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agosto 31, 2006
Mudanças
Porque não consigo entender as razões, por mais explicações que me sejam dadas, por que a qualidade do serviço do Weblog desceu tanto desde que o AEIOU adquiriu esta plataforma; porque o serviço prestado, tendo em conta o custo que tem, não é minimamente aceitável; finalmente porque a paciência tem limites, informo que a partir desta data o Catedral passa para este endereço (http://catedral.blogsome.com). Agradeço a todos os que me acompanharam aqui ao longo destes quase dois anos e meio e, sinceramente, lamento ter sido forçado a tomar esta decisão.
Oração das 07:07 PM | | Comentários (0)
agosto 28, 2006
Bailes da Ribeira #4

Oração das 08:51 PM | | Comentários (0)
Cacau da Ribeira #1

Começo a trabalhar a fotografia e a ideia com que tinha ficado no momento em que tirei a foto desaparece. Neste homem não há tristeza, não há miséria, não há submissão. Amplio a imagem e noto que aquele aspecto de alguma humildade e bonomia que via na distância de uma mesa para a outra não existe, é aparente. Amplio mais e já só vejo parte da face e olhos, azuis acinzentados. E revela-se um olhar duro, traços bem marcados na face. Apesar do modo como vem vestido, também aparentemente humilde, não vejo miséria. Vejo uma dignidade imensa e muita dureza. E fico a pensar que afinal fui eu o observado e não o observador, fui eu o avaliado e não o avaliador. E essa ideia agrada-me.
Oração das 10:47 AM | | Comentários (0)
agosto 26, 2006
Os Boémia #1


Oração das 03:37 PM | | Comentários (0)
agosto 24, 2006
Do retrato #13

Oração das 11:03 AM | | Comentários (0)
agosto 23, 2006
Do retrato #12


Oração das 10:06 PM | | Comentários (0)
Sátira aos homens quando estão com gripe
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
António Lobo Antunes
Oração das 10:46 AM | | Comentários (0)
agosto 21, 2006
Por tudo

Oração das 07:20 PM | | Comentários (0)
Felina




Para ti, Fotógrafa, neste dia em que gostava que estivesses connosco, umas fotos dos teus movimentos "felinos" :), embora saiba que vou apanhar quando nos virmos :( . Um obrigado e um beijo, minha amiga, por tudo o que me ensinaste.
Oração das 06:51 PM | | Comentários (0)
Aos Amigos (e não só)
Neste dia que de algum modo é especial quero deixar aqui uma pequena homenagem aos Amigos, os de verdade, aqueles com que me sinto bem. Não estão aqui todos, faltam alguns, mas na pessoa destes vai o abraço para os restantes.



De novo a rua...
Desperta livre, em mim, sangue vadio,
corro vielas, respiro o rio,
falta-me a noite,
vivo a Lua!
É preciso esquecer, por mais que custe,
Rebentar de esquecimento!
Tragar a taça do veneno num momento,
sacudir o desengano e o embuste!
Esgotemos então o fel da amargura
e deixemos morrer a primavera...
Para quê ficar a vida à espera,
se o sonho está morto e não perdura...
E, por isso, bebamos companheiros!
Ao funeral dos ideais com que vivemos,
aos grandes projectos que perdemos,
aos miseráveis, aos amigos verdadeiros!
Oração das 12:11 PM | | Comentários (0)
Despacha-te!

Exausto espero que acabe a tua espera e que no tempo que não espera exista um futuro que me espere e que termine por fim esta espera que me desespera e que me faz ficar aqui preso ao chão com os pés enfiados na água. Despacha-te ainda apanho uma pneumonia!
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A Papoila Rubra transformou este meu devaneio:
Exausto
espero que acabe a tua espera
e que no tempo que não espera
exista um futuro que me espere
e que termine por fim
esta espera que me desespera
e que me faz ficar aqui preso ao chão
com os pés enfiados na água.
Despacha-te
ainda apanho uma pneumonia!
Oração das 12:37 AM | | Comentários (0)
agosto 20, 2006
Refúgio

