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maio 31, 2006
#104

Oração das 08:16 PM | | Comentários (0)
País de Abril
São tristes as cidades sob a chuva
E as canções que se atiram contra as grades
- a minha pátria vestida de viúva
entre as grades e a chuva das cidades.
É triste o cão que ladra no canil
Quando é março ou abril e lhe prendem as pernas
É triste a primavera no País de Abril
- minha pátria perfil de mágoas e tabernas.
É triste: uns vestem-se de abril outros de trapos.
Tu ó estrangeiro é só por fora que nos olhas
- a minha pátria bordada de farrapos
capa de trapos remendada a verdes folhas.
Abril tão triste no País de Abril. Por fora
é tudo verde. (Abril com máscaras de festa).
Por dentro – minha pátria a rir como quem chora.
(A festa da tristeza é tudo quanto lhe resta).
Abril tão triste no País de Abril. Aqui
A noite aqui a dor meninos velhos
- minha pátria a chorar como quem ri
em surdina em silêncio. E de joelhos.
Manuel Alegre in "Praça da Canção"
Nota: o site tem vindo a ser actualizado com mais fotos das comemorações do 25 de Abril bem como, mais devagar, noutras áreas.
Oração das 02:55 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #65

O intelecto como exagero
A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a a expressão intelectual começa. O intelecto é já uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos só nariz, ou só testa, ou uma coisa horrível do género. Olha para os homens bem sucedidos em qualquer das profissões eruditas. Como são perfeitamente hediondos! A não ser, evidentemente, na Igreja. Mas a verdade é que na Igreja eles não pensam. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito e, por conseguinte, parece sempre perfeitamente encantador.
Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'
Via O Citador
Oração das 10:39 AM | | Comentários (0)
maio 30, 2006
#103

Oração das 08:09 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #64

A ideia de que os políticos são mentirosos contumazes e incorrigíveis está profundamente enraizada na relação entre eles e os seus eleitores. (...) Pessoas que, na vida civil, são sérias e verdadeiras, incapazes de mentir de olhos nos olhos, habituam-se com uma facilidade estranha a mentir, quando pela frente têm não o par de olhos do interlocutor momentâneo, mas sim a massa anónima e invisível dos destinatários do discurso político. Se perguntarmos aos políticos, por sua vez, por que mentem eles, a resposta fatal é negar essa afirmação. Se insistirmos muito e os conseguirmos atrair para um "momento de verdade", talvez nos confessem então que mentem por necessidade circunstancial: para defender o que acreditam ser o bem comum ou uma política que precisa de ser levada a cabo. No fundo, que os fins justificam a mentira.
Miguel Sousa Tavares
Via O Citador
Oração das 11:38 AM | | Comentários (0)
maio 29, 2006
Data
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
Sophia de Mello Breyner Andresen
Oração das 08:07 PM | | Comentários (0)
Ilegais
Tira a aliança do dedo. O gozo
é redobrado se
nos sinto ilegais. Porque
esse
aro dourado concede-te
direito a mim
não há pecado assim:
o meu
nome em ti o
teu
nome em mim
e
essa data gravada em que assinamos
de Cruz
o arbítrio da união.
As
mãos procuram respostas como
quem ergue rosas pelo espinho:
tira a aliança do dedo. Se
esta lei é sagrada nós
somos apenas mortais precisamos
de pecado:
vamos
dormir ilegais.
João Luís Barreto Guimarães in "Rés-do-Chão"
Oração das 03:07 PM | | Comentários (0)
Bom dia!

