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abril 30, 2006
#88

Desfile comemorativo do 25 de Abril - Avenida da Liberdade - Lisboa
Oração das 07:56 PM | | Comentários (2)
Jantar comemorativo 25 de Abril

Joana Amaral Dias
Mais algumas fotos adicionadas no Catedral II
Oração das 12:11 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #56
A morte do artista
A mulher descalça estendeu na relva uma toalha líquida e sentou-se, à margem. Nas mãos claras, uma garrafa guardava já a mensagem pungente, desenlace escrito em papel mortalha. Um passarinho esmaecia a tarde num gorjeio roxo. Foi quando o trapezista amarrou a corda ao céu e, sob um rufo baço de tambores, deu início à cerimónia.
Augusto Baptista in "O caçador de luas"
Oração das 11:09 AM | | Comentários (0)
abril 29, 2006
#87

Oração das 07:32 PM | | Comentários (0)
abril 28, 2006
#86

Há uma tal suavidade ao anoitecer
Um tal encanto uma tal melancolia
Quando o dia nos braços da noite se deita
Quando a noite cobrindo-o em manto se torna
E escura, terna e amante
Acalanta
E adormece o dia.
Oração das 10:04 PM | | Comentários (0)
Andorinhas
A presença juvenil
das andorinhas,
faz esconder o Inverno,
entre lençóis.
Oração das 10:13 AM | | Comentários (1)
abril 27, 2006
Hello
playground school bell rings again
rain clouds come to play again
has no one told you she's not breathing?
hello i'm your mind giving you someone to talk to
hello
if i smile and don't believe
soon i know i'll wake from this dream
don't try to fix me i'm not broken
hello i'm the lie living for you so you can hide
don't cry
suddenly i know i'm not sleeping
hello i'm still here
all that's left of yesterday
Evanescence
Clicar para ouvir
Oração das 07:32 PM | | Comentários (0)
#85

Rossio - Lisboa - Festejos 25 Abril
Oração das 02:43 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #55
O homem que pretende ser sempre coerente no seu pensamento e nas suas decisões morais ou é uma múmia ambulante ou, se não conseguiu sufocar toda a sua vitalidade, um mono maníaco fanático.
Aldous Huxley
Via O Citador
Oração das 09:54 AM | | Comentários (0)
abril 26, 2006
#84

Oração das 08:22 PM | | Comentários (0)
#83

Oração das 08:18 PM | | Comentários (0)
Manifestação do 25 de Abril




Como habitualmente decorreu ontem o desfile comemorativo do 25 de Abril entre o Marquês de Pombal e o Rossio. Embora tenha muitas fotografias das personalidades e do desfile preferi editar estas, deixando para depois um post mais alargado, porque me parece que era essencialmente isto que as comemorações do 25 de Abril deviam ser - uma festa popular embora não deixando de lado a abordagem política. Mas nunca aquilo que foi. Um desfile totalmente enquadrado, no pior sentido, pelos elementos ligados ao PCP, com os símbolos tradicionais do partido. Uma comemoração apressada em que os "VIPS" já tinham discursado e se tinham ido embora quando a cauda da manifestação ainda vinha lá para o meio da Avenida da Liberdade. Se queremos manter vivo o 25 de Abril há que mudar muita coisa na forma como o abordamos e como o passamos às gerações mais jovens.
Oração das 11:58 AM | | Comentários (0)
abril 25, 2006
Abril sempre!

A voz do meu pai acordou-me bem cedo, por volta das sete da manhã. As notícias na rádio eram confusas e davam conta de um golpe militar. Levantei-me, vesti-me e fui ouvir. Havia dúvidas sobre a proveniência do golpe, Kaúlza de Arriaga era uma hipótese aterradora. Foram-se dissipando com os comunicados e as músicas emitidas e deram lugar à excitação, à alegria. Peguei no material de fotografia e, com alguns amigos, fui para Lisboa.
Foi um dos dias mais felizes da minha vida – 25 de Abril de 1974.
Oração das 10:40 AM | | Comentários (0)
abril 24, 2006
#82

Oração das 03:32 PM | | Comentários (0)
Abril de sim Abril de não
Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.
Manuel Alegre
Oração das 10:07 AM | | Comentários (0)
abril 23, 2006
#81

Vila Pouca de Aguiar - igreja
Oração das 08:31 PM | | Comentários (0)
#80

Vila Pouca de Aguiar - capela
Oração das 08:25 PM | | Comentários (0)
abril 22, 2006
Em Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen


