soft”. Porque depois temos aquelas, não são tão poucas, que utilizam deliberadamente os blogs e todo o mundo que os circunda (msn por exemplo) para se empenharem dedicadamente na tarefa de lixar com ph de pharmácia a vida real do próximo. E aqui temos um campeonato, não necessariamente fechado, que reconheço que existe.
Outro grupo há, que quase se poderia chamar dos peixes piloto, que se alimenta do que os outros blogs produzem. Ou seja compensam a falta de criatividade e de imaginação pela utilização do trabalho dos outros referindo ou não a autoria do que foram buscar. Aqui há que estabelecer uma diferenciação entre aqueles blogs que uma vez por outra utilizam trabalhos de terceiros porque consideram que são de boa qualidade e os querem divulgar, o que é perfeitamente legítimo e saudável, e aqueles que o fazem sistematicamente sem qualquer critério. Não consigo sequer estabelecer uma classificação para este grupo. Não se enquadra em nada.
Temos também o grupo daqueles blogs que se divertem de um modo saudável e sem preconceitos com os mais diversos assuntos e dos quais destaco, sem favor, a funda São. Quem os frequenta diverte-se sem segundas nem terceiras intenções sem chatear aqueles que apenas pretendem estar aqui para fazer e partilhar qualquer coisa que gostam.
O grupo daqueles que também apenas pretendem mostrar aquilo que fazem como hobby ou noutra qualidade qualquer e apreciar e aprender com o que outros editam e o fazem de um modo honesto também sem se meter na vida de terceiros é multi-facetado e poderiam ser englobados, consoante a qualidade, em diversos campeonatos.
Por ultimo temos o grupo dos blogs políticos. Sejam eles de jornalistas (em franca proliferação), de grupos políticos ou de cidadãos comuns que querem aproveitar os blogs para dar a conhecer as suas opiniões e análises. É um grupo muito heterogéneo onde se pode encontrar de tudo. Desde o muito bom (referência fundamental, o Jumento) até ao péssimo.
E fico por aqui. Não é uma análise exaustiva. Nem sequer uma análise. É mais um desabafo. Escrito de um fôlego sem preocupações de estilo. Também não sou escritor nem tenho pretensões a tal. Quem gostar gosta, quem não gostar tem bom remédio – tem os comentários abertos e pode dizer o que pensa ou tão simplesmente salta para outro blog e não volta cá.
Pergunta do leitor – e o teu, onde se encaixa? Francamente não sei. Sei que apenas pretendo mostrar aquilo que faço ao nível da fotografia, divulgar escritores ou pintores ou ilustradores de que gosto, apoiar causas que considero justas. Comento se e quando me apetece ou tenho tempo e gosto do que vi ou li. Não espero também que me comentem nem vivo fixado nos números de visitas. E tenho, por vezes, como hoje, uma vontade enorme de carregar no “delete blog” ou de nunca ter entrado nisto tudo. Mas como penso que se calhar me iria arrepender depois, prefiro meter cá fora isto que me estava a encher, esfriar a cabeça e depois tomar decisões.
E agora pessoal é cascar à vontade que eu pus-me a jeito e isto não acontece todos os dias.
Oração das 05:49 PM | | Comentários (11)
Telas #14

Abel Manta - Lisboa e o Tejo
Oração das 11:28 AM | | Comentários (0)
fevereiro 25, 2006
#35

Oração das 07:12 PM | | Comentários (0)
Canções #6
Romaria
É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamento
Sobre meu cavalo
É de laço e de nó
De jibeira ou jiló
Dessa vida
Cumprida à sol
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, e joguei
Investi, desisti
Se há sorte, eu não sei, nunca vi
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir em
Romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Poema de Renato Teixeira. Canta Elis Regina
Oração das 11:24 AM | | Comentários (0)
fevereiro 24, 2006
#34

Oração das 08:47 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #33
«Os grandes só nos parecem assim porque estamos de joelhos... ergamo-nos»
Prudhomme in «Revolução de Paris»
Oração das 09:49 AM | | Comentários (0)
fevereiro 23, 2006
#33

Oração das 08:17 PM | | Comentários (1)
Zeca Afonso
Traz outro amigo também
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
Ao Zeca, uma das minhas grandes referências, neste dia em que se passam 19 anos sobre o seu desaparecimento.
Oração das 03:32 PM | | Comentários (0)
Telas #13