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A invejosa :-/ diz o seguinte:
Uma língua de areia
qual fragmento meu
num refúgio encontrado.
Dois palmos de mundo
à margem desse Mundo
onde busco e rebusco
num eterno rebuscar.
Dois palmos dum Mundo
onde dentro de mim
teimo e insisto
e mal, muito mal
o consigo... reencontrar.
Frágil língua de areia...
um refúgio encontrado...
qual fragmento meu...
Oração das 02:21 PM | | Comentários (0)
agosto 19, 2006
Um ano depois, de novo um até sempre
"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares no funeral da mãe, Sophia de Mello Breyner Andresen
Para ti estejas onde estiveres passado que foi um ano que te foste embora.
Oração das 07:04 PM | | Comentários (0)
Balanço
Sei que para lá de ti,
há outros rios, outros sóis, outras marés,
que eu não aprendi.
Mas quero-te, apesar daquilo que não és.
Sei que para lá de ti,
há castelos com tesouros que não mereço,
um céu que ri.
E amo-te ainda, por aquilo que desconheço.
Sei que para lá de ti,
espreitam negruras e carreiros de solidão,
que já percorri.
Partir, será ainda solução?
Sei que para lá de ti,
há maravilhas que não me podes dar,
e que eu pedi.
Pode um egoísta como eu, saber amar?
Oração das 01:33 PM | | Comentários (1)
agosto 17, 2006
Stranger on a strange land
Carta fora do baralho
Peça a mais no tabuleiro
Personagem no filme errado
Penetra na festa de terceiros
Grão de areia na engrenagem
Desenraizado do meu próprio chão
Estranho numa terra estranha
Eis onde estou
Eis o que na verdade sou.
Dionisio Leitão
Oração das 10:29 AM | | Comentários (0)
agosto 16, 2006
Bailes da Ribeira #3

Oração das 08:44 PM | | Comentários (0)
Bailes da Ribeira #2
Vuelve el tango
¡Qué alegría Buenos Aires, vuelve el tango otra vez!
por las calles del recuerdo viene cantando Gardel.
Y los pibes de mi esquina ya se aprestan a bailar
esta danza tan genuina que es industria nacional.
Suena un tango melodioso en el palco de un salón
y a las pibas milongueras se les excita el corazón...
Es el tango que regresa con su carga emocional
como el beso de mi vieja, como el filo de un puñal.
Vuelve el tango
como brisa que acaricia
esbozada en la sonrisa
de una piba de arrabal.
Vuelve el tango,
como onda positiva
esa que siempre en la vida
te acompaña en la orfandad.
Vuelve el tango,
con Pichuco, con Piazzolla,
con Cadícamo, Arolas
y los duendes de Cobián...
Vuelve el tango
ha regresao del exilio,
se instaló en un conventillo
de donde nunca se irá.
¡Qué alegría Buenos Aires, vuelve el tango otra vez!
por las calles del recuerdo viene cantando Gardel.
Y Corrientes tan porteña se despierta al escuchar
el cantar de una calandria y el gorjeo de un zorzal...
Suena un tango melodioso en el palco de un salón
y a las pibas milongueras se les excita el corazón...
Es el tango que regresa con su estampa de varón,
con su luna, su misterio y perfume de malvón.
Música: Litto Nebbia
Letra: Tito Reyes
Oração das 11:52 AM | | Comentários (0)
Do retrato #11