Decorreu ontem à noite no mercado da Ribeira o jantar comemorativo dos 32 anos do 25 de Abrl promovido por uma comissão que engloba nomes bem nossos conhecidos da área da esquerda muitos dos quais aliás membros do Movimento Cívico Não Apaguem a Memória. Foi um momento de convívio agradável necessariamente politizado mas em que, por exemplo, a poesia e a música não foram esquecidas.
Não querendo destacar ninguém em particular apesar dos nomes sonantes presentes, não quero deixar de referir a "nossa" Júlia Coutinho incansável no seu entusiasmo e empenho nas causas em que acredita.
É bom que estas manifestações se mantenham e divulguem porque há que manter a memória bem viva do que foi o 25 de Abril e, para mim, mais do que isso, não esquecer o regime fascista que este país viveu. Aqui ficam fotografias do jantar com a promessa de uma reportagem mais desenvolvida daqui a uns dias.
Fica a chamada de atenção para a manifestação comemorativa na Avenida da Liberdade no dia 25 de Abril e quem se quiser juntar ao Movimento Cívico Não Apaguem a Memória apareça por volta das 15 horas em frente ao edifício do Diário de Noticias.

Vasco Lourenço

Joana Amaral Dias

Jorge Lino

Alexandre Castanheira

Jorge Castro

Júlia Coutinho (humm parece-me que conheço este chapéu de qualquer lado...)

Alice Maldonado Freitas e Júlia Coutinho

Grândola Vila Morena...
Oração das 07:57 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #54

Uma fealdade e uma velhice confessada são, a meu ver, menos velhas e menos feias do que outras disfarçadas e esticadas.
Michel de Montaigne
Via O Citador
Oração das 12:32 PM | | Comentários (0)
abril 21, 2006
Loja das Giras...


Oração das 10:02 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #53
Os malefícios da cirurgia estética
O cirurgião tirara-lhe uns bons vinte anos da cara após três liftings, cinco peelings, uma rinoplastia, duas blefaroplastias, duas vibroliposucções à papada e dois implantes – um, capilar, outro, de silicone no queixo. Enfim, três semanas de internamento, mascarado de múmia e alimentado por uma palhinha, que lhe mudariam a vida para sempre.
O primeiro sobressalto sentiu-o quando regressou da clínica e o seu pastor alemão, não o reconhecendo, o atacou ferozmente quase lhe esfacelando a nova face. Mas o pior estava para vir. Sentia-se tão diferente que se tornou insuportável a naturalidade com que a sua mulher se deitava com outro homem, ainda por cima, com a idade do seu filho. Começou a sentir-se traído por ele mesmo e entrou em profunda depressão. O pavor de poder vir a ser referido pela vizinhança como “o corno de si próprio” causava-lhe tanto sofrimento, que o simples acto de calcorrear dez metros de calçada para despejar o lixo o atulhava de vómitos e diarreias.
Em consequência dos incontáveis distúrbios somáticos os pontos relaxaram, os repuxões vacilaram, a pele estremeceu e a cabeça distendeu-se para uma vez e meia o tamanho original. Partiu todos os espelhos de casa e nunca mais saiu. Embrulhou-se num desespero crónico e viciou-se em debates televisivos. Viveu o resto dos seus dias na cama, irreconhecível, de telecomando na mão, balbuciando frases desconexas de Luís Delgado, Pacheco Pereira, Odete Santos e Fernando Rosas.
Lastimável.
Micro-conto roubado à má fila ao fgs do Metamorfases
Oração das 09:41 AM | | Comentários (0)
abril 20, 2006
#79

Oração das 08:29 PM | | Comentários (0)
#78

Oração das 08:26 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #31

Foto: Alex Krivtsov
Oração das 07:34 PM | | Comentários (0)
Porque escondes a noite no teu ventre?
Nesse país de sombra onde se calam as palavras.
Aí, no escuro lago onde estremece a flor da amendoeira
E onde vão morrer todos os cisnes.
Eu desvendo a tua dor, o teu mistério
De caminhares assim calada e triste,
Quando viajo em ti com as mãos nuas e o coração louco
No mais fundo de ti, onde só tu existes.
Oh, eu percorro as tuas coxas devagar
Dobrando-as lentamente contra o peito
E penetro em delírio a tua noite
Esporeando éguas no teu sangue.
De onde me chegam estas palavras?
Joaquim Pessoa
Oração das 02:39 PM | | Comentários (0)
Tavira - outros tempos