Frida Kahlo - A coluna partida, 1944
Relembrando que está a decorrer no Centro Cultural de Belém uma exposição das principais obras desta pintora.
Oração das 09:58 AM | | Comentários (0)
fevereiro 22, 2006
#32

Oração das 08:20 PM | | Comentários (0)
poesia #26
Lápide
Quando eu morrer e tu ficares sozinha,
longe do bafo quente do meu corpo,
tu, a quem eu amei, sei lá por vingança
de Deus,
nessa hora,
olha serenamente a nossa história inútil
e chora...
Rega de pura mágoa a flor do «nunca mais»
(sequer ao menos a flor do «nunca mais»)
e depois morde o chão seivado e semeado
do místico perfume do meu sexo
sepultado...
Miguel Torga - Lápide
Oração das 03:21 PM | | Comentários (1)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #32
«Como, corrupta a raiz, não podem rebentar nem frutificar os ramos, assim violada a justiça não pode florescer a paz, nem dar fruto de bem comum.»
Frei Amador Arrais, Diálogo V
Oração das 09:54 AM | | Comentários (0)
fevereiro 21, 2006
#31

Oração das 08:02 PM | | Comentários (0)
A falsa suicida

...
Ofélia, rapariga porno, fala de dentro de uma cabine de peep-show.
...
OFÉLIA
Nós, as mulheres nuas somos como os mortos. Ninguém consegue deixar de nos olhar. Que terão os nossos mamilos e o monte peludo do nosso ventre? Que coisa fatídica. Irremediável. Que pestilência. E que terão os olhos que olham, olham. Se não estou morta não tenho outro remédio senão estar nua. Estou nua porque não estou morta. Naquele dia estava prestes a matar-me e sem cuequinhas. Sem cuequinhas. Foi aí que comecei a trabalhar. Todas as cabecinhas a olharem para mim. Exactamente como agora. Cabecinhas. Uma moeda, outra, outra, outra, olha para mim, masturba-te, mete moedas até que fique nua de tudo e tu fiques com a mão suja, olha para mim, masturba-te, olha-me nua para que perca a vergonha quando entrar na sala de autópsias.
...
Angélica Liddell - A falsa suicida - Edições do buraco, 2005 - Fotografia da capa de Mariana Castro
Um agradecimento especial ao Alberto Augusto Miranda por me dar a conhecer esta autora e esta fantástica fotógrafa.
Oração das 04:07 PM | | Comentários (0)
Telas #12

Pieter Breugel - O triunfo da morte (aprox. 1562)
Oração das 09:47 AM | | Comentários (0)
fevereiro 20, 2006
Da revista Vértice #6
Os frutos
digo-te àvidamente
que todos os frutos são gerados
por nossas mãos
falo-te da raiva com que fazemos os dias
é novembro
e a chuva tem um mosto forte
sobre a urgência dos gestos
José Manuel Mendes in Vértice nº 339 de Abril 1973
Oração das 02:31 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #31
Nada é menos são para o homem e para os povos que a ilusão: ela suprime o esforço, cega, é a vaidade dos fracos.
Zola - Discurso aos estudantes, Maio de 1893
Oração das 09:42 AM | | Comentários (0)
fevereiro 19, 2006
Branco e Vermelho







Vale a pena ir lá ver o espectáculo. Ver o programa aqui ou aqui no Incomunidade.
Oração das 11:52 PM | | Comentários (0)
Telas #11

José Malhoa - Praia das Maçãs, 1918
Oração das 11:16 AM | | Comentários (0)
fevereiro 18, 2006
#30

Oração das 07:30 PM | | Comentários (0)
#29

Oração das 07:28 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #30
Mesmo à frente do Café deixaram crescer um jardim onde pela voz dos pássaros podemos adivinhar, o nome certo das aves ocultas pelos ramos.
Uma vez que de piscos e pardais está bem servido, deixemos que da mão do poeta para lá voe e fassa ninho, este cazalinho de gralhas.
João Luís Barreto Guimarães in Lugares Comuns
Oração das 11:36 AM | | Comentários (0)
fevereiro 17, 2006
#28