Oração das 12:05 AM | | Comentários (0)
agosto 15, 2006
Actualização da página
A página foi actualizada nas categorias Mercado da Ribeira e Retrato.
Oração das 12:45 PM | | Comentários (0)
Sou sempre eu
Num dia estou de tempestade
E sou vento forte sem direcção
E chuva e relâmpago e trovão.
No outro estou de bonança
Sou brisa em dia de Primavera
E trago em mim a luz suave
Desse tempo de renascimento.
Contudo olha-me bem!
Chuva
Ciclone
Trovão
Relâmpago
Sol
Calor
Brisa
Todos estão dentro de mim
Mas eu sou sempre o mesmo!
(inspirado em Fernando Pessoa)
Dionisio Leitão
Oração das 10:51 AM | | Comentários (0)
agosto 14, 2006
Hoje
Hoje
Não me contem histórias de encantar
Fábulas de príncipes e princesas
Sapos
Finais felizes estilo Hollywood
Pobres que casam com ricos
E felizes para sempre ficam
Não me contem histórias de
Miseráveis felizes
Putas que se regeneram
Bandidos generosos
Felicidade self-service aqui à mão de semear.
Hoje
Prefiro que me falem a verdade
Que me digam que sapos não viram príncipes
Pelo beijo e graça de uma princesa
Que os finais são infelizes
Que os miseráveis serão sempre miseráveis
Porcos, sujos, com fome
Que as putas serão sempre putas
Mesmo que não o queiram ser
Que não há bandidos generosos
E que os piores deles todos
São aqueles que o parecem
Hoje
Prefiro encarar o mundo de frente
E consciente que a felicidade
Não se serve no Mcdonalds
Dentro de um pão de plástico
Prefiro ter presente
Que a felicidade é bem de luxo
Só acessível a alguns privilegiados.
Dionisio Leitão
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Diz o Carlos (?):
Olhei para o poema de frente
de baixo
por cima
e
de lado
e
prefiro
a
verdade da
ficção
Oração das 08:21 PM | | Comentários (0)
Cuerpo de mujer...
Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.
Pablo Neruda
Oração das 10:56 AM | | Comentários (1)
agosto 13, 2006
Bailes da Ribeira #1


Oração das 09:40 PM | | Comentários (0)
agosto 12, 2006
Flying

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Ao Jorge Castro esta imagem inspirou o seguinte:
voando
voando sempre no descaso do voo
faces de rugas e mãos de guitarras
reflexos de mar em paletas de auroras
palavras de raiva que brotam nos dias
na ânsia das pontes
e esse horizonte que tarda em chegar
voando
voando sempre no acaso do sonho
e a mão fugidia num afago breve
que nos dá alento no dia mortiço
feitiço de vida que nos enternece
e assim apetece beber outro dia
voando
voando sempre...
Oração das 03:27 PM | | Comentários (1)
agosto 11, 2006
Poema temperamental
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim Pessoa
Oração das 11:30 AM | | Comentários (0)
agosto 10, 2006
Do retrato #10 - Artur



Oração das 07:25 PM | | Comentários (0)
Declaração de amor
Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu
pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia.
Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão.
Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor.
Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha.
Catléia delfínio estrelítzia. Minha hortensegerânea. Ah, meu
nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus. Meu
ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha.
Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas.Viole-
ta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-
pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão
de minha morte.
Carlos Drummond de Andrade
Oração das 11:21 AM | | Comentários (0)
agosto 09, 2006
La Guitarra
Empieza el llanto
de la guitarra.
Se rompen las copas
de la madrugada.
Empieza el llanto
de la guitarra.
Es inutil callarla.
Es imposible callarla
Llora monotona
como llora el agua,
como llora el viento
sobre la nevada.
Es imposible callarla.
Llora por cosas lejanas.
Arena del Sur caliente
que pide camelias blancas.
Llora flecha sin blanco,
la tarde sin manana,
y el primer pajaro muerto
sobre la rama.
O guitarra!
Corazon malherido
por cinco espadas.
Federico Garcia Lorca
----------------------------
O Zmsantos pergunta se "Lorca, terá sido alma de guitarra, noutra encarnação?"
Oração das 10:51 AM | | Comentários (0)
agosto 08, 2006
Portos #1