Oração das 10:14 AM | | Comentários (0)
Arte digital #13

Imagem: Epanoui de d4m
Oração das 09:57 AM | | Comentários (0)
abril 19, 2006
O caminho

Caminhava por aquela estrada sinuosa, estranha e desconhecida, há muito tempo. Tanto que já nem se lembrava quando e onde tinha começado a andar, e muitos dos passos que tinha dado e muitos dos lugares por onde tinha passado estavam esquecidos também.
Atravessava agora uma zona de floresta coberta por um manto de nevoeiro frio e o caminho era sombrio, silencioso e assustador. Pouco conseguia ver a não ser uns poucos metros fosse qual fosse a direcção para onde olhasse.
Pensou em cantar para tentar afastar o medo que o ia tomando mas receou chamar a atenção às criaturas estranhas que por ali podiam andar.
Tentou lembrar-se do caminho percorrido e em especial daqueles lugares onde se tinha sentido bem, onde tinha sido feliz. Sorriu quando recordou momentos de grande felicidade e uma sensação de calma invadiu-o quando se lembrou de outros em que o caminho ou o local tinham sido pacatos, tranquilos, sem sobressaltos. E o medo atenuou enquanto caminhava imerso nessas recordações.
Mas umas lembranças puxam outras e recordações que há muito tinha arrumado bem no fundo do armário da sua memória, e que julgava já mortas e reduzidas a pó pelo passar do tempo, ganharam vida e assaltaram-no. E todos os maus momentos por que tinha passado na sua caminhada e aqueles em que o medo tinha tomado conta de si, como agora, em lugares como aquele, momentos em que tinha sido agredido e respondera de volta, momentos em que tinha caído e se levantara, momentos em que o sofrimento fora insuportável, todos o rodearam, agora, ali.
E as marcas que tinham deixado doíam-lhe agora.
E as recordações eram como fantasmas que não conseguia afastar por mais que lutasse, e que o rodeavam e que lhe gritavam que o mesmo ia acontecer agora naquele lugar frio, no nevoeiro, sem nada ver e sem ninguém que o pudesse ajudar ou guiar pelo caminho.
Começou a correr como um louco, gesticulando e tentando afastar os espectros sem resultado, eles rodeavam-no repetindo incessantemente o mesmo.
Tropeçou, caiu, levantou-se, continuou a correr.
E os malditos riam-se dele e não o deixavam.
Esgotado e ferido mas correndo ainda passou uma curva apertada da estrada e viu-se perante uma encruzilhada...
Parou ofegante, as vozes dos fantasmas diziam-lhe para ir pelo caminho à esquerda, garantiam-lhe que se fosse por ali nada lhe aconteceria.
Com tranquilidade e certeza dirigiu-se para o caminho da direita, os passos cada vez mais firmes apesar dos protestos deles.
Sorriu-lhes e sem hesitações deu o último passo que o lançou no abismo negro que tinha à frente.
Os fantasmas não o acompanharam.
Ognid
Oração das 07:23 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #30

Foto: Nuance #38 de Naña Sousa Dias
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Oração das 07:15 PM | | Comentários (0)
Já
não é aquioje?
já foi ontem?
será amanhã?
já quandonde foi?
quandonde será?
eu queria um jàzinho que fosse
aquijá
tuoje aquijá.
Alexandre O'Neill
Oração das 02:38 PM | | Comentários (0)
#77

Oração das 10:00 AM | | Comentários (0)
#76

Oração das 09:59 AM | | Comentários (0)
#75

Oração das 09:52 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #52
O casal da mesa do lado não tocou nas palavras durante o pequeno-almoço. Cumpriu-o indiferente sem incomodar o silêncio, sem ter provado sequer uma curta vez que fosse do dissabor das palavras.
O casal da mesa do lado já deve ter dito tudo.
João Luís Barreto Guimarães in "Lugares Comuns"
Oração das 09:27 AM | | Comentários (0)
abril 18, 2006
At first sight


Oração das 08:37 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #29

Foto: "Kiss" de Aleksey & Marina
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Oração das 08:32 PM | | Comentários (0)
José
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Oração das 02:45 PM | | Comentários (0)
Ribeira

Oração das 10:07 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #51
Não exibas tanto o esplendor dos teus dentes. Eu sei que são postiços. Mas há quem não sabe, dizes. Pois. Mas ainda que eu não soubesse, sabia-lo tu. Fecha a boca.
Vergílio Ferreira
* Dedicado a algumas "estrelas" da nossa praça.
Via O Citador
Oração das 09:58 AM | | Comentários (0)
abril 17, 2006
Não posso adiar o amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
António Ramos Rosa