Oração das 07:51 PM | | Comentários (1)
poesia #25
Five o'clock tear
Coisa tão triste aqui esta mulher
com seus dedos pousados no deserto dos joelhos
com seus olhos voando devagar sobre a mesa
para pousar no talher
Coisa mais triste o seu vaivém macio
p'ra não amachucar uma invisível flora
que cresce na penumbra
dos velhos corredores desta casa onde mora
Que triste o seu entrar de novo nesta sala
que triste a sua chávena
e o gesto de pegá-la
E que triste e que triste a cadeira amarela
de onde se ergue um sossego um sossego infinito
que é apenas de vê-la
e por isso esquisito
E que tristes de súbito os seus pés nos sapatos
seus seios seus cabelos o seu corpo inclinado
o álbum a mesinha as manchas dos retratos
E que infinitamente triste triste
o selo do silêncio
do silêncio colado ao papel das paredes
da sala digo cela
em que comigo a vedes
Mas que infinitamente ainda mais triste triste
a chávena pousada
e o olhar confortando uma flor já esquecida
do sol
do ar
lá de fora
(da vida)
numa jarra parada
Emanuel Félix in «A Palavra O Açoite»
Oração das 02:49 PM | | Comentários (0)
Canções #6
Canção com lágrimas
Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada
Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema
Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro
Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio
Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
Poema de Manuel Alegre
Clique aqui para ouvir.
Oração das 09:12 AM | | Comentários (0)
fevereiro 16, 2006
#27




Oração das 08:06 PM | | Comentários (0)
O encontro

...
Claro que as mulheres têm poderes que excedem em muito os dos comuns dos mortais.
No outro dia uma mulher deixou uma mensagem no meu atendedor de chamadas, numa voz sussurrada e por entre alguns suspiros. E não interessa o que a mulher diz; se a voz é sussurrada torna-se logo atraente. Imaginem uma hospedeira de bordo a debruçar-se para nos dizer ao ouvido: «Importa-se de pôr o cinto? Estamos prestes a despenhar-nos contra uma montanha.» Eu cá diria: «A sério? Então o que é que faz logo à noite junto à fuselagem destruída? Que tal se nos encontrássemos ao pé da caixa negra para comermos uns amendoins? Eu levo as almofadas.»
...
Jerry Seinfeld in Linguagem Seinfeld
Oração das 02:35 PM | | Comentários (0)
Telas #10

Hieronymous Bosch - As tentações de Santo António (aprox. 1501) - Painel central do tríptico exposto no Museu Nacional de Arte Antiga
Oração das 09:32 AM | | Comentários (0)
fevereiro 15, 2006
#26


Oração das 08:19 PM | | Comentários (0)
poesia #24
SONETO XCII
Amor mío, si muero y tú no mueres,
no demos al dolor más territorio:
amor mío, si mueres y no muero,
no hay extensión como la que vivimos.
Polvo en el trigo, arena en las arenas
el tiempo, el agua errante, el viento vago
nos llevó como grano navegante.
Pudimos no encontrarnos en el tiempo.
Esta pradera en que nos encontramos,
oh pequeño infinito! devolvemos.
Pero este amor, amor, no ha terminado,
y así como no tuvo nacimiento
no tiene muerte, es como un largo río,
sólo cambia de tierras y de labios.
Pablo Neruda
Oração das 02:30 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #29
«Embora o número de carneiros aumente dia a dia, nem por isso o preço da lã baixou.»
Thomas Moore (Utopia)
Oração das 08:30 AM | | Comentários (0)
fevereiro 14, 2006
#25


Oração das 07:53 PM | | Comentários (0)
Da revista Vértice #5

O Bidé
Quando, sobrevoando os Alpes, o meu vizinho falou de sua recente visita ao Paquistão, expus-lhe o que pensava da arrasadora explosão demográfica e de seus inconvenientes. É vital, disse-lhe eu, encontrar soluções lúcidas e colectivas.
- Cada ser que nasce é um consumidor em potência, argumentou o meu vizinho. Eu sou a favor da explosão demográfica. Que rebentem mas comprem.
Conheço este tipo de indivíduo. Sua vocação é o monólogo. Devolvo-o ao silêncio que ele próprio quebrou. Se eu lhe provar o absurdo da sua posição, vai esquivar-se e dizer-me:
- Mudando de assunto: você sabe que quase todos os gatos siameses são estrábicos?
E se eu mandar ao diabo o estrabismo dos gatos siameses e lhe garantir que o que me interessa é que a humanidade não seja estrábica, talvez arranque dele alguma frase inesperada:
- A propósito de bichos: os pinguins fazem uma grande confusão com os sexos. Às vezes, dois machos namoram-se durante semanas. Quando descobrem o equívoco ficam furiosos.
Penso no homem que me falou do Paquistão, agora que estou longe dos Alpes, em terra firme, na América Latina. O dono do hotel entrou e pediu uma cerveja. Está visivelmente nervoso. Seu filho, um jovem espigado, chega logo a seguir e ele gesticula:
- Sabes? A mulher da limpeza do sexto andar lavava as vidraças quando caiu...
- Caiu?
- Sim. Caiu para o lado de dentro, em cima do bidé e quebrou...
- Quebrou o bidé?
- Não, quebrou a perna.
- Ah! Pensei que fosse o bidé! - exclamou o filho.
E teve um suspiro de alívio.
Sidónio Muralha in Vértice nº 353 de Julho de 1973
Oração das 02:42 PM | | Comentários (0)
Telas #9