Digam lá se começar o dia com um olhar destes não nos deixa preparados para tudo.
Oração das 09:47 AM | | Comentários (0)
maio 28, 2006
#102

Foto do desfile do 25 de Abril.
Oração das 07:36 PM | | Comentários (0)
Devaneios

Foto de: Museums Online South Africa
Ele há coisas que vou lendo por aí e que me deixam espantado. A lata que certas pessoas têm para descaradamente atacarem terceiros, sem que estes as tenham provocado, e sem primeiro terem pelo menos o cuidado de ver de que é que são feitos os seus telhados é inacreditável. E as ridículas tentativas para, depois da merda feita, se tentarem fazer passar por vítimas ou, noutros casos, por alguém superior - eu cá não levo às costas gente dessa - ainda torna tudo mais patético ou triste ou desprezível. Ninguém aqui é culpado pelas suas mesquinhas invejas ou pelas frustrações que carregam consigo. Mas isso não lhes importa. Jogam com tudo o que podem, inclusivamente as vidas de pessoas reais que têm a infelicidade de com eles se cruzarem, inventam os esquemas mais retorcidos para, neste mundo virtual, tentarem ser aquilo que não são na vida real - pessoas de corpo inteiro. E destilam o seu veneno de todas as maneiras que encontram não pensando um segundo sequer nas consequências que esse acto pode ter. Um conselho - façam como os escorpiões, injectem-se com o vosso próprio veneno e deixem os outros em paz.
Oração das 03:32 PM | | Comentários (0)
maio 27, 2006
Sonhos perdidos

Oração das 07:56 PM | | Comentários (0)
Actualização do site
A página pessoal foi actualizada com mais algumas fotos do desfile do 25 de Abril.
A página pessoal foi actualizada com mais algumas fotos do desfile do 25 de Abril.
A página pessoal foi actualizada com mais algumas fotos do desfile do 25 de Abril.
A página pessoal foi actualizada com mais algumas fotos do desfile do 25 de Abril.
Oração das 01:23 PM | | Comentários (0)
maio 25, 2006
#101

Oração das 08:06 PM | | Comentários (0)
maio 24, 2006
Como uma vaca veio residir com os orelhudos
Um dia numa floresta um coelho matou um homem.
Um insecto rastejou na cara do homem.
Uma vaca observava esperando que o homem se levantasse.
Uma vaca saltou uma sebe para ver mais de perto como um coelho arruma um homem.
Um coelho ataca uma vaca pensando que a vaca veio ajudar o homem.
O coelho domina a vaca e arrasta a vaca para a sua toca.
Quando a vaca desperta a vaca pensa:
- Como eu queria estar ao cima da terra indo com o homem para o seu estábulo.
Mas a vaca permanece com estes orelhudos para o resto da vida.
(Russel Edson | O Túnel)
Oração das 10:55 PM | | Comentários (0)
maio 23, 2006
Até sempre

Para ti, amigo Fernando, aqui fica a minha homenagem.
Oração das 06:15 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #63
Reparo como, subitamente, leva a mão à cabeça despertando um esquecimento e regressa à mesa vazia para pedir um quarto de águas. Entreabe a carteira oferecendo-lhe os pulsos, procurando com a pressa algo que julgo difícil.
O rapaz pousa o pedido e ela luta com a carteira, uma das mãos inquieta, a outra revolve-se dentro tentando que a procura nos passe despercebida. Vejo-a então segurar entre indicador e polegar, a forma arredondada que invagina pelos lábios.
Tomara tenha cuidado de que dia da placa a tirou. Oxalá se tenha lembrado que hoje é quinta-feira.
João Luís Barreto Guimarães in "Lugares Comuns"
Oração das 09:48 AM | | Comentários (0)
maio 22, 2006
#100

Oração das 08:09 PM | | Comentários (0)
Inscrição para um portão de cemitério
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"
Mário Quintana
Oração das 02:42 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #62
O Carácter do Destino
Não só as coisas acontecem com as pessoas, (...) cada um gera também aquilo que acontece consigo. Gera-o, invoca-o, não deixa de escapar àquilo que tem de acontecer. O homem é assim. Fá-lo, mesmo que saiba e sinta logo, desde o primeiro momento, que tudo o que faz é fatal. O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmo abrimos, convidando-o a passar. Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com acções o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu carácter.
Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'
Via O Citador
Oração das 10:11 AM | | Comentários (0)
maio 21, 2006
Actualização do site

Actualizado o site. Ficou completa a reportagem do Lisboa Downtown 2006.
Oração das 10:47 PM | | Comentários (0)
Direito à diferença