Fotos: Alexandra Bernardo no espectáculo Branco e Vermelho
Oração das 08:07 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #28

Foto: Cristye
Oração das 08:03 PM | | Comentários (0)
Obscuro domínio
entre barro fresco e ardor.
Sorver entre lábios fendidos
o ardor da luz orvalhada.
Deslizar pela vertente
da garganta, ser música
onde o silêncio aflui
e se concentra.
Eugénio de Andrade
Oração das 10:24 AM | | Comentários (0)
#74

Oração das 10:22 AM | | Comentários (1)
abril 16, 2006
Ponte romana



Oração das 08:10 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #27

Foto: Patrick Demarchelier
Mais fotos deste autor aqui no Dos Olhares
Oração das 08:03 PM | | Comentários (0)
Arte digital #12

Imagem: "Here in shadow" de BlueBlack
Oração das 11:42 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #50
As religiões, assim como as luzes, necessitam de escuridão para brilhar
Arthur Schopenhauer
Via Citador
Oração das 11:29 AM | | Comentários (0)
abril 15, 2006
Zooming in (again)



Trás-os-Montes, zona de Jales
Oração das 08:05 PM | | Comentários (0)
Dos olhares #26

Foto: Fevers of the night - Sweetcharade
Oração das 07:59 PM | | Comentários (0)
Tu gitana
Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sê
Se saldre dessa aventura
Ô si nela moriré
Ô si nela perco la vida
Ô si nela triumfare
Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sê
Cancioneiro de Vila Viçosa. Cantado pelo Zeca Afonso.
Oração das 12:38 PM | | Comentários (1)
abril 14, 2006
Zooming in


Oração das 08:02 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #49
Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver.
La Bruyère
Oração das 10:25 AM | | Comentários (0)
Dos Olhares - 10 fotos de Alexander Heinrichs
Alexander Heinrichs é um excelente fotógrafo alemão. Aqui ficam algumas fotos dele assim como o meu agradecimento.


Frozen

Goldfingers

Green

Headache

Jazz

Smokin Lady

The lady is a tramp


Zebra Lady
Oração das 10:00 AM | | Comentários (2)
abril 13, 2006
Para expiação dos nossos pecados por andarmos por aqui...



Aos senhores padres, bispos, arcebispos, cardeais, papa, inquisidores e outros que tais e em especial ao senhor cardeal norte-americano (só podia) James Francis Stafford quero desde já informar que apenas fiz um pequeno intervalo na leitura do Corão, perdão, da Bíblia para fazer este post.
Oração das 10:23 PM | | Comentários (0)
Arte digital - 5 imagens de Kaleya
Com a intenção de divulgar um pouco o que se vai fazendo no campo da arte digital aqui ficam cinco imagens da Kaleya

Kaleya

Here Kitty Kitty

Playpals

Midnight

Eliza the death faerie
Oração das 12:56 PM | | Comentários (0)
abril 12, 2006
#73

Oração das 07:46 PM | | Comentários (0)
#72

Oração das 07:44 PM | | Comentários (0)
#71

Oração das 07:41 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #25



Fotos: Artur Sokolowski
Oração das 03:23 PM | | Comentários (0)
O insecto
Das tuas ancas aos teus pés
quero fazer uma longa viagem.
Sou mais pequeno que um insecto.
Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centímetros queimados,
pálidas perspectivas.
Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!
Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.
Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno
de vaso escaldante!
Pablo Neruda
Oração das 10:01 AM | | Comentários (0)
abril 11, 2006
#70

Oração das 08:24 PM | | Comentários (0)
#69

Oração das 08:22 PM | | Comentários (0)
#68

Oração das 08:20 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #24



Fotos: Pamela Creevey
Oração das 02:28 PM | | Comentários (0)
#67

Oração das 09:32 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #48
O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram.
La Rochefoucauld
Oração das 09:13 AM | | Comentários (0)
abril 10, 2006
#66