Max Ernst - A tentação de Sto. António, 1945
Oração das 08:50 AM | | Comentários (0)
fevereiro 13, 2006
#24


Oração das 08:26 PM | | Comentários (0)
poesia #23
Vaidosa
Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.
Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério.
Chamam-te a bela imperatriz das fátuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração como as estátuas.
E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.
Porém eu sei que tu, que como um ópio
Me matas, me desvairas e adormeces,
És tão loira e doirada como as messes,
E possuis muito amor... muito amor próprio.
Cesário Verde
Oração das 03:11 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #28
Quando pintais heróis, fazeis o que vos apetece. São retratos de fantasia, em que não se procura qualquer semelhança, e não há mais do que seguir os voos de uma imaginação que divaga e muitas vezes troca o verdadeiro pelo maravilhoso. Mas quando pintais homens, é preciso fazê-lo do natural. Pretende-se que esses retratos se pareçam; e nada haveis conseguido se neles se não reconhecer a gente do vosso século.
Moliére - A Crítica da Escola das Mulheres - Cena VI
Oração das 09:35 AM | | Comentários (0)
fevereiro 12, 2006
Fidelidade
Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?
Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.
Jorge de Sena
Oração das 08:11 PM | | Comentários (0)
Telas #8
Paula Rego - Retrato de Germaine Greer, 1995
Oração das 11:30 AM | | Comentários (0)
fevereiro 11, 2006
Paz de espírito

Para quem quiser alcançar um pouco de paz de espírito recomendo uma visita ao Jardim Tropical em Belém. Podem-se apreciar bonitos lagos...

sentarmo-nos debaixo de uma árvore da mesma espécie daquela em que Buda se sentou...

ver pequenos cursos de água...

entrar na tranquilidade de um jardim oriental...

ou observar exemplares de árvores centenárias. A não perder.
Oração das 06:55 PM | | Comentários (0)
Canções #5
Who Wants To Live Forever
There's No Time For Us
There's No Place For Us
What Is This Thing That Builds Our Dreams Yet Slips Away From Us
Who Wants To Live Forever?
Who Wants To Live Forever?
There's No Chance For Us
It's All Decided For Us
This World Has Only One Sweet Moment Set Aside For Us
Who Wants To Live Forever?
Who Wants To Live Forever?
Who Dares To Love Forever?
When Love Must Die
But Touch My Tears With Your Lips
Touch My World With Your Fingertips
And We Can Have Forever
And We Can Love Forever
Forever Is Our Today
Who Wants To Live Forever?
Who Wants To Live Forever?
Forever Is Our Today
Who Waits Forever Anyway?
Escrito por Brian May. Cantam os Queen
Oração das 10:15 AM | | Comentários (0)
fevereiro 10, 2006
#23