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Diz a Menina Marota:
Imagens
que voltavam devagar,
se encostavam a ela sem pudor.
E no silêncio, a esfinge impenetrável,
sabendo-lhe de cor o coração:
desistente dos barcos,
depondo pelo chão de outros alácios
as armas mais preciosas.
“Não posso”, acrescentara
sentindo aproximar-se a hora
exacta.
(Ana Luisa Amaral in "A hora mais exacta")
E o Zmsantos:
O que me fascina, nas paisagens aquáticas, é este dualismo entre a leveza dos objectos suspensos na superfície, as suas formas e côres, o seu movimento, e tudo aquilo que está, ou que imaginamos, nas profundezas.As sombras, a ausencia de luz, a imobilidade dos despojos, a frieza de um mundo calado.
Afinal de contas, tão igual à nossa existência.
Oração das 08:43 PM | | Comentários (0)
Entremos na morte com alegria!
Entremos na morte com alegria! Caramba
O ter que vestir fato, o ter que lavar o corpo,
O ter rins, fígado, pulmões, brônquios, dentes.
Coisas onde há dor e sangue e moléstias
(Merda para isso tudo!)
Estou morto, de tédio também
Eu bato, a rir, com a cabeça nos astros
Como se desse com ela num arco de brincadeira
Estendido, no carnaval, de um lado ao outro do corredor,
Irei vestido de astros; com o sol por chapéu de coco
No grande Carnaval do espaço entre Deus e a vida.
Meu corpo é a minha roupa de baixo; que me importa
Que o seu carácter de lixo seja terra no jazigo
Que aqui ou ali a coma a traça orgânica toda?
Eu sou Eu
Viva eu porque estou morto! Viva!
Eu sou Eu
Que tenho com a roupa-cadáver que deixo?
Que tem o cu a ver com as calças?
Então não teremos nós cuecas por esse infinito fora?
O quê, o para além dos astros nem me dará outra camisa?
Bolas, deve haver lojas nas grandes ruas de Deus.
Eu, assombroso e desumano,
Indistinto a esfinges claras,
Vou embrulhar-me em estrelas
E vou usar o Sol como chapéu de coco
Neste grande carnaval do depois de morrer.
Vou trepar, como uma mosca ou um macaco pelo sólido
Do vasto céu arqueado do mundo,
Animando a monotonia dos espaços abstractos
Com a minha presença subtilíssima.
Álvaro de Campos, excerto de «A Partida»
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Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.
Quantos, se pensam, não se reconhecem
Os que se conheceram!
A cada hora se muda não só a hora.
Mas o que se crê nela, e a vida passa.
Entre viver e ser.
Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa.
Se é para nós que cessa.
Aquele arbusto.
Fenece e vai com ele.
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo.
Nem distingue a memória.
Do que vi do que fui.
Se recordo quem fui, outrem me vejo.
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo.
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente.
Não é de mim nem do passado visto.
Senão de quem habito.
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada.
E quem sou e quem fui.
São sonhos diferentes.
(Poema de Fernando Pessoa)
Oração das 10:54 AM | | Comentários (2)
agosto 07, 2006
Lisboa e Tejo e tudo #2


Oração das 08:13 PM | | Comentários (0)
Sem titulo
depois do amor sempre se tem de partir
tornar segredo a demora do corpo (mentira
vertigem cigarro manhã) "Pai Nosso que
estais no céu santificada seja: a paixão".
são quatro os pontos cardeais do corpo a
retina e o peito o ombro e essa outra força
com que trazemos o impossível sempre
ao alcance da mão (fica assim combinado:
nasces tu primeiro só depois a tentação)
no diálogo das brisas há o silêncio e escuta:
eu sei do abrigo. a voz[] a pele[] o olhar[]
podes beber (x) deste vinho como quem
sabe vai sentir depois de um longo amor
sempre se tem de partir
João Luís Barreto Guimarães in "Rua 31 de Fevereiro", edições Limiar
Oração das 11:36 AM | | Comentários (0)
agosto 06, 2006
Actualização da página
A página foi actualizada com fotos nas categorias de Retrato e Mercado da Ribeira.
Oração das 11:41 PM | | Comentários (0)
No "Inda a noite é uma criança"