Oração das 07:25 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #23

Foto: fmk fotodesign
Mais fotos deste autor aqui no Dos Olhares
Oração das 07:21 PM | | Comentários (0)
Bem vindo José Fanha
Há pessoas que fazem parte da minha "galeria" de referências a diversos níveis - cultural, humano e político. O José Fanha é uma delas. Acompanha-me desde a juventude e em conjunto com o Zeca e todos os outros cantores, actores, poetas desse "grupo", é um dos responsáveis pela minha formação. É portanto com alegria que saúdo a sua chegada a este mundo virtual e vos recomendo desde já a visita ao seu blog, o Soldadinho de chumbo. Para o José Fanha fica aqui um abraço de amizade, uma pequena homenagem e o desejo que se sinta bem neste nosso meio.
Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.
Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.
Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.
Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.
Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.
Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.
Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.
Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.
Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.
Eu sou português aqui
Oração das 08:47 AM | | Comentários (2)
abril 09, 2006
Dos Olhares #22

Foto: "Desperado" de Alex Krivtsov
Oração das 10:27 PM | | Comentários (0)
#65

Oração das 10:18 PM | | Comentários (0)
#64

Oração das 12:19 PM | | Comentários (0)
Etiqueta
Chegados à porta, os dois homens, obsequiosos:
- Primeiro o senhor.
- Por amor de Deus.
- Dê-me o prazer.
- Nem pense.
- Insisto.
- Não, peço-lhe.
- De modo algum.
- Mas eu faço gosto.
- O gosto é meu, acredite.
- O cavalheiro chegou primeiro e...
- A prioridade é sua, de toda a maneira.
- Agradeço, mas...
- Palavra.
- Seria uma desfeita.
- Por favor.
A tensão amável perdura, eles desvanecidos:
- Dê-me a honra.
- Por quem é.
Irresolúvel, o embate sobe de tom, tensa dialéctica mesureira:
- Força!
- Não insista, palavra!
- Decida-se!
- Vamos! Esperam-nos, não?
- O impasse começa a aborrecer-me, confesso!
- Idem aspas!
- Acabe-se com isto!
- Entre!
- Ora essa!
- Que raio!
- !
- !
Caem neles. A ridícula rispidez incomoda-os, sobretudo nesta ocasião. Sorriem. E, afectuosos:
- Tenha a fineza.
- Faça obséquio...
Na arena, olhos postos na porta de entrada dos gladiadores, o esfaimado Kimba ruge. Impaciente.
Augusto Baptista in "O caçador de luas"
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abril 08, 2006
#63

Oração das 08:51 PM | | Comentários (0)
De morte alguma se diga...
De morte alguma se diga
que é apenas transitória. E talvez seja
melhor assim: sem a surda
dolência das palavras, dos acenos,
a querer atenuar
esta irremediável ausência
a mágoa mortal da partida.
Por mais difícil que seja
recordar-te é sempre aqui
entre medronhos e cálices vazios
que te sinto, que te sorvo
sem curar de saber
no mapa ou na geografia das datas
o rumo que tomas
o perfil com que surges
coberta de musgo e flores de Maio
em cada porta que se abre.
E que nunca em nós abrande
este amor que nos liga
aos frutos, às sementes, aos amigos,
este saber dar o que temos
dentro do peito aconchegado:
o sorriso, a carícia,
o imperceptível beijo
ao despertar. E assim
por nós vão passando os anos,
inumeráveis rugas e vestígios
deste tempo que se muda
para além do que sabemos.
E que neste jeito de mudança
nunca as mãos deixem
de sentir o mundo
alucinante e veloz
agitando-se em redor.
José Jorge Letria in Os dias contados
Oração das 12:22 PM | | Comentários (0)
#62

Oração das 11:48 AM | | Comentários (0)
Arte digital #11

Imagem: Zazie
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abril 07, 2006
Dos Olhares - 10 fotos de Paweł Dzik
Paweł Dzik é um fotógrafo polaco com 30 anos. Aqui ficam algumas das suas fotos que mais aprecio e um agradecimento.