Esta é dedicada a dois alentejanos que muito estimo e respeito.
Oração das 08:25 PM | | Comentários (0)
poesia #22
Las seis cuerdas
La guitarra,
hace llorar a los suenos.
El sollozo del as almas
perdidas,
se escapa por su boca
redonda.
Y como la tarantula
teje una gran estrella
para cazar suspiros,
que flotan en su negro
aljibe de madera.
Frederico Garcia Lorca
Oração das 03:48 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #27
Construirão casas e habitarão nelas; plantarão vinhas e comerão o seu fruto.
Não lhes acontecerá construir casas para um outro as habitar; nem plantar vinhas de que um outro coma o fruto...
Bíblia - Velho Testamento - Isaías, LXV, 21-22
Oração das 10:00 AM | | Comentários (0)
fevereiro 09, 2006
Em legítima defesa
Sei hoje que ninguém antes de ti
morreu profundamente para mim
Aos outros foi possível ocultá-los
na sua irredutível posição horizontal
sob a capa da terra maternal
Choramo-los imóveis e voltamos
à nossa irrequieta condição de vivos
Arrumamos os mortos e ungimo-los
São uma instituição que respeitamos
e às vezes lembramos celebramos
nos fatos que envergamos de propósito
nas lágrimas nos gestos nas gravatas
com flores e nas datas num horário
que apenas os mate o estritamente necessário
mas decerto de acordo com um prévio plano
tu não só me mataste como destruíste
as ruas os lugares onde cruzámos
os nossos olhos feitos para ver
não tanto as coisas como o nosso próprio ser
A cidade é a mesma e no entanto
há portas que não posso atravessar
sítios que me seria doloroso outra vez visitar
onde mais viva que antes tenho medo de encontrar-te
Morreste mais que todos os meus mortos
pois esses arrumei-os festejei-os
enquanto a ti preciso de matar-te
dentro do coração continuamente
pois pressegues de pé sobre este solo
onde um por um perigo os meus fantasmas
e tu és o maior de todos eles
não suporto que nada haja mudado
que nem sequer o mais elementar dos rituais
pelo menos marcasse em tua vida o antes e o depois
forma rudimentar de morte e afinal morte
que por não teres morrido muito mais tenhas morrido
Se todos os demais morreram de uma morte de que vivo
tu matas-me não só rua por rua
nalguma qualquer esquina a qualquer hora
como coisa por coisa dessas coisas que subsistem
vivas mais que na vida vivas na imaginação
onde só afinal as coisas são
Ninguém morreu assim como morreste
pois se houvesse morrido tudo estava resolvido
Os outros estão mortos porque o estão
Só tu morreste tanto que não tens ressurreição
pois vives tanto em mim como em qualquer lugar
onde antes te encontrava e te possa encontrar
e ver-te vir como quem voa ao caminhar
Todos eram mortais e tu morreste e vives sempre mais
Ruy Belo
Oração das 08:21 PM | | Comentários (1)
Telas #7

Edvard Munch - Ashes, 1894
Oração das 09:32 AM | | Comentários (0)
fevereiro 08, 2006
#22

Trabalho sobre foto da II guerra mundial
Oração das 08:15 PM | | Comentários (0)
poesia #21
Acordar, viver
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
Carlos Drummond de Andrade
Oração das 02:44 PM | | Comentários (0)
Telas #6

Claude Monet - Soleil levant
Oração das 09:19 AM | | Comentários (0)
fevereiro 07, 2006
As facas
Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.
Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas
E em cada assalto sou assassinado.
Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Manuel Alegre
Oração das 08:35 PM | | Comentários (0)
Da revista Vértice #4
O funeral
No teu funeral
em todas as corolas de todos os lírios
a lua vestida de negro,
levava a tua alma num cravo verde.
E os sinos de Granada
repicavam silêncio no bronze que diria.
E a lua quis mais,
vestida de negro, num manto negro,
que ia e roçava a eternidade,
deitou-se no chão
para no teu coração
não ser tão grande a saudade.
E uma flor de nardo tua amiga
perumou a tua cova
com o perfume oferecido por todos os nardos do mundo.
E os sinos de Granada dum bronze que vive
por teu sangue, repicam silêncio...
E a tua jaca negra
como um cuchilo
ainda hoje corta o ar
com uma virgem nua,
vestida de luar
e nua do luar da tua poesia!
... Em todas as corolas de todos os lírios
a lua toda vestida de negro.
António de Navarro in Vértice nº 50 de Setembro de 1947
Oração das 02:31 PM | | Comentários (0)
Canções #4
O sopro do coração
Sim, o amor é vão
É certo e sabido
Mas então (Porque não)
Porque sopra ao ouvido
O sopro do coração
Se o amor é vão
Mera dor mero gozo
Sorvedouro caprichoso
No sopro do coração
No sopro do coração
Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão
Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras
Corto em dois limão
Chego o ouvido
Ao frescor
Ao barulho
À acidez do mergulho
No sangue do coração
Pulsar em vão
É bem dele É bem isso
E apesar disso eriça a pele
O sopro do coração
O sopro do coração
Mas nisto o vento sopra doido
E o que foi do
Corpo no turbilhão
Sopra doido
E o que foi do
Corpo alado
Nas asas do turbilhão
Nisto já nem de ar precisas
Só meras brisas
Raras
Letra de Sérgio Godinho. Cantam os Clã
Oração das 09:25 AM | | Comentários (0)
fevereiro 06, 2006
#21