Oração das 08:30 PM | | Comentários (0)
Variações



Oração das 12:29 PM | | Comentários (0)
maio 20, 2006
#99


Oração das 09:01 PM | | Comentários (0)
Parabéns LMatta

LMatta aqui ficam os meus parabéns pelo teu aniversário e os votos que te divirtas aí pelas ilhas mais bonitas que existem :)
Oração das 11:02 AM | | Comentários (0)
Sem titulo
desta noite,
no balançar cansado
de serões preenchidos,
acompanhados,
invoco o estado puro de solidão.
E desejo a sala vazia,
o quarto silencioso,
o acenar mudo
de fantasmas inventados...
Porque é no respirar só
que as palavras se levantam;
Porque é no adormecer só
que os sonhos fluem;
E porque amar
é amar só.
Filipa Leal
Nota: Poema que me foi passado pelo Manuel Filipe que, é com o gosto que o anuncio, vai recomeçar o blog.
Oração das 10:49 AM | | Comentários (0)
maio 19, 2006
#98

Oração das 07:01 PM | | Comentários (0)
Actualização da página pessoal
A página pessoal foi actualizada com a primeira série de fotografias da reportagem completa das comemorações do 25 de Abril.
Oração das 12:32 PM | | Comentários (0)
#97

Oração das 09:57 AM | | Comentários (0)
maio 18, 2006
#96

Oração das 08:14 PM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #61
O ponto da sinceridade no embuste
Em todos os grandes embusteiros há um fenómeno digno de nota, ao qual eles devem o seu poder. No próprio acto do embuste, entre todos os preparativos, com o horripilante na voz, na expressão, nos gestos, no meio da eficiente encenação, acomete-os a crença em si próprios: é esta que, tão milagrosa e fascinante, fala então aos circunstantes. Os fundadores das religiões distinguem-se desses grandes embusteiros por não sairem deste estado de auto-ilusão: ou, muito raramente, lá têm aqueles momentos mais lúcidos, em que a dúvida os subjuga; mas, habitualmente, consolam-se, atribuindo esses momentos mais lúcidos ao maligno Satanás. O engano de si próprio tem de estar presente, para que estes como aqueles façam um efeito grandioso. Pois as pessoas acreditam na verdade daquilo que, visivelmente, é crido com veemência.
Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'
Via O Citador
Oração das 09:51 AM | | Comentários (0)
maio 17, 2006
#95

Oração das 03:39 PM | | Comentários (0)
Rabo de Gato - desenhos de Augusto Baptista



Foi lançado o novo livro de desenhos do Augusto Baptista - Rabo de Gato, edições Gatopardo - do qual publico algumas imagens. Fica o meu renovado agradecimento pela gentileza.
Oração das 09:59 AM | | Comentários (0)
maio 16, 2006
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #60
Envelhecer

Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o sginificado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreeende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal... e isso é precisamente a velhice.
Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'
Via O Citador
Oração das 09:57 AM | | Comentários (0)
maio 15, 2006
#94

Oração das 08:07 PM | | Comentários (0)
Lisboa Cow Parade 2006


Reportagem mais completa irá saindo aqui no site
Oração das 03:03 PM | | Comentários (0)
Lisboa Downtown 2006 #3


Mais reportagem aqui no site
Oração das 09:54 AM | | Comentários (0)
maio 14, 2006
Lisboa Downtown 2006 #2


A reportagem mais completa vai sair aqui no site
Oração das 10:17 PM | | Comentários (0)
Lisboa Downtown 2006 #1

Oração das 10:26 AM
maio 13, 2006
Elas já "andem" aí!