Oração das 09:37 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #47
Aos pregadores de moral
Não quero fazer moral, mas dou o seguinte conselho àqueles que a fazem: se quereis tirar às melhores coisas todo o prestígio e todo o valor, continuai a falar delas como o fazeis. Fazei disso o centro da vossa moral, repeti de manhã à noite a felicidade da virtude, a tranquilidade da alma, a equidade e a justiça imanente; pelo caminho por onde ides, essas excelentes coisas acabarão por ganhar o coração do povo; a voz do povo estará do seu lado; mas, passando de mão em mão, perderão toda a sua duradoura; pior: o seu ouro transformar-se-á em chumbo. Ah! Como sois peritos nessas contra-alquimias! Como sabeis desvalorizar as substâncias mais preciosas! Tentai, portanto, uma vez, a título de experiência, uma receita diferente, se não quereis, como até agora, conseguir o contrário daquilo que procurais: negai essas excelentes coisas, retirai-lhes o aplauso da multidão, entravai a sua circulação, voltai a fazê-las outra vez o objecto de secreto pudor da alma solitária, dizei que a moral é um fruto proibido! Talvez ganheis então para a vossa causa a única espécie de homens que interessa, quero dizer, a raça dos heróis. Mas seria necessário que esta causa inspirasse o receio, e não o desprezo, como fez até aqui! Não seremos, com efeito, tentados hoje a dizer à moral, à maneira de Mestre Eckardt: «Peço a Deus que me liberte de Deus?»
Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
Via O Citador
Oração das 09:35 AM | | Comentários (0)
abril 06, 2006
#61

Do OrCa:
vim aqui ver-te a nudez transmutada
nessa branquidão tão rósea do desejo
e nem sei se me estremece mais o seio
ou o olhar de nudez tão desvendada...
Oração das 08:39 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #21

Foto: Gargamel
Oração das 08:36 PM | | Comentários (0)
Recorriéndote
Quiero morder tu carne,
salada y fuerte,
empezar por tus brazos hermosos
como ramas de ceibo,
seguir por ese pecho con el que sueñan mis sueños
ese pecho-cueva donde se esconde mi cabeza
hurgando la ternura,
ese pecho que suena a tambores y vida continuada.
Quedarme allí un rato largo
enredando mis manos
en ese bosquecito de arbustos que te crece
suave y negro bajo mi piel desnuda
seguir después hacia tu ombligo
hacia ese centro donde te empieza el cosquilleo,
irte besando, mordiendo,
hasta llegar allí
a ese lugarcito
-apretado y secreto-
que se alegra ante mi presencia
que se adelanta a recibirme
y viene a mí
en toda su dureza de macho enardecido.
Bajar luego a tus piernas
firmes como tus convicciones guerrilleras,
esas piernas donde tu estatura se asienta
con las que vienes a mí
con las que me sostienes,
las que enredas en la noche entre las mías
blandas y femeninas.
Besar tus pies, amor,
que tanto tienen aun que recorrer sin mí
y volver a escalarte
hasta apretar tu boca con la mía,
hasta llenarme toda de tu saliva y tu aliento
hasta que entres en mí
con la fuerza de la marea
y me invadas con tu ir y venir
de mar furioso
y quedemos los dos tendidos y sudados
en la arena de las sábanas.
Gioconda Belli - Nicarágua
Oração das 10:48 AM | | Comentários (0)
Arte digital #10

Oração das 10:46 AM | | Comentários (0)
abril 05, 2006
#60

Fallen Angel
Oração das 08:10 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #20

Foto: Sabine Schönberger
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Oração das 08:06 PM | | Comentários (0)
#59

Oração das 10:15 AM | | Comentários (0)
Elucidário oblíquo do reino dos bichos

Abelharuco
Pássaro que come abelhas. Se comesse melgas, seria um melgaruco; moscas, um moscaruco; borboletas, um borboletaruco; cigarras, um cigarraruco; joaninhas, um joaninharuco; homens, um morticínio. De pássaros.
(...)
Biodiversidade
O Nordeste Transmontano, com suas aves, é deveras interessante, bonito. O Alentejo também tem muita garça.
(...)
Francisquinho
A virar e a revirar o pirilampo, Francisquinho intriga-se: onde estarão as pilhas?
(...)
História de estimação
Primeiro trincou a língua, cortou. Mais tarde mordeu o rabo, cortou. Dois acidentes, duas fatalidades. Ganhou-lhe o gosto e com dramática persistência, em escala crescente, foi-se trincando, trinchando. Em pouco tempo, ficou reduzida a duas maxilas de dentes anavalhados.
Impulsionada pelo instinto devorador, fixou-se nos patos, nos peixes-vermelhos... A fim de evitar mais contratempos, o dono comprou-lhe açaimo, trela. E, rédea curta, pôde enfim passear pelo lago, em segurança, a dentadurinha danada, a sua piranha de estimação.
(...)
Excertos do livro de Augusto Baptista, "Elucidário Oblíquo do Reino dos Bichos"
Oração das 09:49 AM | | Comentários (0)
abril 04, 2006
#58

Oração das 07:46 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #19

Foto: Howard Schatz
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Oração das 07:41 PM | | Comentários (0)
#57