O "Inda a noite é uma criança" fica na Praça das Flores. Bom ambiente, boa música, boa frequência. Vale a pena ir até lá.
Oração das 09:59 PM | | Comentários (0)
Perdidamente
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca, canta Luís Represas
Oração das 02:04 PM | | Comentários (0)
agosto 05, 2006
Do retrato #9

Oração das 02:00 PM | | Comentários (0)
agosto 04, 2006
Yolanda
Esto no puede ser no mas que una cancion
Quisiera fuera una declaracion de amor
Romantica sin reparar en formas tales
Que ponga freno a lo que siento ahora a raudales
Te amo
Te amo
Eternamente te amo
Si me faltaras no voy a morirme
Si he de morir quiero que sea contigo
Mi soledad se siente acompañada
Por eso a veces se que necesito
Tu mano
Tu mano
Eternamente tu mano
Cuando te vi sabia que era cierto
Este temor de hallarme descubierto
Tu me desnudas con siete razones
Me abres el pecho siempre que me colmas
De amores
De amores
Eternamente de amores
Si alguna vez me siento derrotado
Renuncio a ver el sol cada mañana
Rezando el credo que me has enseñado
Miro tu cara y digo en la ventana
Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Eternamente Yolanda
Pablo Milanes
Oração das 11:25 AM | | Comentários (0)
agosto 03, 2006
Entrevista
Queria entrar com o pé direito “para dar sorte”. Enganou-se, trocou os pés e o primeiro a entrar foi o esquerdo.
Queria parecer saber perfeitamente para onde ia, como se já ali estivesse há meses, mas com o nervosismo esqueceu-se do andar e teve de perguntar a um paquete em que andar ficava a administração.
Queria mostrar-se distante e importante mas quando viu as pernas traçadas da secretária do administrador e o decote generosíssimo, ou melhor o que este deixava ver, ficou com o olhar preso e, vermelho que nem um tição, balbuciou para a rapariga uma série de palavras desconexas e ela ficou a olhá-lo como que pensando se ele seria um atrasado mental.
Queria aparentar ser uma pessoa segura de si, que não se intimidava perante situações difíceis, mas quando entrou no gabinete e viu que o homem que estava sentado atrás da secretária nem levantara os olhos dos papéis, ficou parado, especado à porta do gabinete sem saber o que fazer até o outro lhe perguntar do que é que estava à espera para entrar e se sentar.
Queria demonstrar ter conhecimento, real, da área de trabalho a que se candidatava mas com o nervosismo esqueceu-se e não conseguiu dar sequer uma resposta às poucas perguntas que o administrador lhe fez.
Queria ter mostrado dignidade depois do rotundo não recebido mas tropeçou no tapete da saída desequilibrou-se e caiu para cima da mini-saia curtíssima e decote generoso que vinham a entrar no gabinete do administrador.
Ficou deitado em cima dela e perante tal situação, normalmente embaraçosa, algo nele mudou, gritou bem alto “me Tarzan, you Jane”, rasgou decote e mini-saia e agarrando na rapariga que gritava desesperada correu pelo corredor emitindo estranhos gritos e num salto acrobático, ele Tarzan e ela Jane voaram pela janela aberta do décimo quinto andar do edifício.
Dionisio Leitão
Oração das 04:20 PM | | Comentários (0)
Sem titulo
Às vezes despedimo-nos tão cedo
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão exposta
ou
de lisboa no corpo o peso triste
Às vezes é tão cedo que nos vemos
omitidos
enquanto expõe
o peso insuportável do amor
a despedida
É tão cedo por vezes que lisboa
estende sobre os corpos o desgosto
Com os dedos no crânio despedimo-nos
Gastão Cruz
Oração das 10:46 AM | | Comentários (0)
agosto 02, 2006
Actualização da página
A página foi actualizada com as fotos do Encontro Poesia nos Blogs.
Oração das 08:22 PM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #20 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06








Oração das 09:26 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #19 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06



Oração das 03:06 AM | | Comentários (2)
Poesia nos blogs #18 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06



Oração das 02:52 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #17 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06


Oração das 02:42 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #16 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06








Oração das 02:20 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #15 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06


Oração das 02:08 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #14 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06



Oração das 01:53 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #13 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06
Por falar em estragar reputações e para não ficar atrás deste senhor que está por debaixo de mim (salvo seja), até porque foi ele que me fez a máscara, aqui vou eu dar cabo da minha. Ora vejam lá as tristes figuras.
Oração das 01:47 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #12 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06
O homem que nos dá sais minerais. Ainda estou para saber onde era a tal esplanada junto às Portas do Sol aberta até às 4 da manhã...