A reportagem vai saindo aqui no site
Oração das 10:52 PM
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #59
Sonhos prometedores
Tenho mais pena dos que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece.
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
Via O Citador
Oração das 09:15 AM
maio 12, 2006
Fotógrafa #1

Oração das 08:21 PM
Amor mío, al cerrar esta puerta nocturna
te pido, amor, un viaje por oscuro recinto:
cierra tus sueños, entra con tu cielo en mis ojos,
extiéndete en mi sangre como en un ancho río.
Adiós, adiós, cruel claridad que fue cayendo
en el saco de cada día del pasado,
adiós a cada rayo de reloj o naranja,
salud oh sombra, intermitente compañera!
En esta nave o agua o muerte o nueva vida,
una vez más unidos, dormidos, resurrectos,
somos el matrimonio de la noche en la sangre.
No sé quién vive o muere, quién reposa o despierta,
pero es tu corazón el que reparte
en mi pecho los dones de la aurora.
Pablo Neruda
Oração das 03:36 PM
Black & White

Foto do dia aqui no site
Oração das 10:05 AM
maio 11, 2006
Back

De volta. Sem explicações que não tenho que dar. Mas em moldes diferentes. Sem comentários porque não me parecem necessários e servindo o Catedral de apoio ao site que estou a criar (devagarinho, tipo alentejano) e onde vou mostrar de um modo mais adequado as minhas fotografias e até parte das minhas actividades profissionais (necessidade a quanto obrigas). Já agora a página é aqui.
Oração das 07:57 PM
maio 08, 2006
Partido, partindo. De vez
Oração das 09:29 AM
maio 06, 2006
Poema temperamental
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim Pessoa
Oração das 08:02 PM | | Comentários (1)
Dangerous

Oração das 09:47 AM | | Comentários (0)
maio 05, 2006
Dark sides






Oração das 07:38 PM | | Comentários (0)
Também acho que sim...

Oração das 02:51 PM | | Comentários (2)
#93

Oração das 11:07 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #58
Da maldade:
"A maldade bebe a maior parte do veneno que produz"
Séneca
"Nada existe de mais miserável que o espírito do homem que está consciente do mal que faz"
Plauto
"Nem no ar, nem nas profundezas do oceano, nem nas cavernas das montanhas, em nenhum lugar do mundo nos podemos abrigar do resultado do mal praticado"
"Dhammapada, 127"
Textos Budistas
Via Citador
Oração das 10:41 AM | | Comentários (0)
maio 04, 2006
Tocá Rufar




Tocá Rufar - Desfile comemorativo do 25 de Abril
Oração das 08:25 PM | | Comentários (0)
#92

Oração das 01:29 PM | | Comentários (0)
#91

Oração das 10:21 AM | | Comentários (0)
maio 03, 2006
Olhos nos olhos
Queria que visses com os meus olhos
E vendo pelos meus olhos
Visses os teus.
Queria que te visses como eu te vejo
E que os olhos se acendessem em desejo
Como o teu corpo acende os meus.
Queria que visses com os meus olhos
A cor que os teus olhos têm
Reflectidos nos meus.
Encandescente in "Erotismo na cidade", Edições Polvo
A propósito já encomendaram o livro?
Oração das 07:15 PM | | Comentários (0)
#90
Oração das 09:03 AM | | Comentários (0)
aforismos, desaforismos, lugares comuns e outras histórias #57
Da inveja
"Nunca um invejoso perdoa ao mérito."
Pierre Corneille
"A nossa inveja dura sempre mais tempo que a felicidade daqueles que invejamos."
François La Rochefoucauld
Via O Citador
Oração das 08:54 AM | | Comentários (0)
maio 02, 2006
#89


Oração das 11:51 PM | | Comentários (0)
maio 01, 2006
O segundo livro da Encandescente

Foi lançado o segundo livro de poemas da Encandescente. Aqui ficam os meus parabéns e a recomendação de compra. O livro estará disponível a partir da próxima semana nas livrarias mas pode desde já ser encomendado através do e-mail da editora.
Em segredo
Entro no teu sono
Trago-te para o meu sonho
Beijo-te escondida
Páro quando agitado o teu sono muda
A tua pele reage
E o teu corpo acorda
Entro nas tuas coxas
Moves-te dormindo
Sentindo como num sonho
O prazer que se adivinha.
E quando de manhã acordas
E sentes o corpo molhado
Dizes-te tocando surpreso:
Hoje sonhei contigo.
Encandescente in "Erotismo na cidade", Edições Polvo
Oração das 10:40 PM | | Comentários (0)
1 de Maio de 1974




Foi o primeiro, foi único, foi inesquecível.
Oração das 11:47 AM | | Comentários (0)