Oração das 09:30 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #46
Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...)
Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
Via O Citador
Oração das 09:22 AM | | Comentários (0)
abril 03, 2006
Da espera
Dias de espera
De telefones que não tocam
De notícias que não chegam
De silêncio que ensurdece.
Horas de espera
Em que a angústia cresce
O peito se enrola em nó que sufoca
E a imaginação voa em negros céus.
Minutos de espera
Em que o tempo se distorce
E segundos são minutos
E minutos são horas
E horas são dias…
De espera.
Ognid
Oração das 08:06 PM | | Comentários (1)
Dos Olhares #18

Foto: Stanmarek
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Oração das 07:59 PM | | Comentários (0)
Outro testamento
Quando eu morrer deitem-me nu à cova
Como uma libra ou uma raiz,
Dêem a minha roupa a uma mulher nova
Para o amante que a não quis.
Façam coisas bonitas por minha alma:
Espalhem moedas, rosas, figos.
Dando-me terra dura e calma,
Cortem as unhas aos meus amigos.
Quando eu morrer mandem embora os lírios:
Vou nu, não quero que me vejam
Assim puro e conciso entre círios vergados.
As rosas sim; estão acostumadas
A bem cair no que desejam:
Sejam as rosas toleradas.
Mas não me levem os cravos ásperos e quentes
Que minha Mulher me trouxe:
Ficam para o seu cabelo de viúva,
Ali, em vez da minha mão;
Ali, naquela cara doce...
Ficam para irritar a turba
E eu existir, para analfabetos, nessa correcta irritação.
Quando eu morrer e for chegando ao cemitério,
Acima da rampa,
Mandem um coveiro sério
Verificar, campa por campa
(Mas é batendo devagarinho
Só três pancadas em cada tampa,
E um só coveiro seguro chega),
Se os mortos têm licor de ausência
(Como nas pipas de uma adega
Se bate o tampo, a ver o vinho):
Se os mortos têm licor de ausência
Para bebermos de cova a cova,
Naturalmente, como quem prova
Da lavra da própria paciência.
Quando eu morrer. . .
Eu morro lá!
Faço-me morto aqui, nu nas minhas palavras,
Pois quando me comovo até o osso é sonoro.
Minha casa de sons com o morador na lua,
Esqueleto que deixo em linhas trabalhado:
Minha morte civil será uma cena de rua;
Palavras, terras onde moro,
Nunca vos deixarei.
Mas quando eu morrer, só por geometria,
Largando a vertical, ferida do ar,
Façam, à portuguesa, uma alegria para todos;
Distraiam as mulheres, que poderiam chorar;
Dêem vinho, beijos, flores, figos a rodos,
E levem-me - só horizonte - para o mar.
Vitorino Nemésio
Oração das 03:05 PM | | Comentários (2)
Dos Olhares #17

Foto: "Fear" de ClanOfXymox
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Oração das 02:57 PM | | Comentários (0)
#56

Oração das 10:36 AM | | Comentários (0)
Arte digital #9

Imagem: "Feels like home" de Mathew M. Machanian
Oração das 10:33 AM | | Comentários (1)
abril 02, 2006
#55

Oração das 08:14 PM | | Comentários (0)
Dos Olhares #16

Foto: "Playing bubbles" de Rarinda Prakarsa
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Oração das 11:06 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #45
Não é que o suicídio seja sempre uma loucura. (...) Mas, em geral, não é num acesso de razão que nos matamos.
Voltaire
Oração das 11:04 AM | | Comentários (0)
abril 01, 2006
Mapa perdido
Percorro-me devagar, cuidadosamente
Arqueólogo de mim mesmo
Procuro nos destroços e encontro
Pedaços de vida por viver
Construções nunca acabadas
Túmulos dos que amei e matei.
Insisto,
Continuo em busca do local
Onde perdi os sonhos
Os desejos
Os projectos
O mapa original da minha vida.
Sei que nalgum ponto do caminho
Me virei para o lado errado
Porque de mim me esqueci.
Ognid
Oração das 08:44 PM | | Comentários (0)
Mário Viegas