Oração das 08:16 PM | | Comentários (0)
poesia #20
Iniciação
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
...
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiran-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
...
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stás morto, entre ciprestes.
...
Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa
Oração das 02:58 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #26
A mesa do casal de idosos guarda agora apenas um. Está vestido de negro, e eu não consigo evitar a imagem da mulher a seu lado, servindo-lhe chá e torradas ou aparecendo atrasada, repetindo como há anos o fiel toque de lábios, desculpando-se num sorriso pela demora na quermesse.
Agora é apenas ele quem cumpre o ritual das torradas, que barra e pousa num prato frente ao fantasma dela. Alguém lhe vai ter que dizer que ela já foi à frente. Alguém lhe vai ter que lembrar que é ele quem está atrasado.
João Luís Barreto Guimarães in Lugares comuns
Oração das 08:59 AM | | Comentários (0)
fevereiro 05, 2006
#20

Oração das 08:24 PM | | Comentários (0)
Telas #5

Amadeo de Souza Cardoso
Oração das 11:52 AM | | Comentários (0)
fevereiro 04, 2006
#19

Oração das 08:06 PM | | Comentários (0)
Canções #3
No teu poema
No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.
José Luis Tinoco. Canta Carlos do Carmo
Oração das 11:24 AM | | Comentários (0)
fevereiro 03, 2006
#18

Oração das 06:50 PM | | Comentários (0)
Da revista Vértice #3
Eternidade viva
O cavalo branco galopa na noite e traz a lua enredada nas crinas
e de música e de tempo a vir
e a amazona que o cavalga veste de negro
e nua, musical e nua,
deixando a sua sombra gravada
na sombra dos espinheiros, coroados de flores e de espinhos,
nos tojos e silvas,
e no sono dos que dormem acordados,
e na alma síntese que enche o mundo,
brinca com uma estrela
toda feita de pirilampos,
maior que ela e igual à vida,
ao silêncio que vagueia, ensina
- que a luz nos olhos dum cego
é uma cegueira maior ainda,
uma cegueira assassina!
... Mas o cavalo branco que galopa na noite já traz a luz duma lua futura.
António de Navarro in Vértice nº 50 de Setembro de 1947
Oração das 02:51 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #25
Olha para o rabo da mulher, pensa:
- É hoje!...
Sorrateiramente, por trás, zás!... Corta-lho rente, com a faca da cozinha!
Augusto Baptista in Histórias de coisa nenhuma e outras pequenas significâncias
Oração das 09:15 AM | | Comentários (0)
fevereiro 02, 2006
#17

Oração das 07:49 PM | | Comentários (0)
poesia #19
Não há castigo infinito. Não há dor infinita.
Um dia a gente termina para começar,
começa para terminar,
refaz o percurso como se nada tivesse acontecido antes.
Deixe-me apenas uma cadeira de palha,
amarela,
para olhar com piedade o que fui
e me deslumbrar com as ruínas
Oração das 03:03 PM | | Comentários (0)
Telas #4

Van Gogh - Starry Night, 1889
Oração das 10:39 AM | | Comentários (0)
fevereiro 01, 2006
#16

Oração das 06:45 PM | | Comentários (4)
poesia #18
O homem em eclipse
Ora foi que certo dia
o homem eclipsou-se
a data digam a data
a datazinha faz favor
qual data foi por decreto
que a gente se eclipsou
foi só manobra espertice
um dois três e pronto é noite
que nem a lua apareça
seja de que lado for
Uns seguraram-se logo
eram espertos bem se viu
outros cairam ao mar
com cabeça pernas e tudo
quanto a mim perdi a calma
fiquei desaparafusado
tradição cultura estilo
certeza amigos fatiota
tudo fora do seu sítio
um desaparafuso terrível
Segurem-me camaradas
sinto pernas a boiar
cheiro fantasmas enxofre
estou aqui mas posso voar
o parafuso da língua
vai partido vai saltar
agarrem-me! agarra!
pronto
pari o mais leve que o ar
Mário Cesariny
Oração das 02:30 PM | | Comentários (2)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #24
O homem está acima do cidadão. Não há Estado que valha Shakespeare.
Fernando Pessoa
Oração das 08:51 AM | | Comentários (0)