Agora já percebo como é que passaste uma semana no Algarve só com 100 euros...


Ele há fotos que não se deviam publicar, a bem da reputação das pessoas. Mas, as verdades são para ser mostradas.
Oração das 01:26 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #11 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06


Oração das 01:18 AM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #10 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06





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Poesia nos blogs #9 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06

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Poesia nos blogs #8 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06

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agosto 01, 2006
Poesia nos blogs #7 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06
Bem, agora é a vez do homem dos sete instrumentos; ele tem um humor excepcional, compõe, escreve, toca, pelo menos, piano e viola, programa... enfim um sem número de coisas. Aqui ficam então as fotos do Fernando e da Cristina.


Será que houve uma cerimónia de benção e ninguém deu por isso?

Não sei porquê algo aqui me faz lembrar o Calvin...








Ó pró ar com que eles me olham. Estavam a adorar as fotografias, decididamente :P
Oração das 11:41 PM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #6 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06
Também esteve presente uma tal Lique, que por acaso até é minha irmã :P, e que segundo me constou anda já, em conjunto com Seilá quem, a preparar um novo blog - Mulheres dos 60 aos 70. Com muita antecedência como é bom de ver :) e depois deste post acho que vou tirar fotografias para o Libano. De borla.



Oração das 11:02 PM | | Comentários (1)
Poesia nos blogs #5 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06

Ainda estou para perceber porque é que não me deixaram usar o chapéu nesta altura...



Mas o facto é que a Jacky e o Nuno ficaram muito bem com ele.


A Fernanda Guadalupe também não fica mal de todo :P

Quanto a este errr... senhor cujo cognome foi em tempos de O Grande enfim... é melhor não tecer comentários



Como repórter do "jet set blogoesférico" :) (fica-me bem este titulo) aqui apresentado só posso dizer que esta Senhora ficou elegantérrima!
Oração das 10:15 PM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #4 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06

Hmmm acho que estava a ser ameaçado de qualquer coisa aqui...


... e depois fui perdoado.

No entanto ainda ficou alguma desconfiança.





O castigo de deus cairá sobre nós depois de tanto pecado.
Oração das 05:25 PM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #3 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06
O Nuno Rebocho também esteve presente e deu a conhecer uma iniciativa a realizar lá mais para o Outono que me pareceu bastante interessante.


Oração das 04:43 PM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #2 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06



Oração das 04:28 PM | | Comentários (0)
Poesia nos blogs #1 - Quinta da Ribeirinha - 29-07-06
Realizou-se no passado sábado, 29 de Julho, na Quinta da Ribeirinha, a tal cerimónia, sem pompa nem circunstância , para a apresentação do "nosso" livro "Poesia nos Blogs". Não é necessário desenvolver aqui mais considerações sobre os méritos que essa iniciativa teve. De qualquer modo não quero deixar de começar com um agradecimento quer ao Jorge Castro e à Fernanda Frazão da Apenas Livros porque sem o trabalho e empenho deles os dois nada disto tinha sido possível.
E, sendo assim, aqui ficam as primeiras fotos, precisamente do Jorge Castro em duas situações algo... estranhas :). As restantes fotos sairão ao longo do dia de hoje quer aqui quer na página.



Resta dizer que quem quiser encomendar o livro, cujas 170 páginas custam 10 euros, poderá fazê-lo por e-mail para cada um dos autores. No meu caso para dionisio.leitao@gmail.com.
Oração das 11:05 AM | | Comentários (0)