Completam-se hoje dez anos sobre a morte de Mário Viegas. É uma data que não quero deixar passar em claro porque sempre tive por ele a maior admiração. Foi e é uma referência da minha vida. Para relembrar deixo aqui o preâmbulo duma entrevista que Viriato Teles lhe fez e que podem ler na sua totalidade aqui porque sintetiza aquilo que o Mário foi:
"O homem que agora se senta à minha frente está destinado a vencer a morte. Fala muito e em ritmo acelerado, mas nunca fala por falar. Os olhos não param quietos, mesmo quando se dirigem para nós. Pontua a conversa com gestos largos, próprios de quem sabe o que quer e tem pressa de o concretizar. A sua vida é um corrupio de cenas e emoções, poemas e paixões, amigos e bebedeiras. Olho-o e penso que poucos actores conseguem aguentar um ritmo de trabalho tão intenso como este Mário Viegas, mas menos ainda são capazes de que a essa intensidade corresponda uma tão grande dose de prazer.
Discípulo da escola brechtiana de teatro vivo e actuante, Mário Viegas fez tudo o que de melhor se pode fazer nas artes de palco. Sem claudicar. Mais do que «apenas um actor de teatro», como gostava de se definir, foi um interveniente, um recriador de palavras. Vinícius de Morais comoveu-se até ao arrepio quando ouviu a sua interpretação de "Trópico de Cancer", Almada Negreiros morreu sem imaginar que o seu "Manifesto Anti-Dantas" havia de renascer um dia com tanto vigor, Mário-Henrique Leiria deve boa parte da popularidade que alcançou postumamente ao talento deste Mário Viegas que um dia trocou Santarém pela cidade grande e se tornou no maior actor e recitador de poesia da sua geração.
Os últimos anos de vida dedicou-os, por inteiro, à Companhia Teatral do Chiado, instalada na sala-estúdio do Teatro São Luiz, um projecto que «nasceu da ideia de fazer uma companhiazinha com meia-dúzia de tarecos e sem dinheiro». Com três mil contos atribuídos pela Secretaria de Estado da Cultura para a montagem de uma peça de Miguel Rovisco, "Um Homem Dentro do Armário", Viegas acabou por levar à cena quatro espectáculos. Depois deitou contas à vida e chegou à conclusão de que «mesmo com as casas permanentemente esgotadas, o dinheiro não dá para pagar a toda a gente». Mas não parou de trabalhar e de sonhar.
Assim, quando nos encontrámos para esta entrevista, em meados de Fevereiro de 1992, o actor estava a preparar a estreia de "A Tersseira Classe" (assim mesmo, com dois esses), uma peça ao jeito de todas as produções de Mário Viegas, provando que, mesmo sem meios grandiosos e com montagens "pobrezinhas" ("A Birra do Morto", por exemplo, custou 38 contos, o preço do caixão) é possível fazer um teatro de grande humor e muita qualidade, «a pensar nas pessoas normais e não naqueles que já pensam saber tudo.”
"A vida em alta velocidade" foi o título, quase premonitório, que na altura dei a esta entrevista. A doença incurável que, escassos quatro anos depois, acabaria por vitimá-lo, ainda não se havia manifestado, e Mário Viegas estava no cume da sua criatividade. Mas não parava. Como se tivesse receio de não conseguir concretizar tudo o que tinha para fazer. Desconcertante até na morte, partiu a 1 de Abril de 1996, dia das mentiras, com 47 anos, deixando aparvalhados os amigos e a legião de admiradores do seu talento e da sua verticalidade. Como herança, deixou a sua memória de uma arte que reinventou com invulgar mestria de cada vez que subiu ao palco. Fosse na pele de "D. João V", de "Baal", ou "A Espera de Godot", no cinema onde criou o memorável "Kilas", fosse ainda como divulgador de poesia, onde teve um papel só comparável ao de João Villaret, deixando disso testemunho em mais de uma dúzia de registos discográficos e em duas séries de programas de televisão que deram a conhecer também o grande humorista que sempre foi.
Algum tempo antes de morrer anunciou a sua candidatura à Presidência da República, cujo programa foi apresentado no espectáculo "Europa, Não! Portugal, Nunca!" - uma genial provocação a favor de "uma política sem máscaras", que só a doença impediu de levar até ao fim, mas que ficou como derradeiro exemplo de insubmissão. Total, radical, verdadeira, absoluta. A doer, como a vida."
(...)
E, de novo, vos deixo o link para aqui ouvirem o Mário Viegas numa versão inigualável do Manifesto do Almada Negreiros (demora um pouco a carregar mas vale bem a pena). Porque ele foi mesmo único.
Oração das 02:48 PM | | Comentários (0)
Arte digital #8

Imagem: "Joana from Arc" de Lukas Jevcak
Oração das 11:07 AM | | Comentários (1)